Desembargador Maurício Miranda do TJDFT, morre aos 60 anos

É com pesar que registramos o falecimento do desembargador Maurício Miranda do TJDFT, aos 60 anos, após sofrer falência renal e hepática. O magistrado veio a óbito na madrugada deste domingo (4/1), em um hospital de Goiânia (GO), onde foi internado em 1° de janeiro. A suspeita é de que a morte tenha sido proveniente de uma leptospirose. Porém, ainda não houve confirmação clínica de que Miranda estava infectado com a doença.
Até o momento, não há diagnóstico definitivo, mas condições de saúde pré-existentes, como diabetes, podem ter contribuído para a gravidade do quadro e dificultado sua recuperação. O velório do desembargador Maurício Miranda está marcado para as 8h30 de segunda-feira (5/1). O sepultamento será às 11h no cemitério Campo da Esperança, em Brasília, Capela 1.
A morte inesperada de Maurício Miranda foi lamentada pelas autoridades de Brasília. O Desembargador Maurício Miranda, egresso do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios, construiu uma trajetória de excelência na vida jurídica brasileira. Reconhecido como um dos maiores expoentes do Tribunal do Júri no Distrito Federal, considerado o ‘rei do júri’, notabilizado como um grande tribuno, de sólida formação acadêmica, rigor técnico e inabalável compromisso com a Justiça. A partida de Maurício Miranda deixa um legado inestimável à Justiça e à sociedade brasiliense.

O presidente do TFDFT desembargador Waldir Leôncio Júnior, manifestou pesar pela perda do magistrado. A nota destaca a trajetória pessoal e profissional do desembargador, lembrando que ele “foi o primeiro da família a conquistar um diploma de ensino superior”, tendo cursado simultaneamente Direito pela Universidade de Brasília (UnB) e Economia pelo Centro Universitário do Distrito Federal (UDF). A nota também ressalta a atuação acadêmica de Maurício Miranda, que “atuou como professor de Direito Penal por mais de 15 anos em diversas instituições de ensino da capital”.
O TJDFT relembrou ainda a carreira no Ministério Público, onde atuou por mais de três décadas. “Nesse período, participou de mais de mil julgamentos no Tribunal do Júri, sendo reconhecido como um dos promotores mais destacados da cidade”. Ao final, o Tribunal prestou solidariedade aos familiares e amigos.
Em nota, o MPDFT prestou condolências aos familiares e amigos de Maurício Silva Miranda. A Ordem dos Advogados do Brasil seccional do DF (OAB-DF) também se solidarizou com os familiares e amigos do jurista.
O governador Ibaneis Rocha afirmou que Maurício Miranda era um excelente profissional do direito. “Dedicou sua vida ao MP e mais recentemente ao TJDFT. Uma grande perda”.
Maurício Miranda: uma vida dedicada ao serviço público
Maurício Silva Miranda, nasceu em Brasília e era formado em Direito pela Universidade de Brasília (UnB) e em Economia pelo Centro Universitário do Distrito Federal (UDF), além de mestre em Direito pela Universidade Católica de Brasília (UCB).
Com mais de quatro décadas dedicadas ao serviço público, Miranda iniciou carreira aos 21 anos, no Ministério Público de Goiás (MPGO). Passou a integrar o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) como promotor de Justiça, em 1991.
Em 2023, foi empossado desembargador do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios e, atuava na 7ª Turma Cível e a 1ª Câmara Cível.
Antes, atuava como procurador de Justiça do Ministério Público do Distrito Federal e dos Territórios (MPDFT). Com uma longa trajetória no Ministério Público do DF e Territórios (MPDFT) como promotor de Justiça, ele conduziu acusações em casos emblemáticos do DF:
- Assassinato de João Cláudio Leal: estudante de Publicidade, de 20 anos, foi espancado até a morte na frente da porta de uma boate na Asa Sul em 2000.
- Crime da 113 Sul: em 2009, no sexto andar do bloco C da 113 Sul, área nobre de Brasília, os advogados José Guilherme Villela, de 73 anos, e Maria Villela, de 69 anos, casal de grande prestígio que atendia figuras do alto escalão da capital federal, e a empregada doméstica Francisca Nascimento da Silva, de 58 anos, foram assassinados a facadas.
- Assassinato do indígena Galdino Jesus dos Santos: cinco jovens de classe média atearam fogo no indígena da etnia Pataxó em 1997 enquanto ele dormia em um ponto de ônibus no DF.
- Assassinato do jornalista Mário Eugênio de Oliveira: em 1984, quando saía do prédio da Rádio Planalto, o jornalista de 31 anos foi executado no estacionamento com sete tiros na cabeça.
Fotos: TJDFT/Divulgação













