Dengue: quanto tempo dura os sintomas e como tratar e se proteger do vírus

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Aedes aegypti: mosquito vetor do vírus da Dengue

Mosquitos, muriçocas, pernilongos, maruins, carapanãs, moscas. Os nomes podem variar de acordo com a região do Brasil, mas o incômodo que esses pequenos insetos provocam é uma unanimidade.

Não bastasse o zum zum zum, que não deixa ninguém dormir, ainda têm as picadas, que além de coçarem, podem transmitir diversas doenças, como dengue, zika e chikungunya.

A dengue é a arbovirose urbana mais prevalente nas Américas, principalmente no Brasil. É uma doença febril aguda, de etiologia viral e de evolução benigna na forma clássica, e grave quando se apresenta na forma hemorrádica. É hoje a mais importante arbovirose (doença transmitida por artrópodes) que afeta o homem e constitui-se em sério problema de saúde pública no mundo, especialmente nos países tropicais, onde as condições do meio ambiente favorecem o desenvolvimento e a proliferação do Aedes aegypti, principal mosquito vetor.

O vírus da doença é transmitido pela picada da fêmea do mosquito Aedes aegypti, provocando uma infecção febril aguda. O vírus se divide em quatro sorotipos: DENV-1, DENV-2, DENV-3 e DENV-4, que causam os mesmos sintomas e podem desencadear tanto a forma clássica (comum) quanto a mais grave da doença (dengue hemorrágica). Além disso, a infecção gera imunidade permanente para apenas um deles. Ou seja, é possível pegar dengue mais de uma vez.

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Sintomas de Dengue em crianças: quais são e como agir

O período do ano com maior transmissão da doença é entre os meses mais chuvosos, geralmente de novembro a maio. Isso porque o acúmulo de água parada favorece a proliferação do mosquito e, consequentemente, maior disseminação da dengue.

Todas as faixas etárias correm riscos iguais de ter a doença, porém as pessoas mais velhas e aquelas que possuem doenças crônicas, como diabetes e hipertensão arterial, têm mais chances de evoluir para casos graves e outras complicações que podem levar à morte.

Segundo o Ministério da Saúde, os sintomas aparecem de três a 15 dias após a picada do mosquito. Os mais comuns são febre alta, dores no corpo, principalmente nas articulações e na cabeça, indisposição, manchas vermelhas espalhadas pelo corpo e, em alguns casos, sangramentos.

  • Dores musculares e nas articulações
  • Febre alta e/ou persistente
  • Manchas vermelhas na pele (exantema)
  • Diarreia e/ou dor forte na barriga
  • Dor ao movimentar os olhos
  • Diminuição da urina
  • Náuseas e vômitos frequentes
  • Pressão baixa
  • Dor de cabeça ou atrás dos olhos
  • Agitação ou sonolência
  • Sangramento espontâneo
  • Extremidades frias

Os sintomas da dengue duram em média uma semana e a doença não é transmitida de pessoa para pessoa. A transmissão é pelo mosquito contaminado com o vírus. Assim que a pessoa começa a ter os sintomas da dengue, a orientação é para que procure o quanto antes um serviço de saúde, independentemente de ser público ou particular. Assim, na unidade de saúde, o paciente passa por uma triagem para que seja feita a notificação do caso suspeito de dengue.

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Segundo o Ministério da Saúde, os adultos podem apresentar pequenas manifestações hemorrágicas, como petéquias, epistaxe, gengivorragia, sangramento gastrointestinal, hematúria e metrorragia. A doença tem uma duração de 5 a 7 dias. Com o desaparecimento da febre, há regressão dos sinais e sintomas, podendo ainda persistir a fadiga.

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Exantema: um dos sintomas de dengue

Quando o corpo é infectado pelo vírus da dengue, o sistema imunológico reage de forma agressiva para combater a infecção. Esse processo envolve a liberação de diversas substâncias químicas e células do sistema imunológico que podem causar inflamação e dano aos tecidos, incluindo a pele

O vírus da dengue pode afetar a permeabilidade dos vasos sanguíneos, tornando-os mais frágeis e suscetíveis ao rompimento. Quando os pequenos vasos capilares se rompem, pequenas quantidades de sangue vazam para a pele, resultando em manchas avermelhadas conhecidas como exantema.

As manchas de dengue são tipicamente avermelhadas e podem variar de pequenos pontos (petéquias) a áreas maiores de coloração irregular. Elas podem parecer semelhantes a uma erupção cutânea ou a pequenas pintas vermelhas sob a pele. 

Elas costumam aparecer inicialmente no tronco e, posteriormente, podem se espalhar para os braços, pernas, rosto, palmas das mãos e solas dos pés. Em alguns casos, as manchas podem ser acompanhadas por prurido (coceira), embora a intensidade da coceira possa variar. 

Evite coçar pois pode agravar a irritação da pele e aumentar o risco de infecções secundárias. Mantenha as unhas curtas, isso reduz o risco de causar danos à pele ao coçar. As compressas frias podem reduzir a inflamação e a sensação de coceira. Aplique compressas frias ou geladas envolvendo um pano limpo em gelo aplicando sobre as áreas afetadas de 10 a 15 minutos. 

hidratação adequada é super importante para a recuperação do corpo e da pele. Beber água, sucos naturais e bebidas eletrolíticas ajuda a manter a pele hidratada e pode aliviar a coceira. 

O tratamento da Dengue consiste, principalmente, na reposição adequada de líquidos e repouso. Procure imediatamente o serviço de urgência em caso de hemorragias ou surgimento de pelo menos um sinal de alarme. Em casos graves, há hemorragia intensa e choque hemorrágico (quando uma pessoa perde mais de 20% do sangue ou fluido corporal), o que pode ser fatal.

Outra recomendação importante é evitar a automedicação. O uso de medicamentos compostos por ácido acetilsalicílico, como aspirina, Melhoral e AAS; ou de anti-inflamatórios como diclofenaco, nimesulida e ibuprofeno não são recomendados pois podem aumentar o risco de sangramentos. Procure um médico em caso de suspeita de dengue.

Vacinação já está disponível

O Brasil é o primeiro país do mundo a oferecer o imunizante no sistema público de saúde. A vacina contra dengue entrou no Calendário Nacional de Vacinação do Sistema Único de Saúde (SUS) em fevereiro de 2024. A Qdenga, como é chamada, conta com um esquema de duas doses, que devem ser tomadas em um intervalo de três meses. O imunizante pode ser aplicado em pessoas de 4 a 60 anos de idade, mas o planejamento inicial da campanha no SUS prioriza as crianças e adolescentes de 10 a 14 anos, 11 meses e 29 dias.

O combate aos criadouros do mosquito Aedes Aegypti segue como principal forma de prevenção desta e de outras doenças, como Zika e Chikungunya. O Ministério da Saúde monitora o cenário epidemiológico da dengue no Brasil. 

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Dicas para se proteger do Aedes aegypti

Fotos: Reprodução e GettyImages