Fibromialgia: nem toda dor é visível, mas toda dor merece respeito

Bernadete Alves
Fibromialgia: uma dor que não de vê, mas sentida profundamente

O 12 de maio é o Dia Mundial de Conscientização sobre a Fibromialgia, uma síndrome que se caracteriza por dores musculares generalizadas e crônicas. A fibromialgia vai muito além de uma dor crônica que não passa: ela pode envolver fadiga, alterações no sono, dificuldades cognitivas e impactos emocionais que atravessam a rotina de quem convive com a condição.

A data instituída pela Lei Federal 14.233/2021 representa um importante avanço no reconhecimento da fibromialgia e na valorização das pessoas que convivem diariamente com a condição. Mais do que uma data no calendário, o dia simboliza a necessidade de ampliar o diálogo, promover informação de qualidade e incentivar políticas de conscientização e inclusão.

A existência de uma lei federal voltada para a conscientização da fibromialgia reforça a importância de combater a desinformação e estimular o respeito às pessoas que convivem com dor crônica. Muitas vezes, por não apresentar sinais visíveis, a fibromialgia é mal interpretada pela sociedade, fazendo com que pacientes sejam desacreditados ou incompreendidos. Por isso, falar sobre fibromialgia é também falar sobre empatia, dignidade e reconhecimento.

Neste 12 de maio, reforçamos a importância da informação, da empatia e do cuidado humanizado para pessoas com fibromialgia. Nem toda dor é visível, mas toda dor merece respeito. Conscientizar é combater o preconceito. Ninguém deveria precisar provar a própria dor para ser respeitado.

A conscientização da fibromialgia é um movimento mundial que busca dar voz a milhões de pessoas que convivem diariamente com dor crônica, fadiga, distúrbios do sono, alterações cognitivas e diversos sintomas invisíveis. Em muitos casos, quem vive com fibromialgia enfrenta não apenas os desafios da própria condição, mas também a falta de compreensão, o preconceito e a desinformação. Por isso, campanhas de conscientização ao redor do mundo têm um papel fundamental na construção de uma sociedade mais humana, empática e preparada para compreender que a dor invisível também é real.

O laço roxo se tornou um símbolo internacional dessa luta, representando apoio, respeito e conscientização e reforça que ouvir, acolher e respeitar as limitações do próximo também é uma forma de cuidado.

A fibromialgia é uma condição real, dolorosa e incapacitante, mas muitas vezes invisível para quem enxerga apenas a aparência de quem sofre com ela.

Quem convive com a fibromialgia enfrenta dores constantes, fadiga extrema, crises intensas, sensibilidade espalhada pelo corpo, noites mal dormidas e um desgaste físico e emocional difícil de explicar. É uma luta silenciosa, vivida diariamente por milhões de pessoas que seguem tentando manter a rotina mesmo sentindo o corpo e a mente exaustos.

Se a fibromialgia deixasse marcas visíveis na pele, talvez o mundo entendesse melhor o peso escondido por trás de frases como “estou cansado”, “estou com dor” ou “hoje não consigo”. Talvez existissem menos julgamentos, menos críticas e mais empatia.

Bernadete Alves
Fibromialgia: nem toda dor é visível, mas toda dor merece respeito

A fibromialgia é uma síndrome que se caracteriza por dores musculares generalizadas e crônicas, que podem durar mais de três meses, sem apresentar, no entanto, evidências de inflamação nos locais doloridos.

A doença é relativamente comum e, segundo a Sociedade Brasileira de Reumatologia, afeta cerca de 2,5% da população mundial, com uma maior incidência em mulheres do que em homens, sobretudo entre 30 a 50 anos de idade.

Os sintomas são vários, sendo a dor difusa em músculos e articulações os mais evidentes, geralmente associados a outros, como fadiga, distúrbios do humor, dificuldades de concentração, depressão, ansiedade e alterações do sono. A fibromialgia também pode aparecer em pacientes que apresentam outras doenças reumáticas, como artrite reumatoide e lúpus eritematoso sistêmico, o que, muitas vezes, dificulta uma completa melhora dos pacientes.

O diagnóstico de fibromialgia não pode ser feito por exames laboratoriais ou de imagem e é eminentemente clínico, com o médico analisando criteriosamente o histórico do paciente, exames físicos e outros que auxiliam a afastar condições que podem causar sintomas semelhantes.

A doença ainda não tem cura e suas causas não são totalmente esclarecidas. A hipótese mais provável, apoiada por estudos em que visualizam o cérebro dos pacientes em funcionamento, é que devido ao histórico de traumas e estresse emocional os pacientes passem a apresentar algum tipo de alteração neurológica que aumenta a percepção e sensação de dor pelo corpo.

O objetivo do tratamento é aliviar os sintomas proporcionando ao paciente melhora na qualidade de vida. As medicações, embora tenham papel importante no alívio das dores e de sintomas diversos, devem ser apoiadas por cuidados do paciente consigo mesmo, principalmente atividades físicas.

De acordo com o Ministério da Saúde (MS), a fibromialgia é uma síndrome que engloba uma série de manifestações clínicas como dor, fadiga, indisposição e distúrbios do sono. Trata-se de uma forma de reumatismo associado à sensibilidade do indivíduo frente a um estímulo doloroso.

Fotos: Reprodução