Vladimir Carvalho: importante nome do cinema brasileiro e professor que denunciou injustiças, morre aos 89 anos

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Morre Vladimir Carvalho: guardião do cinema brasileiro aos 89 anos

O cinema brasileiro está de luto pelo falecimento do professor e cineasta Vladimir Carvalho, nesta quinta-feira 24 de outubro, em consequência de um infarto aos 89 anos. Vladimir estava internado com problemas renais.

Brasília perde um professor valoroso, cineasta brilhante, ser humano raro e guardião da memória do cinema brasileiro. Vladimir Carvalho foi responsável por uma vasta obra cinematográfica e pela formação de milhares de profissionais da área.

O governador Ibaneis Rocha lamentou a morte do artista paraibano radicado em Brasília e determinou luto oficial de três dias. “Referência do cinema brasileiro, o professor Vladimir Carvalho dedicou sua arte a denunciar injustiças e dar voz aos desassistidos numa época de censura e de perseguição política. Contribuiu para mudar a linguagem cinematográfica brasileira, formou uma geração de aguerridos cineastas, levou e enobreceu o nome de Brasília no cenário cultural internacional. Que Deus receba seu espírito e conforte os familiares e amigos”, declarou Ibaneis Rocha.

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Vladimir Carvalho: importante nome do cinema brasileiro e mestre das artes, morre aos 89 anos

O documentarista Vladimir Carvalho escolheu a capital da República para partilhar a sua arte e deixa um legado de filmes que retratam a história e a luta do povo brasileiro, como Romeiros da Guia (1962),  País de São SaruêBarra 68 (2000), que tematiza a invasão militar à UnB, e Rock Brasília – Era de Ouro (2011), uma extensa colaboração com a arte e cultura e um importante acervo para o país.

Vladimir Carvalho foi um dos fundadores do curso de cinema da Universidade de Brasília (UnB), instituição pela qual foi professor por mais de 20 anos e tornou-se professor emérito em 2012. Considerado um dos nomes mais importantes do cinema brasileiro, ele produziu mais de dez documentários sobre temas da política e da história nacional. 

Vladimir era irmão do também cineasta e fotógrafo Walter Carvalho, de 76 anos. Walter começou no cinema ajudando o irmão.

O mestre da sétima arte terá seu corpo velado no Cine Brasília, das 9h30 às 13h30, na sexta (25). O Cine Brasília fica na Entrequadra 106/107 da Asa Sul. O sepultamento será realizado às 14h30 no Jazigo dos Pioneiros, no cemitério Campo da Esperança. Será um momento de despedida, mas também de homenagem ao homem e artista que tanto contribuiu para o cinema e para a cultura brasileira.

Em nota, a direção do cinema mais tradicional da capital federal ressalta: “O Cine Brasília se orgulha de ter sido palco de diversas exibições e debates sobre sua obra, e lamenta profundamente essa perda. Seu talento, coragem e dedicação à arte seguirão inspirando cineastas, críticos e amantes do cinema por gerações. O cinema brasileiro está de luto, mas o legado de Vladimir permanecerá gravado em nossa história”.

Vida e Obra de Vladimir Carvalho

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Vladimir Carvalho: importante nome do cinema brasileiro e mestre de documentários

Wladimir nasceu em Itabaiana, na Paraíba, onde começou a cursar Filosofia na capital João Pessoa. Resolveu continuar o curso na Universidade Federal da Bahia (UFBA), em Salvador, onde terminou os estudos. Dentre seus colegas de curso Carlos Nelson Coutinho e Caetano Veloso. Participou do Centro Popular de Cultura, vinculado à União Nacional dos Estudantes (UNE), do qual foi militante. Na cidade, ele convivia com artistas e aspirantes a intelectuais.

Na Bahia conheceu o cineasta Glauber Rocha e ingressou no Cinema Novo, conhecido pela crítica à desigualdade social do Brasil dos anos 1960 e 1970. O curta-metragem Os Romeiros da Guia, de 1962, foi seu primeiro filme, feito com João Ramiro.

No final da década de 1970, mudou-se para Brasília para trabalhar em um projeto relacionado a documentários na UnB, que duraria dois meses. Acabou ficando, e tornou-se professor da universidade, dedicando ao ensino e pesquisa de cinema por 20 anos.

Em 1994, Vladimir fundou a Associação Brasileira de Documentaristas. Também criou a Fundação Cinememória, que abriga o seu acervo, além de peças doadas por outros cineastas e pesquisadores. No total, são 23 documentários, além de mais de 5 mil livros, cartazes de filmes, jornais, revistas, fotos, equipamentos como câmeras e máquinas, incluindo a moviola utilizada por Glauber Rocha para editar o filme Terra em Transe.

Nos últimos anos, o consagrado cineasta transformou sua casa em um museu. Ele parte deixando um rico e inigualável legado para o cinema. Uma perda irreparável. Vladimir inicia agora uma nova jornada: em paz e na Luz Divina. Depois de tanto nos encantar com sua belíssima obra, Vladimir se encantou hoje, mas seguirá eterno. Viva sua obra e sua existência.

Fotos: Roberto Fleury/Agencia UnB, Pablo Valadares e Tiago Queiroz/Estadão e Joel Rodrigues/Agência Brasília