Cássia Eller, uma das maiores representantes do rock brasileiro da década de 1990, é homenageada no dia de seu nascimento

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Cássia Eller, uma das maiores representantes do rock brasileiro da década de 1990

Cássia Rejane Eller, uma das mais importantes cantoras de sua geração, é a homenageada deste domingo, 10 de dezembro, dia em que a cantora faria 61 anos, pelo Google. O Doodle é uma alteração especial e temporária do logotipo nas páginas iniciais do Google para comemorar feriados, eventos, conquistas e figuras históricas notáveis.

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A arte que aparece no Google Doodle, é de autoria da ilustradora e designer capixaba Amanda Lobos. Segundo publicação da designer em suas redes sociais o título da ilustração é “O segundo sol”, nome da sua música favorita de Cássia Eller.

Cássia era uma das intérpretes mais populares da música contemporânea que faleceu quando vivia o auge de sua carreira deixando um grande vazio no coração de seus fãs.  

A dona de um timbre contralto sem igual e cheia de personalidade foi uma das maiores representantes do rock brasileiro da década de 1990 e eleita a 18.ª maior voz e a 40.º maior artista da música brasileira pela revista Rolling Stone Brasil.

Eu só peço a Deus
Um pouco de malandragem
Pois sou criança
E não conheço a verdade
Eu sou poeta e não aprendi a amar
Eu sou poeta e não aprendi a amar

Quem sabe eu ainda sou uma garotinha….

Morte prematura

Cássia Eller, que nasceu no Rio de Janeiro em 1962, passou por diferentes cidades – como Belo Horizonte, em Minas Gerais, e Santarém, no Pará – antes de mudar-se para Brasília ao assumir a maioridade e começar a trabalhar com música.

Cássia começou a tocar violão aos 14 anos. Ela se destacou inicialmente por cantar covers de artista como Cazuza, Renato Russo e Janis Joplin. Cantou em corais, participou de duas óperas, foi vocalista de um grupo de forró, tocou surdo em um grupo de samba, liderou o primeiro trio elétrico da capital, o Massa Real, e começou a cantar profissionalmente com Oswaldo Montenegro.

O primeiro álbum, autointitulado, veio em 1990 e decolou a carreira da artista ao misturar uma canção dos Beatles com outra do Legião Urbana. Assim, os anos 1990 a consolidaram como uma das intérpretes mais populares da música contemporânea brasileira.

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Cássia Eller, uma das intérpretes mais populares da música contemporânea, é homenageada no dia de seu nascimento

Após o lançamento do Acústico, a carreira disparou. É seu disco mais bem sucedido até hoje e vendeu mais de um milhão de cópias, além de garantir o prêmio Grammy Latino de Melhor Álbum de Rock Brasileiro daquele ano. A escalada de shows se intensificou e entre maio e dezembro daquele ano ela fez 95 shows.

Com uma vasta discografia, Cássia foi classificada pela Rolling Stone como a melhor voz e melhor artista da história da música brasileira. A artista estava no ápice da carreira e fez uma apresentação memorável no Rock in Rio de 2001, com mais de 190 mil pessoas no público.

A intensidade do trabalho certamente acabou por cobrar seu preço quando ela sofreu três paradas cardíacas, no final de 2001, aos 39 anos, no final de seu melhor ano de carreira. Inicialmente, foi levantada a hipótese de overdose. O laudo apontou, no entanto, que o infarto foi causado por uma má formação no coração da artista. Os exames apontaram que ela já sofria com problemas cardíacos e que a cantora não havia bebido e nem ingerido drogas.

Conhecida pela versatilidade e ousadia, Cássia se declarava bissexual e é reconhecida até hoje como um ícone para a comunidade LGBTQIA+.

Cássia deixou a esposa, Maria Eugênia e um único filho, Francisco Ribeiro Eller, conhecido como Chico, que seguiu os passos da cantora. Ele é fruto de um relacionamento casual de Cássia com um amigo. 

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Cássia Eller com Maria Eugênia e o filho delas, Francisco (Chicão)

Após a morte, recebeu diversas homenagens e teve a história contada em duas biografias, um musical e um documentário. 

Durante sua carreira, Cássia Eller lançou seis álbuns, conhecidos até os dias atuais. Aliás, o último foi publicado postumamente, em 2002.

Em dezembro de 2022, quando ela completaria 60 anos, foi lançado do álbum póstumo ‘Cássia Eller & Victor Biglione in blues’, gravado entre o final de 1991 e o início de 1992.

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Francisco Eller, o Chico, com Maria Eugênia, atualmente e com a mãe Cássia Eller em 2001

Para sempre Cássia Eller. Sua importância permanece viva pela cantora excepcional, autêntica, personalidade única, forte e muito característica sem ninguém parecido.

Fotos: Reprodução e Arquivo Globo