Assunção de Nossa Senhora: celebração de sua verdadeira grandeza e glória e a coroação de todas as suas virtudes

Bernadete Alves
Assunção de Nossa Senhora: a feliz partida da Santíssima Virgem Maria e sua translação ao reino de seu Filho

A Igreja celebra neste 15 de agosto a Solenidade da Assunção da Bem-aventurada Virgem Maria. Desde o século V ocorre a celebração com o significado de “Nascimento para o Céu” ou, segundo a tradição bizantina, de “Dormição”.

A data significa a feliz partida da Santíssima Virgem Maria e sua translação ao reino de seu Filho, que lhe concedeu uma coroa de glória imortal e um trono acima de todos os outros santos e espíritos celestiais. Depois que Cristo ascendeu aos céus, Sua bem-aventurada mãe permaneceu em Jerusalém, perseverando em oração com os discípulos, até que, na companhia deles, recebeu o Espírito Santo.

Em Roma, esta festa era celebrada desde meados do século VII, mas foi preciso esperar até 1° de novembro de 1950, quando Pio XII proclamou o Dogma da Assunção de Maria, elevada ao céu em corpo e alma. No Credo Apostólico, professamos a nossa fé na “ressurreição da carne” e na “vida eterna”, fim e sentido último do caminho da vida terrena. Esta promessa de fé cumpriu-se em Maria, sinal de “consolo e esperança”.

Trata-se de um privilégio de Maria, por ser intimamente ligado ao fato de ser Mãe de Jesus: visto que a morte e a corrupção do corpo humano são consequências do pecado, não era oportuno que a Virgem Maria – isenta de pecado – fosse implicada nesta lei humana. Daí o mistério da sua “Dormição” ou “Assunção ao céu”. O fato de Maria ter sido elevada ao céu é motivo de júbilo, alegria e esperança.

Neste dia a Igreja nos convida a vivermos a festa da Assunção da Virgem Maria, e aprender com ela a expressar a nossa fé tanto em nossas palavras, como em nossas ações, vivendo assim, como ela, uma plena comunhão com Deus que nos fará pessoas disponíveis e sensíveis à pessoa do irmão, sobretudo os mais necessitados.

O Evangelho de hoje, nos traz na figura de Maria, o exemplo de total entrega e doação. Ela que após receber a visita do anjo e ser tomada pela força do Espírito Santo, se pôs a caminho para socorrer a sua parenta Isabel em sua necessidades.

A graça e a força que acompanhava Maria contagiou a Isabel e a criança que estava em seu ventre e imediatamente ela reconheceu a presença de Deus na pessoa de Maria ao exclamar cheia do Espírito Santo: “Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre. Donde me vem esta honra de vir a mim a mãe de meu Senhor?”

Olhando para a pessoa de Maria, percebemos que mesmo na condição de Mãe do Messias, do Salvador, ela se coloca como serva numa entrega íntima e pessoal ao plano de salvação que vem de Deus.

O Evangelho sugere ler o mistério de Maria à luz da sua oração, o Magnificat: o amor gratuito, que se estende de geração em geração; a predileção pelos simples e pobres encontra em Maria o melhor fruto: poderíamos dizer que é a sua obra-prima, um espelho no qual todo o Povo de Deus pode refletir seus próprios lineamentos.

A Solenidade da Assunção da Bem-Aventurada Virgem Maria, em corpo e alma ao Céu, é um sinal eloquente do que, não só a “alma”, mas também a “corporeidade” confirmam que “tudo era muito bom” (Gn 1,31), tanto que, como aconteceu com a Virgem Maria, também a “nossa carne” será elevada ao céu. Isto, porém, não quer dizer que somos isentos do nosso compromisso com a história; pelo contrário, é precisamente o nosso olhar, voltado para a Meta, o Céu, a nossa Pátria, que nos dá o impulso para nos comprometermos com a vida presente, nas pegadas do Magnificat: felizes pela misericórdia de Deus, atenciosos com todos nossos irmãos e irmãs, que encontramos ao longo do caminho, começando pelos mais fracos e frágeis.

Maria encontra-se na glória de Deus; ela alcançou a Meta, onde, um dia, todos nos encontraremos. Maria é sinal de consolação e esperança, pois, se ela, criatura como nós, conseguiu, também nós conseguiremos. Confiemos em Maria! Que ela nos ajude a percorrer o caminho da vida, reconhecendo as grandes coisas, que Deus faz em nós e em torno de nós, sendo capazes de engrandecê-Lo com o Canto da nossa existência!

Senhor Deus, que assim como Maria, nós possamos nos entregar inteiramente a Ti e preenchidos pelo poder do espírito Santo, estejamos sempre dispostos a servir. Nossa Senhora da Assunção, intercedei por nós, junto a Jesus.

Bernadete Alves
Assunção da Virgem Maria: a maior das festas celebradas pela Igreja em sua grandeza e glória

Para contemplar este mistério da fé, o Papa Leão XIV recorreu a dois modelos iconográficos. O primeiro, o mais antigo, que foi o único durante quase um milênio, é o da “dormição” da Mãe de Deus. Ela aparece deitada num catafalco, adormecida na morte; à sua volta estão os Apóstolos, que a veneram comovidos em oração; no centro, de pé, está Jesus ressuscitado, que segura nos braços a alma de Maria, como uma criança recém-nascida. Ele veio buscá-la para a levar consigo para a glória de Deus.

Este primeiro modelo realça a verdade central: é Cristo que nos conduz à meta para a qual estamos desde sempre destinados, a vida eterna. É isto que gerações e gerações de fiéis contemplaram ao rezarem perante os ícones da Dormição.

A iconografia mais recente, que se desenvolveu posteriormente no Ocidente, mostra, por sua vez, a Virgem Maria de corpo inteiro, no céu, envolta de luz, frequentemente rodeada por anjos e santos. Aqui, no centro, encontra-se o corpo glorificado da Virgem, em consonância com o que se lê no Livro do Apocalipse.

Este segundo modelo realça a verdade de que Maria foi elevada em corpo e alma, ou seja, na integridade da sua pessoa.

Para o Santo Padre, esta iconografia permite contemplar o nosso destino último: “A plenitude de vida, que hoje admiramos com alegria em Maria, espera-nos também a nós, no fim dos tempos, revestindo o que é corruptível de incorruptibilidade e o que é mortal de imortalidade. Então, com a nossa carne transformada pelo amor do Redentor, viveremos eternamente, na festa sem fim. Louvemos o Senhor, que fez grandes coisas na sua e nossa Santíssima Mãe!”.

Fotos: Vatican Media