
É com pesar que registramos o falecimento de Silvio Tendler, cineasta, historiador, professor e ativista, que sempre lutou pela democracia brasileira, no dia 5 de setembro aos 75 anos. Ele estava internado no Hospital Copa Star, em Copacabana, na Zona Sul do Rio.
Tendler enfrentava há dez anos, uma neuropatia diabética, doença degenerativa que compromete o sistema nervoso, e foi vítima de uma infecção generalizada. A morte foi confirmada pela filha, a cineasta Ana Rosa. Silvio deixa a filha, um neto e mais de cem obras. O velório está marcado para as 11h de domingo (7), no Cemitério Israelita do Caju.
Nossa solidariedade e orações aos familiares, amigos, admiradores e toda comunidade do cinema brasileiro. Nossos aplausos a toda a contribuição artística e política dada por Tendler ao nosso país.
Conhecido como o “cineasta dos sonhos interrompidos” ou “cineasta dos vencidos”, Tendler dedicou sua carreira a contar histórias de personalidades como João Goulart, Juscelino Kubitschek, Carlos Marighella e Glauber Rocha. Ao longo de mais de cinco décadas de carreira, produziu e dirigiu mais de 70 filmes e 12 séries televisivas.
O documentarista de suma importância para o Brasil, deixa uma obra fundamental para a formação de visões sobre o Brasil. Em seus filmes, soube resumir e explicar importantes momentos de nossa história, como a trajetória de Tancredo Neves durante a redemocratização.
Silvio Tendler foi professor do Departamento de Comunicação Social da PUC-Rio desde 1979. De família judaica com raízes ucranianas e bessarabianas, ele viveu na Tijuca e em Copacabana, além de ter morado no Chile e em Paris.
Na década de 1990, Silvio Tendler foi Secretário de Cultura e Esporte do Distrito Federal, e trabalhou com a Unesco na articulação da indústria audiovisual no Mercosul. Ao longo da carreira, acumulou mais de 60 prêmios em festivais nacionais e internacionais.
Nas redes sociais a comoção de amigos, colegas, alunos e admiradores foi grande.
O presidente Lula lamentou a morte de Silvio Tendler e destacou o legado democrático do documentarista. Lula também reverenciou a vida e a obra do cineasta e professor em suas redes sociais. “Tendler nunca deixou de valorizar a democracia, nem de mostrar as ameaças autoritárias que insistem em ressurgir em nossa história. Sempre teve um olhar social agudo e o anseio por um desenvolvimento com justiça social. Pela sua importância para nosso país, tive a honra condecorá-lo com a Ordem de Rio Branco, em 2006, e do Mérito Cultural, agora em maio de 2025”.
A Academia Brasileira de Letras, em nota, afirma que Silvio esteve entre os melhores documentaristas do Brasil, e deixou sua marca na cinematografia brasileira.
“Sempre com uma visão crítica da sociedade e preocupado com a justiça social, suas obras suscitaram debates importantes sobre nossa identidade. Trabalhou com biografias históricas, é autor de documentários importantes como sobre a Revolta da Chibata, sobre Jango e o golpe de 1964, Os Anjos do Sol, JK, Carlos Marighela, entre outros.”
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