Francisco Galeno: autor do mural da Igrejinha de Brasília, morre aos 68 anos

Bernadete Alves
Morre Francisco Galeno: o artista que pintava com alma festeira

É com pesar que registro o falecimento do artista plástico Francisco Galeno, aos 68 anos, ocorrido neste 2 de junho em Paraíba. Ele foi encontrado sem vida em seu atelier na Paraíba. A notícia foi dada pelo filho o arquiteto João Galeno e comoveu os amigos e admiradores do seu talento. Sua arte é uma festa popular que agrada os olhos e acalma a alma.

Bernadete Alves
Luto nas artes: morre Francisco Galeno o autor do mural da Igrejinha de Brasília

O artista mantinha um ateliê no Distrito Federal, em Brazlândia. De acordo com a família, Galeno estava com dengue, mas relutou em procurar assistência médica. Ainda não há informação sobre velório e sepultamento do artista. João afirmou que a vontade é que o corpo do pai seja transferido para Brasília.

Galeno parte precocemente, mas sua obra e trajetória deixam marcas profundas na cultura, na luta por um mundo mais humanizado e na memória de todos que tiveram o privilégio de conhecê-lo.

Nossas orações e solidariedade aos familiares, amigos e fãs do talentoso artista e ser humano generoso, por esta grande perda. Galeno parte, mas deixa uma grande marca. Que ele encontre Luz em sua nova jornada.

Bernadete Alves
Galeno: o artista que produzia em sintonia direta com a tradição da arte construtivista

Galeno produzia suas obras com a alegria das cores e formas. Usava o talento para dar vida as suas melhores lembranças de infância às margens do Rio Paraíba e das aventuras do seco cerrado do Planalto Central. Talento que estava no sangue pois nasceu em uma família de artesãos. Seu pai foi pescador e fabricava canoas, a mãe era costureira e rendeira e o avô, vaqueiro, preparava selas e arreios de couro.

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Morre o artista plástico Francisco Galeno aos 68 anos

Galeno produzia suas obras em sintonia direta com a tradição da arte construtivista brasileira de Alfredo Volpi e Rubem Valentim. Uma tradição que trabalha as formas geométricas, a síntese, a abstração, em detrimento das figuras.

O talento do paraibano radicado no Distrito Federal ia além da pintura. Galeno fazia esculturas, desenhos e confecções de roupas e até em instalações. Deixou sua marca no time de futebol de Brazlândia.

Bernadete Alves
Luto nas artes: morre Francisco Galeno aos 68 anos

Francisco Galeno chegou em Brasília em 1965 e se tornou um dos artistas mais representativos da capital do país. É o autor do painel da Igrejinha de Nossa Senhora de Fátima, na entrequadra 307/308 sul, templo religioso que foi construído em 1959, antes da inauguração de Brasília.

O projeto de Oscar Niemeyer possui fachada decorada com azulejos de Athos Bulcão e possuía em seu interior originalmente afrescos de Alfredo Volpi, com suas tradicionais bandeirolas. No entanto, uma reforma irresponsável, realizada na década de 60, cobriu as paredes com tinta e a obra de Volpi se perdeu definitivamente.

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Mural da Igrejinha Nossa Senhora de Fátima em Brasília é do artista Francisco Galeno

Durante a restauração, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico (Iphan) escolheu Francisco Galeno para fazer uma nova pintura no interior. Ele, claro, se inspirou no próprio Volpi, e fez um projeto bonito, singelo, quase infantil: a Nossa Senhora de Fátima, com o rosto não identificável, se apresenta entre pipas e bandeirinhas.

Galeno justificou o tom alegre dos desenhos uma vez que a Igrejinha é um dos símbolos da modernidade e do futurismo de Brasília.

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Francisco Galeno: o paraibano radicado em Brasília que pintava com a pureza de alma

Ao lembrar da sua chegada a capital da esperança quando desembarcou em Brasília, o artista lembrava quando foi morar no acampamento da Civilsan, firma em que seu pai trabalhava. Era uma invasão. Em 1969 um caminhão despejou a família de Galeno no meio do poeirão de uma rua de Brazlândia.

Apesar de ser um artista reconhecido nacionalmente e de mostrar sua arte em várias partes do mundo, Galeno faz questão de continuar morando em Brazlândia e de ser considerado um artista da cidade. “Não adianta morar em Brazlândia e falar sobre Paris. Eu cresci tomando banho de cachoeira, descobrindo lugares escondidos. Esse lado esquecido do Brasil é o que o país tem de melhor”, confidenciou em uma entrevista.

Bernadete Alves
Obra de Francisco Galeno: o paraibano radicado em Brasília

Fotos: Reprodução e Arquivo Pessoal