“América Latina é a região mais letal para as mulheres”: afirma Lula na Cúpula do Mercosul

Bernadete Alves
Presidentes dos Estados Partes do MERCOSUL durante a 67ª Cúpula em Foz do Iguaçu, Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, durante discurso na Cúpula do Mercosul, no sábado 20 de dezembro, defendeu a soberania e a paz regional, expressou sua preocupação com a escalada militar dos Estados Unidos no Caribe, a grave situação da violência contra as mulheres na América Latina e afirmou que a liberdade é a primeira vítima de um mundo sem regras.

A Cúpula marca o encerramento da Presidência Pro Tempore Brasileira (PPTB) do MERCOSUL, exercida durante o segundo semestre de 2025, e dará início à Presidência Pro Tempore do Paraguai (PPTP).

O presidente do Brasil reafirmou seu compromisso com uma América do Sul próspera e pacífica, declarando que “essa é a única doutrina que nos convém”.

Lula destacou a grave situação da violência contra as mulheres na América Latina, região que ele descreveu como a mais letal do mundo para a população feminina. Lula afirmou que a “América Latina é a região mais letal para as mulheres”.

Bernadete Alves
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva na 67ª Cúpula de Chefes de Estado do Mercosul

“A América Latina também ostenta o triste recorde de ser região mais letal do mundo para as mulheres. Segundo a Cepal [Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe], 11 mulheres latino-americanas são assassinadas diariamente”, afirmou Lula durante sua fala no encontro regional.

Como parte do esforço para combater a violência contra as mulheres, Luiz Inácio informou que enviou para ratificação do Congresso Nacional um acordo que permitirá que mulheres beneficiadas por medidas protetivas em um país do bloco tenham a mesma proteção nos demais países do Mercosul.

Além disso, propôs ao Paraguai, país que assumiu a presidência temporária do bloco na ocasião, a criação de um pacto do Mercosul pelo fim do feminicídio e da violência contra as mulheres, demonstrando a urgência de ações coordenadas entre os países membros para enfrentar esse problema.

O discurso abordou diversos temas relacionados à segurança pública, incluindo o combate ao crime organizado transnacional. Lula mencionou que o Mercosul já demonstrou disposição para enfrentar as redes de criminosos de forma conjunta, citando a criação de instâncias especializadas em políticas contra as drogas há mais de uma década e a recente assinatura de um acordo contra o tráfico de pessoas.

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“América Latina é a região mais letal para as mulheres”: afirma Lula na Cúpula do Mercosul

Lula alertou que uma intervenção armada na Venezuela representaria uma “catástrofe humanitária para o hemisfério e um precedente perigoso para o mundo”. O presidente enfatizou que as ameaças à soberania regional vêm de “forças antidemocráticas e do crime organizado” e destacou que, mais de quatro décadas após a Guerra das Malvinas, “o continente sul-americano teme novamente a presença militar de uma potência extrarregional”.

O discurso também abordou questões relacionadas à democracia, mencionando os eventos de 8 de janeiro de 2023 no Brasil, quando ocorreu o que Lula chamou de “tentativa de golpe”. Segundo ele, os responsáveis foram investigados, julgados e condenados conforme o devido processo legal, afirmando que “pela primeira vez na sua história, o Brasil acertou as contas com o passado”.

Lula, anfitrião do encontro, propôs ainda a convocação de uma reunião de ministros da Justiça e de Segurança Pública do Consenso de Brasília para discutir como fortalecer a cooperação sul-americana no combate ao crime organizado, destacando que não existe atualmente uma instância de abrangência sul-americana dedicada especificamente a esse problema.

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Presidente Lula entre Javier Gerardo Milei, da Argentina e Santiago Peña, presidente do Paraguai

A abertura da 67ª Cúpula de Chefes de Estado do Mercosul, reuniu chefes de Estado do bloco tendo como cenário o mirante das Cataratas do Iguaçu, Brasil. Os Presidentes dos Estados Partes do MERCOSUL: Luiz Inácio Lula da Silva, pela República Federativa do Brasil; Javier Gerardo Milei, pela República Argentina; Santiago Peña Palacios, pela República do Paraguai; e Yamandú Orsi, pela República Oriental do Uruguai, e o Ministro de Relações Exteriores Fernando Hugo Aramayo Carrasco, pelo Estado Plurinacional da Bolívia.

