Papa Leão confia à Maria os crucificados de hoje: rejeitar a guerra com o Rei da Paz

Bernadete Alves
Papa Leão XIV celebra Domingo de Ramos na Praça São Pedro lotada de fiéis

Neste Domingo de Ramos e da Paixão, que dá início à Semana Santa com a liturgia que celebra a entrada de Jesus em Jerusalém, o Papa Leão XIV fez um convite para seguir Cristo, “que se apresenta como Rei da paz”, luz do mundo e que permanece firme na mansidão, diante de uma violência que o rodeia, inclusive com o plano de uma condenação à morte.

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Papa Leão na celebração de Domingo de Ramos na Praça São Pedro
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“Queridos irmãos e irmãs, no início da Semana Santa, estamos mais do que nunca unidos em oração aos cristãos do Oriente Médio, que sofrem as consequências de um conflito atroz e, em muitos casos, não podem viver plenamente os ritos destes dias santos. Precisamente enquanto a Igreja contempla o mistério da Paixão do Senhor, não podemos esquecer quantos hoje participam de forma real do seu sofrimento. A sua provação interpela a consciência de todos. Elevemos a nossa súplica ao Príncipe da Paz, para que sustente os povos feridos pela guerra e abra caminhos concretos de reconciliação e de paz.”

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“Ninguém pode usar Deus para justificar guerras”, diz Papa Leão na cerimônia de Ramos

Leão XIV pediu novamente a intercessão de Maria pelas súplicas dos cerca de 40 mil fiéis que participaram da celebração na Praça São Pedro, para que sejam guiados nestes dias santos a seguir Jesus “com fé e amor”. Também confiou “ao Senhor os marinheiros que são vítimas da guerra”:

“Rezo pelos falecidos, pelos feridos e pelos seus familiares. Terra, céu e mar foram criados para a vida e para a paz! E rezemos por todos os migrantes que morreram no mar, em particular por aqueles que perderam a vida nos últimos dias ao largo da ilha de Creta.”

Na Praça São Pedro, repleta de cerca de 40 mil fiéis portando ramos de diferentes tipos, manifestou-se a unidade de um povo reunido pela mesma fé. A celebração teve início com a bênção dos ramos e a proclamação do Evangelho da entrada de Jesus em Jerusalém, seguida pela procissão solene, acompanhada por cantos que evocaram a acolhida jubilosa do Senhor no tempo dos judeus.

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Papa Leão confia à Maria os crucificados de hoje: rejeitar a guerra com o Rei da Paz

Na homilia, centrada no mistério da Paixão, o Pontífice apresentou Jesus como o verdadeiro Rei da paz: Aquele que entra “montado num jumento, e não num cavalo”, cumprindo a profecia messiânica, e que, mais tarde, “carregado com os nossos sofrimentos, foi traspassado pelas nossas culpas”. Em todas as circunstâncias, destacou, Cristo não reagiu com violência: revelou o rosto manso de Deus, rejeitando toda forma de guerra e entregando-se livremente para abraçar as cruzes de toda a humanidade.

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Papa Leão: em Jesus, Rei da Paz, vemos os crucificados da humanidade

“Cristo, Rei da paz, clama novamente da sua cruz: Deus é amor! Tende piedade! Depõe as armas, lembra-te de que és irmão!”, destacou o Papa, recordando que a violência contradiz o coração do Evangelho.

Leão XIV também exortou os fiéis a reconhecerem os crucificados de hoje, sobretudo para ouvirem com atenção “o gemido de dor de todos aqueles que são oprimidos pela violência e de todas as vítimas da guerra”.

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Papa Leão XIV critica líderes que usam Deus para justificar guerras

Leão XIV usou das palavras do Servo de Deus, o bispo italiano Tonino Bello (1935-1993), conhecido como “profeta da paz” e “bispo dos últimos” pelo empenho junto aos pobres e injustiçados, para confiar à Maria Santíssima, “que está ao pé da cruz do Filho e chora também aos pés dos crucificados de hoje”, o seguinte clamor:

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Domingo de Ramos: significado e importância da celebração

“Santa Maria, mulher do terceiro dia, dá-nos a certeza de que, apesar de tudo, a morte já não terá mais poder sobre nós. Que os dias das injustiças dos povos estão contados. Que os clarões das guerras se estão a reduzir a luzes crepusculares. Que os sofrimentos dos pobres chegaram aos seus últimos suspiros. […] E que, finalmente, as lágrimas de todas as vítimas da violência e da dor em breve secarão, como a geada ao sol da primavera.”

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Papa Leão XIV celebra Domingo de Ramos na Praça São Pedro em 29 de março de 2026

Fotos: Vatican Media