Ascensão do Senhor: não é um mistério distante, mas o início de uma nova presença de forma invisível, mas real

Bernadete Alves
Solenidade da Ascensão do Senhor: a data lembra a conclusão da missão terrena de Cristo

Celebramos neste domingo, 17 de maio, a Solenidade da Ascensão do Senhor. Após quarenta dias de sua ressurreição, Jesus elevou-se ao céu, onde está sentado à direita do Pai, sendo a sua entrada na glória de Deus. É também a exaltação da natureza humana, a vitória humana sobre o pecado e a morte pela vida de Jesus.

A data lembra que Jesus após cumprir sua missão de amor e salvação, retorna glorioso ao Pai. A Ascensão não é uma despedida , mas a promessa de que Cristo permanece conosco, conduzindo a Igreja e intercedendo por cada um de nós.

Celebrar a Ascensão de Jesus é celebrar seu modo novo de estar conosco, do Emanuel, Deus Conosco, manifestar-se em nosso meio. Esse modo novo do Senhor se manifestar entre as pessoas passa pela Comunidade, por suas atitudes que dão continuidade à missão do Senhor e que asseguram a construção do Reino de Justiça e de Paz.

Bernadete Alves
Ascensão do Senhor: não é um mistério distante, mas de presença e de união a Cristo

A solenidade não é um mistério distante, mas de união a Cristo! De presença, pois Jesus permanece conosco, agora de forma invisível, mas real, especialmente na Eucaristia e na ação do Espírito Santo. Cristo nos chama a continuar nossa missão com fé, amor e coragem, sendo luz no mundo.

A Ascensão nos lembra que nossa pátria definitiva está no Céu, e que, como cristãos, somos chamados a viver neste mundo com os olhos voltados para o alto, sem perder o compromisso com o amor e a missão aqui na Terra.

O Papa Leão XIV dedicou sua alocução no Regina Caeli deste 17 de maio de 2026, à Solenidade da Ascenção do Senhor, celebrada neste domingo em inúmeros países, inclusive no Brasil. Leão XIV afirmou que o “percurso de ascensão” passa pelos exemplos de Jesus, de Nossa Senhora e dos santos, além do testemunho cotidiano de familiares e amigos que buscam viver o Evangelho.

Bernadete Alves
Papa Leão durante oração do Regina Caeli no Vaticano em 17-05-2026
Bernadete Alves
Ascensão do Senhor: não é um mistério distante, mas o início de uma nova presença de forma invisível, mas real

O Livro dos Atos dos Apóstolos, do qual é tirada a primeira leitura da solenidade de hoje, nos mostra Jesus dizendo aos seus discípulos que eles receberão o Espirito Santo e que Este os tornará suas testemunhas no mundo inteiro.

O Espírito que os discípulos receberão é o mesmo que esteve presente em Jesus. Os anjos que aparecem após a “subida” de Jesus ao Céu dizem aos discípulos para não ficarem de braços cruzados, mas agirem, isto é, continuarem a missão do Senhor. Os anjos dizem aos discípulos que Jesus vai voltar. Isso nos recorda a parábola contada pelo Senhor em que o patrão quando volta de viagem quer saber de seus servos o que fizeram, qual o produto do trabalho. Os anjos nos recordam a necessidade de deixar de ficar olhando para o céu e colocar mãos à obra, trabalhar!

O Evangelho de Mateus nos fala que o poder que Jesus recebeu do Pai e foi plenificado após sua ressurreição, é dado à Comunidade para que “ Vá e faça discípulos meus todos os povos, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, e ensinando-os a observar tudo o que lhes ordenei!”

Batismo é a consagração, a configuração a Jesus Cristo, o Ungido e a Catequese é a implementação da Justiça. Logo, deveremos levar as pessoas a se configurarem ao Homem Novo, de acordo com o desejo do Pai e, depois, após conscientizá-los, levá-los a praticar a justiça e as bem-aventuranças. E Mateus termina citando a certeza da presença eterna de Jesus ao nosso lado: “ Eis que eu estarei com vocês todos os dias, até o fim do mundo!”

A Ascensão de Jesus é a transformação da presença do Emanuel, do Deus Conosco. Sua presença é manifestada não através de uma figura visível, a de Jesus, mas através da ação libertadora praticada pelos membros da Comunidade.

Fotos: Reprodução e  Reuters