Os Presidentes dos Estados Partes do MERCOSUL, Luiz Inácio Lula da Silva, pela República Federativa do Brasil; Javier Gerardo Milei, pela República Argentina; Santiago Peña Palacios, pela República do Paraguai; e Yamandú Orsi, pela República Oriental do Uruguai, e o Ministro de Relações Exteriores Fernando Hugo Aramayo Carrasco, pelo Estado Plurinacional da Bolívia participaram da LXVII Cúpula de Presidentes do MERCOSUL, realizada em 20 de dezembro de 2025, na cidade de Foz do Iguaçu, Brasil.

Atualmente, o Mercosul conta com sete Estados associados: Chile, Colômbia, Equador, Guiana, Peru, Suriname e Panamá, que formalizou sua adesão em 2024. O presidente do Panamá, José Raúl Mulino, participou da cúpula de 2025 em Foz do Iguaçu e teve também uma reunião bilateral com Lula.

A 67ª Cúpula de Chefes de Estado do Mercosul, aconteceu na cidade fronteiriça de Foz do Iguaçu, e encerrou a Presidência Pro Tempore Brasileira (PPTB) do MERCOSUL, exercida durante o segundo semestre de 2025, e dará início à Presidência Pro Tempore do Paraguai (PPTP).

MERCOSUL

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67ª Cúpula de Chefes de Estado do Mercosul, em Foz do Iguaçu – Brasil

Fundado em 1991, o Mercado Comum do Sul (MERCOSUL) é a mais abrangente iniciativa de integração regional da América Latina, surgida no contexto da redemocratização e reaproximação entre os países da região, no final da década de 1980. Os membros fundadores do MERCOSUL são Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, signatários do Tratado de Assunção. A Bolívia é o mais novo Estado Parte do MERCOSUL, com sua adesão formalizada em agosto de 2024.

Brasil, Argentina, Bolívia, Paraguai e Uruguai respondem por 73% do território da América do Sul (12,98 milhões de km²); 64,8% da população sul-americana (284,9 milhões de habitantes) e 70,2% do PIB da região (US$ 2,97 trilhões).

O Tratado de Assunção (1991), instrumento fundacional do MERCOSUL, estabeleceu modelo de integração profunda, que visa à formação de um mercado comum, com livre circulação interna de bens, serviços e fatores produtivos, em paralelo à adoção de uma política comercial comum e à harmonização de políticas setoriais.

O livre comércio no MERCOSUL foi implementado por meio do programa de desgravação tarifária, que reduziu a zero a alíquota do imposto de importação, entre os países do bloco, para a maior parte do universo de bens.

A agenda política do MERCOSUL abrange um amplo espectro de políticas governamentais tratadas em reuniões de ministros, reuniões especializadas, foros e grupos de trabalho sobre temas como educação, justiça, trabalho, cultura, saúde, segurança, desenvolvimento social, direitos humanos, gênero, povos indígenas, afrodescendentes, meio ambiente, turismo, gestão de riscos de desastres, agricultura familiar, audiovisual, cooperativas e juventude, entre outros.

Tais foros permitem a coordenação entre os países e produzem acordos e normativas que geram benefícios diretos aos cidadãos dos nossos países.

O bloco conta, ainda, com sete Estados Associados: Chile, Colômbia, Equador, Guiana, Panamá, Peru e Suriname. Os Estados Associados estão autorizados a participar nas reuniões de órgãos do MERCOSUL que tratem temas de interesse comum. A Venezuela é formalmente um Estado Parte, mas está suspensa, desde 2016, em razão do descumprimento de seu Protocolo de Adesão e, desde 2017,pela violação da Cláusula Democrática do Mercosul.

    Fotos: Ricardo Stuckert / PR