Dia Internacional da Liberdade de Imprensa: informação confiável e responsável fortalece a democracia

Celebramos neste 3 de maio o Dia Internacional da Liberdade de Imprensa, um direito fundamental que reforça a importância de uma imprensa livre, diversa e comprometida com os fatos. A data destaca a importância do jornalismo livre, ético e independente como pilar democrático.
Quando uma informação confiável e responsável circula, a democracia se fortalece. Além de qualificar o debate público, ela também favorece decisões mais conscientes.
Proclamada pela Organização das Nações Unidas em 1993, a celebração homenageia jornalistas que perderam a vida, avalia riscos à profissão e defende o direito à informação confiável contra censura e desinformação. Neste dia a ONU fez um alerta sobre os riscos enfrentados por jornalistas em diferentes partes do mundo, incluindo censura, vigilância, assédio judicial e mortes.

Em mensagem, o secretário-geral da ONU, António Guterres, afirmou que a atividade jornalística atravessa um momento de pressão crescente, marcado por ameaças à segurança dos profissionais e restrições ao acesso à informação.
Segundo Guterres, os últimos anos registraram um aumento acentuado no número de jornalistas mortos, muitos deles deliberadamente visados em zonas de conflito.
O secretário-geral destacou ainda que 85% dos crimes cometidos contra profissionais da imprensa não são investigados nem resultam em condenação, cenário que classificou como “um nível de impunidade inaceitável”.
Na mensagem, o líder das Nações Unidas ressaltou que jornalistas colocam em risco a própria segurança para relatar fatos e buscar a verdade, tanto em cenários de guerra quanto em contextos em que autoridades e grupos de poder tentam evitar fiscalização pública e escrutínio.
Guterres também comentou que fatores como crises econômicas, novas tecnologias e manipulação de informações têm ampliado a pressão sobre a liberdade de imprensa em escala global. Para ele, a deterioração do acesso à informação confiável e a distorção do debate público aprofundam a desconfiança social e fragilizam a coesão entre sociedades.
Ainda de acordo com o secretário-geral, ataques ao jornalismo dificultam a prevenção e a resolução de crises, ao comprometerem a circulação de informações verificadas e o acompanhamento de acontecimentos de interesse público.
Ao final da mensagem, António Guterres defendeu a proteção dos direitos dos jornalistas e pediu a construção de um ambiente em que profissionais da imprensa possam atuar com segurança e em que a verdade seja preservada.
Violência online amplia riscos para mulheres jornalistas

Além das ameaças físicas e institucionais, profissionais da imprensa, especialmente mulheres, também enfrentam aumento da violência digital. Dados do relatório Ponto de Virada: Impactos, Manifestações e Reparação da Violência Online na Era da Inteligência Artificial mostram que, desde 2020, delegacias e postos policiais em todo o mundo passaram a receber o dobro de denúncias relacionadas à violência contra mulheres que atuam no jornalismo.
O estudo, financiado pela União Europeia e encomendado pela ONU Mulheres, aponta que 12% das entrevistadas relataram ter sofrido compartilhamento não consensual de imagens pessoais, incluindo conteúdos íntimos ou sexuais. Outras 6% afirmaram ter sido vítimas de “deepfakes”, enquanto quase uma em cada três recebeu mensagens com investidas sexuais não solicitadas.
A pesquisa conclui que esses ataques costumam ser deliberados e coordenados, com o objetivo de silenciar mulheres em espaços públicos e comprometer sua credibilidade profissional e reputação pessoal.
Os impactos já aparecem no comportamento das vítimas. Segundo o levantamento, 41% das mulheres entrevistadas afirmaram praticar autocensura nas redes sociais para evitar abusos, enquanto 19% disseram restringir sua atuação profissional como consequência direta da violência online.
Entre jornalistas e profissionais da mídia, os índices são ainda mais altos. 45% relataram autocensura nas redes sociais no último ano, aumento de 50% em relação a 2020, e quase 22% disseram limitar conteúdos ou posicionamentos no trabalho. Uma em cada quatro jornalistas foi diagnosticada com ansiedade ou depressão associadas à violência digital, enquanto quase 13% relataram diagnóstico de transtorno de estresse pós-traumático.
O relatório também aponta fragilidade na proteção legal. Com base em dados do Banco Mundial, menos de 40% dos países possuem legislação específica para proteger mulheres contra assédio cibernético e perseguição online, deixando cerca de 1,8 bilhão de mulheres e meninas sem respaldo jurídico.
A chefe da Seção de Fim da Violência contra as Mulheres da ONU Mulheres, Kalliopi Mingeirou, declarou que o avanço da inteligência artificial tem tornado o abuso online mais acessível e mais nocivo. De acordo com ela, esse cenário contribui para a erosão de direitos em um contexto de retrocessos democráticos e misoginia em rede, exigindo respostas urgentes de sistemas legais, plataformas digitais e instituições.
Imprensa livre é direito, proteção e cidadania. Refletir sobre a situação dos jornalistas e da mídia independente se torna mais urgente.
Fotos: Reprodução













