
O dia 4 de março é dedicado a abordar a epidemia global de obesidade e tem como meta incentivar soluções práticas para ajudar as pessoas a alcançar e manter um peso saudável.
A data chama a atenção para um problema que afeta o mundo inteiro: a obesidade e as doenças associadas. Até 2019, O Dia Mundial da Obesidade era celebrado em outubro. Com a mudança, a Federação Mundial da Obesidade quis sincronizar a data com outras atividades ao redor do mundo, como a Semana de Cuidados com a Obesidade, que ocorre entre 1º e 7 de março.
A Campanha de 2021 é um trabalho em conjunto da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), ABESO e World Obesity Foundation e tem como tema “Cuidar de Todas as Formas”. A proposta é focar em uma vida mais feliz, saudável e longa para todos.
A Organização Mundial da Saúde conceitua a obesidade como o excesso de gordura corporal, em quantidade que determine prejuízos à saúde. A enfermidade é um dos principais fatores de risco para várias doenças não transmissíveis (DCNTs), como diabetes tipo 2, doenças cardiovasculares, hipertensão, acidente vascular cerebral e várias formas de câncer. A rede pública de saúde do Distrito Federal oferece tratamento na Atenção Primária, secundária e hospitalar.
O Centro Especializado Diabetes, Obesidade e Hipertensão (Cedoh), que funciona na 208/408 Norte, atende pessoas com Índice de Massa Corporal (IMC) maior ou igual a 35 e com comorbidades.“Os pacientes são acolhidos e, após aceitarem receber o tratamento, iniciam as atividades como palestras e oficinas com especialistas das áreas de endocrinologia, nutrição, fisioterapia e psicologia. Primeiramente, há encontros em grupo e, depois, começam as consultas individuais”, explica a gerente do Cedoh, Alexandra Rubim.
Endocrinologistas alertam para questões que podem agravar a situação de pessoas obesas, como isolamento social, ansiedade e falta de atividade física. A pandemia de Covid-19, que completa um ano do primeiro caso registrado no País este mês, aflige a todos, mas a obesidade, considerada uma comorbidade, é motivo de preocupação extra.
Uma pesquisa realizada pelo Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde da Universidade de São Paulo (Nupens), divulgada pelo portal Uol, mostra que as pessoas aumentaram o peso durante a pandemia. A pesquisa comparou o peso corporal de 14.259 pessoas com mais de 18 anos antes do início da pandemia, entre 26 de janeiro e 18 de março, e cerca de seis meses depois, entre 14 de setembro e 19 de outubro. O resultado foi que 19,7% teve aumento de peso, ante 15,2% que perderam peso.
Encontrar alternativas para driblar a vontade de comer a qualquer hora é a saída apontada pelos nutricionistas. Psicólogos dizem que distrair a mente com um bom livro, assistir um filme, ouvir música, e caminhar dentro de casa, ajudam a relaxar e perder a vontade de comer guloseimas.
Fazer refeições baseadas em carnes brancas como frango e peixes, verduras, grãos, legumes, frutas e oleaginosas, que são ricas em fibras e vitaminas, é a saída para se alimentar sem agredir a balança.
Além das fibras que proporcionam saciedade e melhoram o trato intestinal, é preciso tomar bastante água. Hidratados comemos menos.
Doenças associadas à obesidade
O perfil genético, o ambiente socioeconómico e cultural, a educação, a família e as características individuais e psicológicas contribuem em grande escala para o desenvolvimento da obesidade. As mudanças sócio-económicas das últimas décadas, a diminuição da atividade física e o consumo exagerado de alimentos e bebidas contribuíram para o aumento de obesidade. A obesidade está associada ao desenvolvimento de outras doenças como:
- Doenças cardiovasculares (hipertensão arterial, arteriosclerose, insuficiência cardíaca congestiva, angina de peito)
- Diabetes tipo II
- Dislipidémias
- Complicações no sistema respiratório (dispneia, síndrome de insuficiência respiratória do obeso, apneia de sono)
- Doenças osteo-articulares
- Infertilidade
- Incontinência urinária
- Cancro da próstata
Fotos: Geovana Albuquerque/Agência Saúde-DF
