São Domingos de Gusmão: propagador da verdade de Cristo  e do Santo Rosário

Bernadete Alves
São Domingos de Gusmão: pregador do Santo Rosário e fundador da ‘Ordem dos Frades Pregadores’

A Igreja celebra neste 8 de agosto a memória litúrgica de São Domingos de Gusmão, fundador da Ordem dos Frades Pregadores (Dominicanos) e figura central na renovação da Igreja medieval e na difusão do Santo Rosário.

Ele criou uma ordem para renovar a Igreja por meio da pregação apostólica e da vivência radical da pobreza evangélica. Destacou-se pela profunda vida espiritual, unindo o estudo teológico e a escuta da Palavra ao cuidado com a salvação das almas, por meio da difusão da oração do Rosário, vista como ferramenta de fé e refúgio espiritual.

‘O Segredo Admirável do Santíssimo Rosário’ foi contado em um livro por São Luís Maria Grignion de Montfort. Ele narra que em uma ocasião, São Domingos de Gusmão estava pregando e levaram a ele um herege albigense possuído por demônios, a quem exorcizou na presença de uma grande multidão.

Durante o exorcismo, os demônios disseram a Domingos que com o Rosário que pregava, levava o terror e o espanto a todo o inferno e que ele era o homem que mais odiavam no mundo por causa das almas que lhes tirava com esta devoção.

Padre Domingos lançou seu Rosário ao pescoço do homem e perguntou-lhes qual dos santos do céu temiam mais e qual devia ser o mais amado e honrado pelos homens. Os inimigos, diante dessas perguntas, deram gritos tão espantosos que muitos dos que estavam ali presentes caíram em terra pelo susto.

Os malignos, para não responder, choravam, lamentavam-se e pediam pela boca do homem a São Domingos que tivesse piedade deles. O santo, sem se alterar, disse que não pararia de atormentá-los até que respondessem o que lhes tinha perguntado. Então, eles falaram que o diriam, mas em segredo, ao ouvido e não diante de todos. O santo, ao contrário, ordenou-lhes que falassem alto, mas os diabos não quiseram dizer nenhuma palavra.

Então, Pe. Domingos, de joelhos, fez a seguinte oração: “Oh excelentíssima Virgem Maria, pela virtude de teu saltério e Rosário, ordena a estes inimigos do gênero humano que respondam a pergunta”.

Em seguida, uma chama ardente saiu das orelhas, nariz e boca do homem possuído. Os demônios rogaram ao Padre que, pela paixão de Jesus Cristo e pelos mistérios de sua Santa Mãe e de todos os santos, os permitisse sair daquele corpo sem dizer nada, porque os anjos o revelariam em qualquer momento que quisesse.

Mais tarde, Domingos de Gusmão voltou a se ajoelhar e elevou outra prece: “Oh digníssima Mãe de Sabedoria, sobre cuja saudação, de que forma se deve rezar, este povo já está instruído, peço-vos para a saúde dos fiéis aqui presentes, que obrigueis a esses vossos inimigos a abertamente confessar aqui a verdade completa e honesta”.

Quando terminou de pronunciar as palavras, Domingos viu perto dele uma multidão de anjos e a Virgem Maria que golpeava o demônio com uma vareta de ouro, enquanto lhe dizia: “Responda a pergunta de meu servidor Domingos”.

Bernadete Alves
São Domingos de Gusmão: propagador da verdade de Cristo  e do Santo Rosário

Os demônios começaram a gritar: “Oh! inimiga nossa! Oh! ruína e confusão nossa! Por que viestes do céu para atormentar-nos de forma tão cruel? Será preciso que por vós, oh advogada dos pecadores, a quem livrais do inferno; oh caminho seguro do céu, sejamos abrigados – para nosso pesar – a confessar diante de todos o que é causa de nossa humilhação e ruína? Ai de nós! Maldição a nossos príncipes das trevas!”.

“Um só suspiro que ela apresente à Santíssima Trindade vale mais que todas as orações, votos e desejos de todos os santos. Temos mais medo dela do que de todos os bem-aventurados juntos e nada podemos contra seus fiéis seguidores”.

Padre Domingos fez todo o povo rezar o Rosário muito lenta e devotamente e, a cada Ave Maria que rezavam, saíam do corpo do homem possuído uma grande multidão de demônios em forma de carvões incendiados.

Quando todos os inimigos saíram e o herege ficou livre, a Virgem Maria, de maneira invisível, deu sua bênção a todo o povo, que experimentou grande alegria.  “Este milagre foi causa da conversão de grande número de hereges, que, aliás, se inscreveram na Confraria do Santo Rosário”, concluiu São Luís Maria Grignion de Montfort.

Numa carta por ocasião dos 800 anos da morte de São Domingos Gusmão, o Papa Francisco, destacou a grande vocação de Domingos “de pregar o Evangelho do amor misericordioso de Deus”: “O seu testemunho da misericórdia de Cristo e o seu desejo de levar o bálsamo curativo aos que vivem na pobreza material e espiritual inspiraria mais tarde a fundação da sua Ordem e moldaria a vida e o apostolado de inúmeros Dominicanos em diferentes épocas e lugares.”

Uma mensagem evangélica que, segundo o Pontífice, deveria desafiar a Igreja de hoje “a fortalecer os laços de amizade social, a superar as estruturas econômicas e políticas injustas e a trabalhar para o desenvolvimento integral de cada indivíduo e de cada povo”.

Que todos os cristãos possam pregar o amor misericordioso de Deus, como aconteceu naquela época, sendo capazes “de falar ao coração dos homens e mulheres do nosso tempo e despertar neles uma sede pela vinda do Reino de Cristo de santidade, justiça e paz.

Bernadete Alves
Vida e Obra de São Domingos de Gusmão

São Domingos nasceu em Caleruega, na Castela Velha, em 1170, Espanha. Pertencia a uma família nobre, católica e rica: seus pais eram Félix de Gusmão e Joana d’Aza e seus irmãos, Antonio e Manes. Na sua família, havia um tio sacerdote. Assim, a vontade de evangelizar já estava presente desde a infância.

Domingos dedicou-se aos estudos, tornando-se uma pessoa muito culta. Mas, aos 24 anos, o chamado ao sacerdócio foi maior e Domingos começou a fazer parte dos Canônicos da Catedral de Osma, a pedido do Bispo Diego. Logo, foi convidado para auxiliar o rei Afonso VII nos trabalhos diplomáticos do seu governo e também para representar a Santa Sé.

Durante a Idade Média, havia a heresia dos albigenses, ou cátaros, no sul da França. O Papa Inocêncio III enviou Domingos e Dom Diego para enfrentar os Albigenses e propagar o Evangelho. Porém, com a morte repentina de Diego, Domingos de Gusmão permaneceu sozinho na missão.

Bernadete Alves
São Domingos de Gusmão: o apóstolo do Rosário

Em 1215, Domingos fundou uma Ordem que oferecia uma nova proposta de evangelização cristã e vida apostólica. Em 22 de dezembro de 1217, Papa Honório III emitiu a aprovação definitiva, dando-lhe o nome de “Ordem dos Frades Pregadores”. Eles foram conhecidos como homens sábios, pobres e austeros.

São Domingos de Gusmão morreu em 6 de agosto de 1221, com 51 anos, no Convento de Bolonha. Foi canonizado pelo Papa Gregório IX, que o havia conhecido pessoalmente após 13 anos da sua morte.

Fotos: Reprodução