Brasília é palco do Festival ‘Brasil É Terra Indígena’, uma luta por reconhecimento e visibilidade

O Museu Nacional da República é palco da cultura dos povos originários nos dias 13 e 14 de dezembro, a partir das 9 horas com a primeira edição do Festival Brasil É Terra Indígena. A celebração tem entrada gratuita e conta com shows, exposições de arte e debates sobre riqueza cultural e bioeconomia.
No palco, destaques da música indígena com Djuena Tikuna e Leila Borari, duas representantes da música dos povos originários. Segundo elas, “a música indígena é uma arte de resistência”. Para elas a música é uma ferramenta de luta.
Djuena Tikuna é uma das poucas cantoras indígenas que têm discos lançados. São 17 anos de carreira, três álbuns e um livro musical. Ela também entende a arte indígena como resistência de uma cultura e de uma forma de ver o mundo.

“Por muito tempo fomos invisibilizados e nos fizeram acreditar que não podíamos ser do tamanho dos nossos sonhos. Mas nossa música resiste como o nosso povo. Hoje meu canto atravessa oceanos e desertos, dá volta no mundo levando a mensagem de que cantamos a resistência”, diz Djuena Tikuna.
“Os rituais do meu povo e a sua cosmovisão são a influencia das minhas cantorias. Canto as histórias da criação do mundo, o que ouvimos com os nossos pais, nossas avós, e estes com os nossos antepassados. São histórias e canções que nos guiam para chegarmos cada vez mais longe”, conta a cantora.
Djuena se apresentou na Conferência do Clima da ONU (COP-28) em Dubai. Segundo a cantora a luta dos povos indígenas é a inspiração para o seu trabalho.

Leila Borari é do povo Borari de Alter do Chão, no Pará, e é co-fundadora da Associação de Mulheres Indígenas Suraras do Tapajós, do qual o grupo musical faz parte. Leila toca maraca, é backing vocal, compositora e também faz uma intervenção cênica durante o show.
Nas letras, o grupo fala da luta da mulher indígena, do movimento indígena, da resistência e do cotidiano. Mas também há lugar para expressar a espiritualidade indígena e, naturalmente, para o protagonismo feminino e a conservação da floresta.
A inspiração das Suraras do Tapajós é a própria luta das mulheres indígenas. “Essa força que as mulheres indígenas têm. Nossa inspiração vem também da Amazônia, de toda a nossa conexão dos povos indígenas com a floresta, com o rio, com toda a sua fauna, com todo o seu encanto”.

Também participam do line-up do festival: Kaê Guajajara, Siba Puri, DJ Rapha Anacé,Tainara Takua, Gean Pankararu, Heloisa Araújo Tukue, Brisa Flow, DJ Eric Terena, MC Anarandá, Katú Mirim, Edvan Fulni-ô, Suraras do Tapajós, LaManxi,, Brô MC’s, e Grandão Vaqueiro.
Além dos artistas indígenas, atrações nacionais também estão na programação do evento: Lenine, Gaby Amarantos, Mariene de Castro, Xamã e Felipe Cordeiro.
Fotos: Divulgação













