Mulheres inspiradoras e influentes que se destacaram em 2023

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Rebeca Andrade: bicampeã mundial do salto

O ano foi marcado por diversos destaques femininos por suas lideranças, trabalho e muita luta e resiliência. Diversas personalidades lutaram por respeito, direitos e igualdade e mostraram que as mulheres podem e merecem estar em evidência em todos os lugares.

Dentre tantas valorosas mulheres destacamos a ministra do STF Rosa Weber, a escritora Conceição Evaristo, a atleta Rebeca Andrade, a apresentadora de TV Ana Hickmann, a jornalista e cineasta Eliza Capai, a cantora Preta Gil, a cantora e atriz Liniker, a estilista Patricia Bonaldi, a  líder indígena e ativista brasileira Txai Suruí e a atriz e diretora Alice Carvalho. Mulheres que representam dignamente as mulheres brasileiras nas suas mais diversas atribuições.

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Ministra Rosa Weber é uma mulher inspiradora e influente que se destacou em 2023

Ministra Rosa Weber, gaúcha de Porto Alegre, se aposentou em setembro deste ano, após quase 12 anos de Supremo Tribunal Federal, prestes a completar 75 anos, idade limite da Corte. A magistrada era presidente do STF desde setembro de 2022 e, neste ano, foi essencial na reação aos ataques de 8 de janeiro em Brasília, incluindo a condenação de envolvidos.

Rosa Weber também colocou em pauta o marco temporal para a demarcação de terras indígenas, proposta ruralista que acabou vetada —uma vitória para os povos originários. A ministra organizou ainda o adiantamento de seus votos em temas sensíveis. Assim, Flávio Dino, que assumirá a sua cadeira em fevereiro de 2024, não poderá alterar as decisões. É o caso, por exemplo, das descriminalizações do porte de maconha para uso pessoal e do aborto até o terceiro mês de gestação, da qual fez defesa enfática.

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Ministra Rosa Weber, uma mulher inspiradora e influente que se destacou em 2023

“Fomos silenciadas. Não tivemos como participar ativamente da deliberação sobre questão que nos é particular, que diz respeito ao fato comum da vida reprodutiva da mulher”, declarou em voto favorável à descriminalização do aborto.

O ano foi de conquistas e destaque para a ginasta Rebeca Andrade, o que a torna uma promessa para os Jogos Olímpicos de 2024. Ela saiu de seu primeiro Pan, em Santiago, com quatro medalhas: duas de ouro e duas de prata.

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Rebeca Andrade: ginasta que foi eleita atleta do ano três vezes consecutivas

Já no Campeonato Mundial de Ginástica Artística, na Bélgica, subiu ao pódio cinco vezes: um ouro, três pratas e um bronze. Aos 24 anos, realizou um feito inédito: ser eleita atleta do ano três vezes consecutivas.

O recorde foi no último dia 15, quando recebeu o Troféu Rei Pelé no Prêmio Brasil Olímpico. Na ocasião, também foi premiada como melhor atleta de ginástica artística, e a primeira atleta a levantar o Troféu Pelé. Rebeca vence pela terceira vez consecutiva na categoria de melhor atleta, repetindo o que aconteceu em 2021 e 2022.

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Rebeca Andrade é a primeira atleta a levantar o Troféu Rei Pelé

A escritora Conceição Evaristo, criadora do conceito de “escrevivência”, um modelo de escrita inspirado na realidade das pessoas, consolidou-se como uma das principais figuras da literatura em 2023.

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Escritora Conceição Evaristo, primeira mulher negra a receber o Prêmio Juca Pato e imortal da Academia Brasileira de Cultura

Neste ano, ela alcançou um feito notável ao se tornar a primeira mulher negra a receber o Prêmio Juca Pato. Este prêmio, estabelecido pela União Brasileira de Escritores em 1962 e que já homenageou Carlos Drummond de Andrade e Lygia Fagundes Telles, reconheceu a contribuição de Evaristo para a literatura contemporânea.

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Conceição Evaristo e Luana Xavier na posse da Academia Brasileira de Cultura

Sua presença marcante na Flip não se limitou à conquista do prêmio; Evaristo também anunciou o aguardado lançamento de seu mais recente livro, intitulado “Macabéa, Flor de Mulungu”. Ela é também imortal da Academia Brasileira de Cultura.

O ano de Alice Carvalho, atriz multifacetada, foi marcado por sua personagem Dinorah, na série “Cangaço Novo”, do Prime Vídeo. “Só acreditei que fiz um bom trabalho depois que a série foi lançada. Sempre que enfrentava dificuldades ou me questionava sobre a minha capacidade enquanto atriz, tentava não me esquecer de quem sou”.

Alice diz que o sucesso da série se deve à maneira como ela retrata o regionalismo nordestino. “É uma história sobre reconexão com as raízes e com a ancestralidade. Também é uma história de luta social e por terra. E isso se observa em várias sociedades. No Brasil, isso ficou muito mais latente, porque existe um sentimento de retomada, que precisamos retomar o nosso lugar no mundo e não arredar dos nossos direitos”.

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Alice Carvalho: artista versátil que atua como atriz, roteirista, diretora e artista visual.

A atriz revelou que ser sobrevivente de um abuso na infância é parte de sua atuação na tela. “É um processo de cura constante. Dinorah me trouxe uma outra forma de olhar para isso e me permitir sentir raiva, me permitir colocar a raiva para fora, para além da tristeza e do silêncio, que acho que foi um caminho para onde fui quando mais nova”.

