PGR, Senado e “pai” da Lei Magnitsky criticam sanção imposta por Estado estrangeiro contra ministro brasileiro

Bernadete Alves
PGR recebeu com ‘assombro’ a sanção imposta por Estado estrangeiro contra ministro brasileiro

A Procuradoria-Geral da República (PGR), em nota divulgada na noite de 30 de julho declarou que recebeu com “assombro” a aplicação de sanções ao ministro Alexandre de Moraes pelos Estados Unidos.

“A Procuradoria-Geral da República recebe com assombro a notícia da imposição por Estado estrangeiro de sanção ao eminente Ministro Alexandre de Moraes pelo desempenho de suas funções jurisdicionais”.

O órgão manifestou ainda a sua solidariedade ao ministro Alexandre de Moraes. “A PGR manifesta solidariedade ao ministro, ao Supremo Tribunal Federal e ao Judiciário brasileiro. Renova o reconhecimento da exatidão técnica das deliberações do Supremo Tribunal Federal e dos seus integrantes”.

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, divulgou uma nota à imprensa, na noite dessa quarta-feira, em reação às medidas adotadas pelo presidente dos EUA, Donald Trump, contra o Brasil. No texto, o senador afirma que o Parlamento brasileiro está “unido” e “vigilante” na defesa das instituições e soberania nacional.

Bernadete Alves
Alcolumbre: Congresso Nacional não admite interferências externas na atuação dos nossos Poderes

Em alusão às sanções sofridas pelo ministro do STF Alexandre de Moraes, Alcolumbre fala em “reforçar o diálogo”, mas lembrando que o Congresso Nacional “não admite interferências”: “Reafirmo a confiança no fortalecimento das nossas instituições, entre elas o Poder Judiciário”.

“O Parlamento brasileiro permanece atento e unido na defesa dos interesses nacionais, sempre vigilante na proteção das nossas instituições e da soberania do país.

Bernadete Alves
Senado critica sanção imposta por Estado estrangeiro contra ministro Alexandre de Moraes

Diante das recentes medidas tarifárias adotadas pelos Estados Unidos, o Senado Federal, por meio da Comissão Temporária Externa (CTEUA), tem atuado para reforçar o diálogo e buscar soluções equilibradas que preservem os interesses do Brasil. O caminho da cooperação internacional deve prevalecer, com o objetivo de restabelecer a confiança mútua e manter a histórica parceria entre as duas nações.

Reafirmo a confiança no fortalecimento das nossas instituições, entre elas o Poder Judiciário, elemento essencial para a preservação da soberania nacional, que é inegociável. O Congresso Nacional não admite interferências na atuação dos nossos Poderes.

O Parlamento acompanha de perto cada desdobramento dessa questão, em conjunto com o Executivo e o Judiciário, para assegurar a proteção da nossa economia e a defesa intransigente das instituições democráticas.”

“Pai” da Lei Magnitsky repudia uso político de Trump contra ministro do Brasil

Bernadete Alves
William Browder repudia uso político da Lei Magnitsky contra ministro do STF

O investidor britânico William Browder, líder da campanha global que deu origem à Lei Magnitsky nos Estados Unidos, criticou duramente a aplicação da norma pelo presidente norte-americano Donald Trump contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.

Para ele, o ataque ao ministro Alexandre de Moraes representa uma distorção perigosa e uma tentativa de transformar uma ferramenta de justiça internacional em arma política.

“Passei anos batalhando para que a Lei Magnitsky fosse um instrumento contra assassinos, torturadores e ladrões de alto escalão. Alexandre de Moraes não é nada disso”, declarou Browder em uma rede social, desmoralizando a narrativa da extrema-direita americana de que o ministro brasileiro mereceria sanções.

Até onde posso entender, o juiz brasileiro Moraes não se enquadra em nenhuma das categorias”, escreveu, em seu perfil, na rede social X.

Especialistas apontam que a ação de Trump é parte de uma escalada do discurso extremista da direita global, que vem tentando deslegitimar instituições democráticas e atacar magistrados que se colocam contra pautas autoritárias. 

A repercussão negativa internacional mostra que o extremismo da direita, capitaneado por Trump, não encontra respaldo quando confrontado com fatos concretos e princípios de justiça global. Ao tentar transformar uma legislação voltada à defesa dos direitos humanos em ferramenta de perseguição ideológica, expõe seu desprezo por valores democráticos e a fragilidade de seus argumentos contra o sistema judiciário brasileiro.

Fotos: Reprodução