Pentecostes: é o Espírito Santo iluminando nossa vida e fixando nela a sua morada

Neste dia especial de Pentecostes, o Papa Francisco convida os fiéis a terem coragem e afirma que “o Espírito Santo é o protagonista de nossa vida”, afirmou para mais de 30 mil fiéis, durante a celebração da Missa da Vigília de Pentecostes na cidade de Verona, no Estádio Bentegodi, no norte da Itália, no sábado, 18 de maio.
Francisco lembrou que Pentecostes celebra a festa do dia em que o Espírito Santo veio. Os apóstolos estavam todos fechados no cenáculo, com medo! “O Espírito Santo veio, mudou seus corações, e eles saíram para pregar com coragem”.

Neste dia acontece o milagre divino de transformar pessoas covardes e medrosos em corajosas. É o Espírito Santo quem nos leva adiante e nos ajuda a seguir em frente. É ele quem nos dá a coragem para mudar e ter harmonia em nossa vida. O Espírito Santo é uma cascata de graças que regenera.
“Coragem: o Espírito Santo nos dá a coragem de viver a vida cristã. E com essa coragem, ele muda nossa vida.” Não importa a nossa idade, disse Francisco, e quantos anos de vida temos pela frente. “Em apenas um dia, o Espírito pode mudar sua vida. Ele pode mudar seu coração.”

“Irmãos e irmãs, o Espírito Santo é o protagonista de nossa vida! Ele é quem nos leva adiante, quem nos ajuda a seguir em frente, quem nos faz desenvolver a vida cristã. O Espírito Santo está dentro de nós. Tenham cuidado: todos nós recebemos, com o Batismo, o Espírito Santo e mais ainda com a Confirmação! Mas será que eu escuto o Espírito Santo que está dentro de mim?”, refletiu.

O Pontífice convidou os fiéis a pensarem na própria vida, na própria necessidade de viver em harmonia.
“Todos nós precisamos que o Espírito nos dê harmonia em nossa alma, em nossa família, na cidade, na sociedade, no local de trabalho. E com os apóstolos, no dia que o Espírito Santo chegou, estava Nossa Senhora, a Virgem Maria. Peçamos a Ela que nos dê a graça de receber o Espírito Santo; que ela, como mãe, nos ensine a receber o Espírito Santo.”

Pentecostes, como explicou o Papa Francisco, é a descida do Espírito Santo sobre os Apóstolos, isto é, sobre a Igreja. É o Espírito Santo iluminando a Igreja, nossa vida e fixando nela a sua morada. É o protagonista da nossa vida.
Antes de subir ao céu, Jesus Cristo havia recomendado aos seus Apóstolos que se recolhessem no cenáculo e esperassem aí a vinda do Espírito Santo. Obedecendo ao Mestre, os Apóstolos permaneceram em Jerusalém e puseram-se a rezar com Maria, Mãe de Jesus, com os discípulos e as santas mulheres, esperando o Espírito Santo, que desceu sobre todos, nove dias após a Ascensão.

Recolhidos no Cenáculo por ordem do Salvador, Pedro e seus companheiros meditavam as últimas palavras do Mestre. Eles, pobres iletrados, ignorantes, deveriam pregar o Evangelho? Eles, desprezados pelos judeus, deveriam apresentar à adoração do mundo, aquela Cruz, sobre a qual o seu Mestre acabava de expirar? Não era isso tentar o impossível?
“De repente, veio do céu um barulho como se fosse uma forte ventania, que encheu a casa onde eles se encontravam. Então apareceram línguas como de fogo que se repartiram e pousaram sobre cada um deles. Todos ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a falar em outras línguas, conforme o Espírito os inspirava.” (At 2,2-4)
A obra do Espírito Santo na alma dos Apóstolos foi de transformação que se operou no espírito, na vontade e no coração deles. O espírito precisa de verdade, a vontade precisa de coragem e o coração precisa de amor.
Ele os enche de verdade. Jesus lhes havia ensinado as verdades, que comportavam a sua disposição, a sua capacidade, as suas necessidades, mas reservou a coroação da sua obra para o Espírito Santo. Eis porque os Apóstolos, pela vinda do Espírito Santo, compreenderam melhor o que Jesus lhes ensinara, adquiriram as novas ciências, que exigiam a sua nova situação de Doutores e propagandistas da Igreja.
A segunda transformação foi a da sua vontade. Até aí esta vontade era lânguida, sem resistência, nem firmeza. São Pedro sabia dar o seu brado de energia, porém, na primeira ocasião do perigo, a sua vontade vacilava, e transformava-se numa fraqueza que ia até a covardia. Conhecemos por demais a fraqueza dos Apóstolos. Estavam repletos de boa vontade e de sinceridade, porém todos eram vacilantes, medrosos, sem energia.

Depois de Pentecostes nada mais deste medo existe. Pregam em toda parte, e aos chefes dos judeus, que pretendem amedrontá-los com ameaças e castigos, respondem sem hesitar: Não podemos calar-nos! E não se calam: falam diante dos príncipes, dos reis, governadores e diante do Sinédrio, com altivez inspirada e, alegram-se de poder sofrer em nome de Jesus.
A terceira transformação é a do amor. O Apóstolos amavam o divino Mestre, não havia dúvida, mas quanto egoísmo neste amor! Eis que o Espírito Santo, sob a forma de línguas de fogo, sopra sobre eles e seus corações ardem de amor e começam a pregar por toda parte. Este amor, depositado por Deus nos corações dos Apóstolos produz as chamas que abrasam os corações dos filhos da Igreja Católica até o fim dos tempos.
Oração ao Espírito Santo
Vinde Santo Espírito e do céu mandai luminoso raio.
Vinde pai dos pobres doador dos dons, luz dos corações.
Grande defensor em nós habitais e nos confortais.
Na fadiga sois pouso, no ardor sois brandura e na dor sois ternura.
Ó luz venturosa, que vossos clarões encham os corações.
Sem vosso poder em qualquer vivente nada há de inocente.
Lavai o impuro e regai o seco, curai o enfermo.
Dobrai a dureza, aquecei o frio, livrai do desvio.
Aos vossos fiéis que oram com vibrantes sons dai os sete dons.
Dai virtude e prêmio e no fim dos dias eterna alegria. Amém.
Oh ! Como precisamos da festa de Pentecostes, para que estas mesmas transformações se operem em nós. Somos tão vacilantes no espírito, como o somos na vontade e no amor. Precisamos de convicção religiosa, de luz para o espírito, para compreendermos melhor a grandeza, a beleza e a necessidade das verdades religiosas.
Precisamos de firmeza para a nossa vontade enfraquecida pelo ambiente mundano em que vivemos. Pobre vontade, joguete das ocasiões, dos perigos, das ideias de desânimo e tristeza; ela quer reagir e agir, mas sente-se paralisada pelo peso das tentações, do mundo, da carne e do demônio.
Precisamos de amor, deste amor nobre, puro, que não procura egoisticamente sua realização própria ou a satisfação de seus desejos, mas simplesmente procura agradar a quem ama.
Imploremos ao Espírito Santo, que desça sobre nós, como desceu sobre os Apóstolos e opere em nós as mesmas transformações.
Fotos: Vatican Media e Reprodução













