
Neste Domingo de Ramos e da Paixão, que dá início à Semana Santa com a liturgia que celebra a entrada de Jesus em Jerusalém, o Papa Leão XIV fez um convite para seguir Cristo, “que se apresenta como Rei da paz”, luz do mundo e que permanece firme na mansidão, diante de uma violência que o rodeia, inclusive com o plano de uma condenação à morte.
“Enquanto Jesus percorre o caminho da cruz, coloquemo-nos atrás d’Ele, sigamos os seus passos. E, caminhando com Ele, contemplemos a sua paixão pela humanidade, o seu coração que se parte, a sua vida que se torna dom de amor“, assegura o Papa.
À Maria, que chora pelo Filho e pelos crucificados de hoje, o clamor por um Deus que é amor e rejeita a guerra, “que ninguém pode usar para justificar a guerra”.
“Queridos irmãos e irmãs, no início da Semana Santa, estamos mais do que nunca unidos em oração aos cristãos do Oriente Médio, que sofrem as consequências de um conflito atroz e, em muitos casos, não podem viver plenamente os ritos destes dias santos. Precisamente enquanto a Igreja contempla o mistério da Paixão do Senhor, não podemos esquecer quantos hoje participam de forma real do seu sofrimento. A sua provação interpela a consciência de todos. Elevemos a nossa súplica ao Príncipe da Paz, para que sustente os povos feridos pela guerra e abra caminhos concretos de reconciliação e de paz.”
Leão XIV pediu novamente a intercessão de Maria pelas súplicas dos cerca de 40 mil fiéis que participaram da celebração na Praça São Pedro, para que sejam guiados nestes dias santos a seguir Jesus “com fé e amor”. Também confiou “ao Senhor os marinheiros que são vítimas da guerra”:
“Rezo pelos falecidos, pelos feridos e pelos seus familiares. Terra, céu e mar foram criados para a vida e para a paz! E rezemos por todos os migrantes que morreram no mar, em particular por aqueles que perderam a vida nos últimos dias ao largo da ilha de Creta.”
Na Praça São Pedro, repleta de cerca de 40 mil fiéis portando ramos de diferentes tipos, manifestou-se a unidade de um povo reunido pela mesma fé. A celebração teve início com a bênção dos ramos e a proclamação do Evangelho da entrada de Jesus em Jerusalém, seguida pela procissão solene, acompanhada por cantos que evocaram a acolhida jubilosa do Senhor no tempo dos judeus.
Na homilia, centrada no mistério da Paixão, o Pontífice apresentou Jesus como o verdadeiro Rei da paz: Aquele que entra “montado num jumento, e não num cavalo”, cumprindo a profecia messiânica, e que, mais tarde, “carregado com os nossos sofrimentos, foi traspassado pelas nossas culpas”. Em todas as circunstâncias, destacou, Cristo não reagiu com violência: revelou o rosto manso de Deus, rejeitando toda forma de guerra e entregando-se livremente para abraçar as cruzes de toda a humanidade.
“Cristo, Rei da paz, clama novamente da sua cruz: Deus é amor! Tende piedade! Depõe as armas, lembra-te de que és irmão!”, destacou o Papa, recordando que a violência contradiz o coração do Evangelho.
Leão XIV também exortou os fiéis a reconhecerem os crucificados de hoje, sobretudo para ouvirem com atenção “o gemido de dor de todos aqueles que são oprimidos pela violência e de todas as vítimas da guerra”.
Leão XIV usou das palavras do Servo de Deus, o bispo italiano Tonino Bello (1935-1993), conhecido como “profeta da paz” e “bispo dos últimos” pelo empenho junto aos pobres e injustiçados, para confiar à Maria Santíssima, “que está ao pé da cruz do Filho e chora também aos pés dos crucificados de hoje”, o seguinte clamor:
“Santa Maria, mulher do terceiro dia, dá-nos a certeza de que, apesar de tudo, a morte já não terá mais poder sobre nós. Que os dias das injustiças dos povos estão contados. Que os clarões das guerras se estão a reduzir a luzes crepusculares. Que os sofrimentos dos pobres chegaram aos seus últimos suspiros. […] E que, finalmente, as lágrimas de todas as vítimas da violência e da dor em breve secarão, como a geada ao sol da primavera.”
Fotos: Vatican Media
