Taça da Copa do Mundo 2026 é recebida por Lula em cerimônia no Palácio do Planalto

Faltam pouco mais de três meses para o início da Copa do Mundo, e a taça que a Seleção Campeã do Torneio vai levar para casa já está viajando pela América Latina. O troféu original deixa o Museu da FIFA apenas durante a realização da Copa do Mundo e do Tour da Taça.
Em 2026, o Tour da Taça passa por oito países da América Latina. No Brasil, passou por São Paulo e Rio de Janeiro e, agora em Brasília. A cerimônia de apresentação da taça da Copa do Mundo de 2026 na capital do país foi no Palácio do Planalto.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu o cobiçado troféu na companhia dos campeões do Mundo: Branco, campeão em 94, Jairzinho, campeão em 70, Cafu, campeão em 2002, Pepe, campeão em 58 e 62 e Edmilson, campeão em 2002.
Além deles, a atleta símbolo do futebol feminino, a brasileira Formiga, única atleta a participar de sete Copas do Mundo, participou da cerimônia ao lado do vice-presidente Geraldo Alckmin, ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, do ministro do Esporte André Fufuca, o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, e o ministro-chefe da Secretaria de Comunicação, Sidônio Palmeira, dentre outras autoridades.

A Taça, feita de ouro maciço de 18 quilates com cerca de 6 quilos (kg), percorrerá no total 30 países-membros da FIFA, com 75 paradas ao longo de mais de 150 dias. A Copa do Mundo FIFA 2026 será realizada no Canadá, no México e nos Estados Unidos.


Durante a cerimônia o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse estar animado com a conquista do hexacampeonato. Lula disse ter conversado com o técnico Carlo Ancelotti e se disse “convencido” da conquista do hexacampeonato. “Conversei com o Ancelotti e achei ele uma figura extremamente séria, com a cabeça no lugar. E quando um técnico tem seriedade, normalmente os jogadores sabem que têm responsabilidade. Estou convencido de que vamos ganhar essa Copa”.

O presidente aproveitou a oportunidade para fazer uma defesa enfática do futebol feminino, aolembrar que o Brasil será sede da Copa do Mundo feminina em 2027. Havia expectativa de que a taça do torneio feminino fosse apresentada também na cerimônia desta quinta, mas por problemas de logística isso acabou não ocorrendo, segundo os responsáveis pela cerimônia.
“Essa Copa do Mundo [de futebol feminino] tem alguns ingredientes. Primeiro, é preciso que a gente comece a valorizar o futebol feminino como ele merece ser valorizado”, disse Lula.
O presidente comparou o fato de haver jogadores homens ganhando salários mensais de R$ 1,5 milhão, mesmo no banco de reservas e sem jogar, enquanto jogadoras mulheres da Seleção Brasileira ganhando cerca de R$ 20 mil ou até salários bem inferiores, como R$ 5 mil nos clubes.

“É um disparate a valorização do jogador masculino e a desvalorização das jogadoras mulheres. Isso é um processo chamado preconceito de gênero. É a diferença que existe na sociedade machista no tratamento que dão às mulheres. Elas mereciam ganhar um pouco mais, porque são profissionais, vivem disso, cuidam da família jogando futebol. Acho que essa Copa do Mundo é um alento para que a gente possa, depois que acabar a Copa, sair com as mulheres muito mais valorizadas, enquanto profissionais, para se tornarem respeitadas como são os homens hoje”, acrescentou.
Lula afirmou que a Copa do Mundo feminina, em 2027, será a chance de o Brasil se redimir do que chamou de “vexame” em 2014. Naquele ano, o país foi sede do torneio masculino, que ficou marcado pela histórica goleada de 7×1 no jogo de semifinal contra a Alemanha.

