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Ministro Padilha anuncia vacinação de 1,1 milhão de profissionais de saúde contra dengue

Bernadete Alves
Dr. Alexandre Padilha, ministro da Saúde

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, anunciou que a partir de 9 de fevereiro, cerca de 1,1 milhão de profissionais da atenção primária à saúde em todo o Brasil poderão ser vacinados com a Butantan-DV, uma vacina 100% nacional desenvolvida pelo Instituto Butantan. Este imunizante é o primeiro do mundo a ser aplicado em dose única e promete oferecer proteção contra os quatro sorotipos do vírus da dengue.

“São aqueles profissionais que atuam nas unidades básicas de saúde, que visitam as famílias, são os primeiros profissionais a receber quem tem sinal e sintoma de dengue”, disse o ministro da Saúde. “Os primeiros cuidados são feitos pelos médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem, agentes comunitários de saúde, profissionais e equipes multifuncionais que estão cadastrados nas unidades básicas de saúde”, complementou Padilha.

Vacina contra a dengue desenvolvida pelo Butantan vem em dose única

O ministro explicou que a vacinação deste público será possível com a chegada de mais doses da Butantan-DV. O Instituto Butantan deve produzir e entregar até 31 de janeiro cerca de 1,1 milhão de doses adicionais desta vacina nacional contra a dengue, para garantir a imunização dos profissionais que atuam na linha de frente do Sistema Único de Saúde (SUS).

A vacinação dos profissionais de saúde com a Butantan-DV é um passo importante no combate à dengue. Proteger aqueles que estão na linha de frente no atendimento à população mostra o compromisso do governo federal com a saúde pública.

Os anticorpos da Butantan-DV oferecem proteção contra os quatro sorotipos do vírus da dengue. Os estudos clínicos indicam eficácia global de 74% da vacina brasileira, com redução de 91% dos casos graves e 100% de proteção contra hospitalização pela doença transmitida pelo mosquito Aedes aegypti.

O Instituto Butantan está programado para produzir e entregar até 31 de janeiro 1,1 milhão de doses adicionais da Butantan-DV, garantindo assim a imunização dos profissionais na linha de frente do Sistema Único de Saúde (SUS). O governo federal planeja ampliar gradualmente a vacinação para toda a população de 15 a 59 anos, dependendo da disponibilidade de novas doses.

Para acelerar a produção, o Instituto Butantan firmou uma parceria com a empresa chinesa WuXi Vaccines, que poderá aumentar a produção em até 30 vezes. O ministro Padilha estimou que, ainda este ano, o Brasil poderá contar com cerca de 25 a 30 milhões de doses da vacina Butantan-DV.

Vacina QDenga para jovens de 10 a 14 anos

Além da Butantan-DV, o SUS oferecerá a vacina QDenga para jovens de 10 a 14 anos. O governo já adquiriu 18 milhões de doses do imunizante japonês para os anos de 2026 e 2027. A QDenga foi aprovada pela Anvisa em 2023 e será distribuída em mais de 5,5 mil municípios brasileiros.

Dr. Alexandre Padilha explicou também que o Instituto Butantan já tem autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para fazer a avaliação da vacina Butantan-DV no público com mais de 60 anos e já começou o recrutamento de voluntários deste público.

Ministro Alexandre Padilha anuncia vacinação de 1,1 milhão de profissionais de saúde contra dengue

“Nós estamos otimistas que também seja uma vacina segura para quem tem mais de 60 anos de idade, o que vai ser muito importante para o combate à dengue”, disse o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, em Botucatu(SP), no início da campanha de vacinação em massa da população de 15 a 59 anos, na cidade que integra o projeto-piloto.

Padilha, que é médico ajudou a aplicar as doses. Com colete do SUS, o ministro da Saúde destacou que a vacina é 100% brasileira e que “a primeira vez vacinando contra a dengue não se esquece”. A iniciativa piloto ocorre também nas cidades de Maranguape (CE) e Nova Lima (MG). O objetivo é avaliar o impacto da imunização com o novo imunizante.

O Butantan já começou a recrutar voluntários de 60 a 79 anos para a realização de estudos clínicos que podem ampliar o público-alvo de sua vacina contra a dengue. Em vez de avaliar a eficácia — já comprovada —, a pesquisa tem como foco determinar a segurança do imunizante em idosos. No Brasil, essa é a faixa etária que apresenta o maior risco de mortalidade.

Alexandre Padilha, ministro da Saúde, aplicando a vacina em em Botucatu (SP)

Segundo o Ministério da Saúde, os casos de dengue em 2025 somaram 1,7 milhão — queda de 74% em relação a 2024, ano em que o Brasil registrou a pior pandemia, com mais de 6,5 milhões de casos e 6 mil mortes. Nas primeiras duas semanas de 2026, as notificações somam 20.811 casos e 17 óbitos em investigação.

O governo de São Paulo destacou a vitória da ciência, do Butantan e da parceria entre os governos federal e estadual. “A gente vem sofrendo muito com a dengue nos últimos anos e temos que celebrar a vacina brasileira”, disse o governador Tarcísio, ao comemorar a aprovação do registro, em novembro passado. “Por ser de dose única, vai nos ajudar muito na imunização, na cobertura vacinal. É a vitória da ciência, é a vitória da inovação, é a vitória do Butantan.”

Geraldo Alckmin, Nísia Trindade e o Presidente Lula durante assinatura de acordo para produção em larga escala de vacina nacional contra a dengue

A rede privada oferece o imunizante para um público mais amplo: dos 4 aos 60 anos. Os preços partem de R$ 330 por dose. Para a imunização completa são necessárias duas aplicações. Há ainda o imunizante Dengvaxia, da Sanofi, que é indicado apenas para pessoas 6 a 45 anos que já tiveram dengue, com esquema vacinal de três doses.

Fotos: Walterson Rosa/MS, Antonio Cruz e Rovena Rosa/Agência Brasil e Ricardo Stuckert/ PR

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