Alice Carvalho é uma artista versátil que atua como atriz, roteirista, diretora e artista visual. Se destacou em peças de teatro, na criação de webséries e já fez parte do elenco de produções como “Segunda Chamada” e “Manu”, disponíveis no GloboPlay“Antes de qualquer desejo consciente, me apaixonei pelo ofício da atuação, e a partir desse amor, veio todo o resto”, cuja jornada começou com o teatro quando era criança no Rio Grande do Norte.

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Ana Hickmann: apresentadora de TV, empresária e modelo

A denúncia de Ana Hickmann contra o marido Alexandre Correa evidenciou, mais uma vez, que os crimes de violência doméstica desconhecem barreiras de classe social, raça ou grau de escolaridade

Ocorrido em novembro, o caso mostrou a importância de recorrer à Lei Maria da Penha nessas situações. A legislação dispõe de medidas protetivas para quem denuncia, e pedidos de divórcio baseados nela têm prioridade no Judiciário.

No caso dela, porém, o trâmite da separação vai ocorrer na Vara da Família, após a Justiça negar o pedido com base na lei contra violência doméstica. Segundo advogadas, ela pode reverter a situação.

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Cineasta e jornalista Eliza Capai

A cineasta Eliza Capai lançou em 2023 o curta-metragem “Incompatível com a Vida”, produzido por ela. Em 11 minutos, ela retrata sua própria experiência: a necessidade de fazer um aborto ao saber que seu filho não sobreviveria fora do útero. Mas como no Brasil o procedimento é proibido, teve de viajar a Portugal, onde o aborto não é crime, para fazê-lo.

Não à toa, ela defende a descriminalização do aborto. Ela acredita que o crime não diminui a quantidade de procedimentos que as mulheres passam no país. “Queremos viver em um país cujas leis torturam suas cidadãs? Ou queremos nos juntar aos nossos vizinhos, como México, Colômbia e Argentina, que enfrentaram a realidade ao descriminalizar o aborto?”, questionou ela, um artigo de opinião no jornal The New York Times

Seu documentário se tornou assunto internacional e a produção foi indicada ao Prêmio Platino de Cinema Ibero-Americano 2024, nas categorias “Melhor Documentário” e “Melhor Direção”.

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Cantora e compositora Liniker: primeira imortal travesti da Academia Brasileira de Cultura

Liniker se tornou a primeira imortal travesti da Academia Brasileira de Cultura. A cantora e compositora, que também é atriz e artista visual, ocupa a cadeira 51, vaga desde a morte de Elza Soares [1930-2022].

“Estar em pé no Brasil, sendo uma travesti preta, é muito difícil”, disse no seu discurso de posse. “Ser a primeira vez que uma travesti é empossada na Academia Brasileira de Cultura é muito importante e é fundamental para a cultura do nosso país”, completou a artista.

Em agosto, “Manhãs de Setembro”, série protagonizada por Liniker, venceu a categoria ficção no Grande Prêmio de Cinema Brasileiro, a mais importante premiação do audiovisual no país. O papel também lhe rendeu indicação de melhor atriz no Prêmio Platino de Cinema Ibero-Americano.

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Estilista Patrícia Bonaldi: única marca brasileira no calendário oficial da semana de moda de Nova York

A estilista Patricia Bonaldi assinou um dos looks que Beyoncé usou na turnê Renaissance: o body prateado de franjas que a cantora veste quando canta “Crazy in Love”.

“Meu coração parou. Hoje me faltam palavras para descrever a emoção e alegria por ter Beyoncé de PatBO! Uma peça feita sob medida e exclusiva para a turnê Renaissance”, escreveu Patricia em uma publicação no Instagram.

O ano de 2023 foi marcado por outras conquistas da estilista. Ela foi a única marca brasileira no calendário oficial da semana de moda de Nova York. A coleção chamada “Tropicália” teve inspiração na década de 1970. Esse foi o sexto desfile internacional da marca.

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Cantora Preta Gil, exemplo de força e resiliência, durante apresentação junto com seu pai Gilberto Gil

A cantora Preta Gil teve um ano sofrido, nas palavras dela, mas de muitas vitórias. Diagnosticada com câncer colorretal nos primeiros dias de janeiro, foi submetida a cirurgia, quimioterapia, radioterapia e precisou usar bolsa de ileostomia.

Durante o tratamento, descobriu uma traição do agora ex-marido e decidiu pelo divórcio quando estava internada na UTI. Decidida a aproveitar a vida, se reergueu. A cantora foi aplaudida de pé no último dia 14, ao apresentar o WME Awards, onde recebeu homenagem de Daniela Mercury.

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Txai Suruí: líder em ascensão em 2023

Txai Suruí vem se destacando há algum tempo. Em 2021, durante a COP 26, ela alcançou um marco ao se tornar a primeira indígena a discursar na abertura de uma conferência sobre o clima. Em 2023, sua luta pelo reconhecimento das populações indígenas e em prol do meio ambiente persistiu. Sua atuação destacou-se, principalmente, no combate ao projeto do Marco Temporal

Ao lado da ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, Txai venceu a segunda edição do Prêmio Megafone, uma honraria que reconhece o trabalho incansável de ativistas climáticos. Além disso, ela figurou como destaque na revista americana Time, que a incluiu em uma lista mencionando líderes em ascensão.

Esses reconhecimentos demonstram não apenas sua influência no cenário ambiental, mas também sua importância como voz fundamental na luta por questões cruciais que afetam as comunidades indígenas.

Fotos: Reprodução Instagram, Jorge Bispo, Vinicius Marques/Divulgação