Nana Caymmi: dona de uma das maiores vozes profundas e comoventes, morre aos 84 anos

O Brasil se despede de Nana Caymmi, dona de uma das maiores vozes profundas e comoventes da música brasileira. A artista estava internada na Casa de Saúde São José, no Rio de Janeiro, havia nove meses, após passar por um procedimento de cateterismo e implante de marcapasso, morreu na quinta-feira, 1º de maio, aos 84 anos.

Nana parte, mas sua voz, ao mesmo tempo potente e delicada, seguirá ecoando nas memórias e corações de todos que foram tocados por sua arte. Ela transformou sentimentos em canções, deixando um legado de interpretações que embalaram gerações.

Nossas orações e solidariedade as filhas Stella Teresa e Denise Maria, irmãos Dori e Danilo, a toda família Caymmi, amigos e fãs desta gigante da MPB.
Nana Caymmi está sendo velada nesta sexta-feira, 2 de maio, no Theatro Municipal do Rio de Janeiro. O sepultamento da artista será realizado às 14h, no Cemitério São João Batista, em Botafogo.

Gilberto Gil que viveu com a cantora Nana Caymmi, entre 1967e 1969, falou em vídeo que “Da saudade de sempre que ficará de Nana, com quem tive momentos muito felizes no período em que vivemos juntos”. “Sempre que nos víamos, nos visitávamos, tínhamos muito carinho, intensidade sempre muito forte“, descreveu Gil. “Ela sempre foi muito intensa. São lembranças que vão ficar comigo até os meus últimos dias também, já que os últimos dela já se foram.”
Nana foi a voz mais emblemática da MPB que desafiou o tempo. De posições firmes e declarações fortes, deixa uma obra de grande qualidade para os apreciadores da boa música.

Não se esqueça de mim – Nana Caymmi 1998, Álbum Resposta ao Tempo

Onde você estiver, não se esqueça de mim
Com quem você estiver, não se esqueça de mim
Eu quero apenas estar no seu pensamento
Por um momento pensar que você pensa em mim
Onde você estiver, não se esqueça de mim
Mesmo que exista outro amor que te faça feliz
Se resta em sua lembrança um pouco
Do muito que eu te quis
Onde você estiver, não se esqueça de mim
Eu quero apenas estar no seu pensamento
Por um momento pensar que você pensa em mim
Onde você estiver, não se esqueça de mim
Quando você se lembrar, não se esqueça que eu
Que eu não consigo apagar você da minha vida
Onde você estiver, não se esqueça de mim
Não se esqueça de mim, não se esqueça de mim
Não se esqueça de mim, não se esqueça
Não se esqueça de mim, não se esqueça de mim
Não se esqueça de mim, não se esqueça
Não se esqueça de mim, não se esqueça
Não se esqueça de mim…

“Acalanto”, estreia de Nana em disco, em 1960, em dueto com Dorival Caymmi. Era a canção de ninar que o pai fizera para ela, dos imortais versos “boi da cara preta / pega essa menina que tem medo de careta”.
“Saveiros”, música do irmão Dori Caymmi, letrada por Nelson Motta, com a qual os dois garotos e uma também jovem Nana Caymmi ganharam o primeiro Festival Internacional da Canção, no ano de 1966.
“Só louco”, um clássico dos shows da cantora gravado em 1975.
“Voz e suor”, do LP de 1983, Nana sagrou-se como grande intérprete da MPB, acompanhada ao piano de Cesar Camargo Mariano.
“Mudança dos ventos”, a canção de Ivan Lins e Vitor Martins ganhou sensualidade e beleza. E deu título a seu ousado LP de 1980, no qual ela ainda gravou Djavan (“Meu bem querer”) com o Boca Livre.
“Solamente uma vez”, Nana que era apaixonada por boleros, gravou discos dedicados ao gênero a partir dos anos 1990, e conseguiu extrair novidades até mesmo dessa muito reprisada composição do mexicano de Agustín Lara.
“Resposta ao tempo”, maior sucesso popular da carreira da artista e que fez parte da minissérie Hilda Furacão.
“Balanço Zona Sul”, do seu disco de 2019
“Cais”, um presente de Milton Nascimento especialmente para Nana que cantou com toda dramaticidade e virtuosismo exigidos na novela Sinal de Alerta
“A noite do meu bem”, o samba canção de Dolores Duran (1930-1959) lapidado em 1995 pela categoria de Nana
Trajetória de Nana Caymmi

Primogênita do violonista Dorival Caymmi e da cantora Stella Maris, Dinahir Tostes Caymmi, a Nana Caymmi, uma das vozes mais marcantes da música brasileira, nasceu em abril de 1941. Aos 19 anos, casou-se com o médico venezuelano Gilberto José Aponte Paoli, com quem teve duas filhas: Stella Teresa e Denise Maria.
Nana iniciou sua carreira em 1960, ao gravar Acalanto, canção composta por seu pai em sua homenagem. Ao longo de sua trajetória, destacou-se por interpretações sofisticadas e emotivas, consolidando-se como uma das grandes intérpretes da MPB.
Nos anos 1990, alcançou grande sucesso com álbuns como Bolero (1993) e Resposta ao Tempo (1998), este último lhe rendendo seu primeiro Disco de Ouro, pelas cem mil cópias vendidas.
Sua voz também esteve presente em trilhas sonoras de novelas e minisséries, como Hilda Furacão e Suave Veneno, ampliando ainda mais sua popularidade.

Ao longo de sua carreira, Nana lançou diversos álbuns, incluindo A Noite do Meu Bem (1994), dedicado às canções de Dolores Duran, e Caymmi (2013), em parceria com seus irmãos Dori e Danilo, homenageando o centenário de nascimento de seu pai.
Seus álbuns mais recentes incluem “Nana Caymmi Canta Tito Madi” (2019) e “Nana, Tom, Vinicius” (2020), homenageando grandes nomes da música brasileira.
Em 2024, participou da gravação da faixa “A Lua e Eu”, sucesso de Cassiano, ao lado do cantor Renato Brás.
A última apresentação ao vivo de Nana ocorreu em 2015, em São Paulo. Desde então, afastou-se dos palcos, mas continuou envolvida com a música, participando de gravações e projetos especiais.
Fotos: Gabriel de Paiva/Agência O Globo e Reprodução Redes Sociais













