Sociedade Brasileira de Dermatologia alerta para os perigos da aplicação do PMMA em procedimentos estéticos

A Sociedade Brasileira de Dermatologia publicou uma nota alertando para os perigos da aplicação do PMMA, em procedimentos estéticos depois que uma jovem de 33 anos, morreu 10 dias depois de utilizar a substância para aumentar os glúteos.
A SBD ressaltar que o PMMA não é recomendado para fins estéticos generalizados. Segundo a entidade só médicos habilitados podem fazer a aplicação da substância e em procedimentos que não são para fins estéticos, “pois podem produzir resultados imprevisíveis e indesejáveis, incluindo reações incuráveis e persistentes”.
A Anvisa exige registro para uso do PMMA para preenchimento subcutâneo, pois é uma substância considerada de máximo risco. Com o registro, o PMMA só pode ser usado em duas situações:
Correção de lipodistrofia (alteração no organismo que leva à concentração de gordura em algumas partes do corpo) provocada pelo uso de antirretrovirais em pacientes com síndrome da imunodeficiência adquirida (AIDS).
Correção volumétrica facial e corporal, que é uma forma de tratar alterações, como irregularidades e depressões no corpo, fazendo o preenchimento em áreas afetadas por meio de bioplastia.

A Sociedade Brasileira de Dermatologia( SBD) alerta que antes de realizar qualquer procedimento estético invasivo, é preciso ver se o profissional escolhido é médico, habilitado, e com situação regular no Conselho Regional de Medicina (CRM), uma vez que medicina e biomedicina são profissões distintas.
Segundo o CRM, o artigo 17 da Lei 3268/1957 estabelece que os médicos só poderão exercer legalmente a medicina, em qualquer ramo ou especialidade, após o prévio registro de seus títulos, diplomas, certificados ou cartas, e de sua inscrição no CRM.
PMMA pode causar reações imediatas ou em curto prazo, como:
- Edemas locais;
- Processos inflamatórios;
- Reações alérgicas;
- Formação de granuloma;
- Reações tardias, com efeitos percebidos muitos anos após a realização da injeção.
Todos os produtos utilizados em procedimentos médicos e estéticos no Brasil devem ter registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Segundo a SBD, a aplicação do PMMA é restrita a profissionais médicos habilitados, seguindo rigorosas orientações de dosagem e técnicas de aplicação estabelecidas pela agência reguladora.
PMMA é a sigla para polimetilmetacrilato, uma substância de uso altamente específico e controlado – e não recomendado para tratamentos estéticos.
As recentes mortes de dois jovens submetidos a procedimentos estéticos mostram a existência de um mercado livre de qualquer fiscalização de autoridades sanitárias ou de entidades de classe ligadas à saúde. As redes sociais estão dominando o mercado das vaidades, com milhares de seguidores, com liberdade para mostrar que corpo esculpido e rosto em harmonia é sinal de fama e sucesso.
Infelizmente muitos estão mais preocupados em convencer seus seguidores de forma apelativa e ostentando beleza e poder, do que compartilhar um conteúdo de qualidade levando em conta a saúde e bem-estar do outro. E pior: abusam da boa fé de quem quer ficar mais bonita, viva e saudável.
O empresário Henrique Silva Chagas, de 27 anos, morreu em São Paulo após uma sessão de peeling de fenol no rosto. A influencer Aline Ferreira da Silva, de 33 anos, perdeu a vida após aplicação nos glúteos de polimetilmetacrilato.
Assim como existem normas muito claras para a divulgação de substâncias lícitas, é evidente que a popularização de procedimentos estéticos exige um enquadramento regulatório e maior fiscalização. Só assim os aproveitadores e desqualificados matem ou causem graves lesões em pacientes interessados em algum procedimento estético.

Segundo a polícia de Goiás a proprietária da clínica, onde a influenciadora Aline Maria Ferreira fez a aplicação de PMMA nos glúteos e morreu 10 dias após fazer o procedimento, se apresentava como biomédica. No entanto, a mulher nunca cursou Biomedicina e não apresentou nenhum diploma de curso superior.
Segundo a polícia, Grazielly informou ter feito cursos livres na área da estética e cursado três semestres de medicina no Paraguai. No entanto, nenhum certificado, diploma ou forma de comprovação foram apresentados.
Em relação à clínica, a Vigilância Sanitária identificou que o local não tinha alvará sanitário nem profissional com habilitação técnica responsável. Além disso, a delegada contou que não foram encontrados prontuários de pacientes atendidos pela clínica no local.

“Lá não tinha prontuário de paciente nenhum. A pessoa pagava, fazia o procedimento e ia embora. Não eram requisitados exames prévios e não tinha contrato de prestação de serviço formalizando a relação entre o prestador e o consumidor”, explicou a delegada Débora Melo.
A falsa biomédica que não tinha formação e atuava em clínica irregular, foi presa pela Polícia Civil do Estado de Goiás (PCGO) no dia 3 deste mês na própria clínica onde era proprietária. Ela está presa na Casa de Prisão Provisória (CPP) de Goiânia.

Grasielly da Silva Barbosa responde por três crimes: exercício ilegal da profissão, execução de serviço de alta periculosidade e indução do consumidor ao erro. Segundo a delegada Débora Melo, um novo inquérito será aberto para apurar o delito de lesão corporal seguida de morte. Nesta sexta-feira, ela teve a prisão flagrante convertida em preventiva pela Justiça durante audiência de custódia.
Fotos: Reprodução/Redes sociais e Divulgação/Polícia Civil