Lula afirmou que o país vive um cenário otimista, com melhora nos indicadores econômicos e sociais. Segundo ele, o momento é favorável para o Brasil retomar o protagonismo também no futebol. “Não vamos deixar que nada fora do futebol abale o espírito das nossas guerreiras e que essa Copa seja um exemplo”, disse Lula.
O presidente também citou o pacto contra o feminicídio ao lembrar das mais de 1,7 mil mulheres assassinadas no ano passado e estimulou que as mulheres lotem os estádios no ano que vem, durante a Copa do Mundo feminina.
O pentacampeão Cafu disse que o Brasil só é pentacampeão de futebol porque antes disso um conjunto de atletas fez história em campo e agradeceu aos jogadores das gerações passadas presentes ao evento. “Tenho muito orgulho de dizer que somos pentacampeões, que somos apaixonados pelo nosso país e unidos em torno da bola, da prática de um esporte que não faz distinção de religião, raça ou classe social, que é o futebol”, afirmou o capitão da seleção brasileira campeã em 2002.

A ex-jogadora da seleção brasileira Formiga afirmou que a Copa do Mundo Feminina de 2027, que será disputada no Brasil, pode representar um marco definitivo para o desenvolvimento da modalidade no país. Atual diretora de Políticas de Futebol e de Promoção do Futebol Feminino do Ministério do Esporte disse que o esporte transforma vidas.
“Eu tive o privilégio de jogar sete Copas do Mundo e eu sei o quanto essa competição transforma a carreira de um atleta”, assegurou a ex-volante, recordista de participações em Mundiais. Formiga afirmou que enxerga avanços em relação à geração da qual fez parte – marcada pela falta de estrutura e visibilidade para conquistar espaço no futebol -, mas ponderou que o reconhecimento ainda está longe do ideal.
“Eu venho de uma geração que precisou lutar muito por espaço, uma geração que não tinha visibilidade alguma, não tinha apoio. Hoje, a gente vê um futebol feminino crescendo, ocupando espaços que por muitos anos nos foram negados”, declarou a Formiga.
“Eu tenho certeza de que essa Copa do Mundo 2027 vai ser transformadora. Não só na vida das nossas pioneiras, que foram mulheres que pegaram momentos bem piores que o meu e que precisam ser reconhecidas pelo tanto que fizeram pelo futebol feminino”, concluiu a consagrada atleta.
O ministro do Esporte, André Fufuca, lembrou das duas maiores estrelas brasileiras dos campos de futebol: o Rei Pelé e a Rainha Marta. Fufuca fez questão de reafirmar o compromisso de fazer no Brasil a melhor Copa do Mundo de Futebol Feminino, em 2027. “Enquanto o mundo vive tempos de conflitos e invasões territoriais, nós vamos mostrar que o esporte é capaz de unir os povos. E o Brasil fará, como nos pede o presidente Lula, a melhor Copa do Mundo de Futebol Feminino da história”.
Fufuca também ressaltou que o esporte está junto na campanha de enfrentamento à violência contra as mulheres. “Nós vamos mostrar que não aceitamos a violência contra as mulheres. Essa, como diz o presidente Lula, não é uma batalha apenas delas, é uma luta de todos nós. E o mundo vai perceber que o Brasil não produziu só o rei e a rainha do futebol. Com a graça de Deus, vamos mostrar que o Brasil é a melhor nação de todas”.
O evento faz parte de uma iniciativa global organizada pela Federação Internacional de Futebol (Fifa), organizadora da Copa, em parceria com a Coca-Cola, empresa patrocinadora, que leva o troféu original a diferentes países antes do mundial.
A presidente da Coca-Cola para o Brasil e Cone Sul, Luciana Batista, se disse feliz pela oportunidade de aproximar a Copa do povo brasileiro que é apaixonado pelo futebol. A empresa, parceira global da FIFA desde 1978, é a responsável pelo Tour da Copa, que trouxe o troféu a três cidades brasileiras, reforçou a importância da parceria como governo do Brasil.

A taça vai cruzar os continentes em uma rota que vai passar por 30 países e fazer 75 paradas, antecipando o clima da competição, que será disputada entre junho e julho de 2026.
Fotos: Ricardo Stuckert / PR e Valter Campanato/Agência Brasil













