Bem-aventurada Virgem Maria das Dores: momentos marcantes de dor na vida terrena da Mãe de Jesus

Neste 15 de setembro a Igreja celebra a Memória da Bem-aventurada Virgem Maria das Dores. Um título dado à Virgem Maria que recorda os seus profundos sofrimentos e a sua união com a Paixão e Morte de Jesus Cristo. A data litúrgica desta devoção é celebrada logo após a festa da Exaltação da Santa Cruz.
Mater Dolorosa é o título com o qual a Igreja contempla a participação de Maria na Paixão e morte de Jesus. Permanecendo junto à cruz, a Virgem uniu a sua dor materna ao sacrifício redentor do Filho.
Com o coração traspassado pela dor, Maria permanece de pé, unida ao sofrimento e à entrega de seu Filho. Fiel e confiante, tornando-se para nós exemplo de fé, esperança e perseverança. Ao contemplar Maria junto ao Filho crucificado, os fiéis encontram uma mãe próxima de todos os que sofrem. A dor, porém, não encerra a sua história: aquela que acompanhou Cristo até o sepulcro também anuncia a esperança que nasce da Ressurreição.
Que Nossa Senhora das Dores acolha nossas dores e nos ensine a permanecer junto de Cristo em todos os momentos da vida.
Na iconografia cristã, Nossa Senhora das Dores é representada com o coração atravessado por uma ou sete espadas. A imagem remete às palavras de Simeão: “Quanto a ti, uma espada te traspassará a alma” (Lc 2,35). Também inspirou uma das representações mais comoventes da arte cristã: a Pietà, na qual Maria acolhe o corpo de Jesus retirado da cruz.
A devoção baseia-se em sete momentos marcantes de dor na vida terrena da Mãe de Jesus:

Primeira dor: A profecia de Simeão (Lucas 2, 28-35)
Maria e José vão ao Templo para apresentarem o menino Jesus ao Senhor Deus. Lá, o profeta Simeão vai ao encontro deles e diz a Maria: ‘Uma espada de dor transpassará teu coração.’ Num momento feliz, quando se apresenta um bebê ao Senhor, Maria recebe a notícia de uma ‘espada de dor’. Certamente, junto com a alegria do bebê Jesus, estas palavras penetraram seu coração e a fizeram sofrer.
Segunda dor: A fuga para o Egito (Mt 2, 13-18)
E as dores de Maria não demoraram para começar. Pouco tempo depois de ter ouvido a profecia de Simeão, a Sagrada família teve que fugir para o Egito porque Herodes procurava o Menino Jesus para mata-lo. A Sagrada Família permaneceu 4 anos no Egito, vivendo num país diferente, com uma língua diferente, costumes diferentes, longe dos parentes e da terra natal.
Terceira dor: A perda do Menino Jesus aos 12 anos (Lc 2, 41-52)
Depois que voltaram do Egito, Jesus, Maria e José de Nazaré, como judeus piedosos, peregrinavam a Jerusalém todos os anos para celebrarem a Páscoa. Quando jesus completou 12 anos, fizeram esta peregrinação. A caravana de Nazaré voltou para casa. Porém, Jesus ficou no Templo discutindo com os Doutores da Lei, enquanto seus pais pensavam que ele estivesse com os meninos na caravana. Quando notaram sua falta, voltaram a Jerusalém aflitos e só o encontraram depois de três dias, quando Jesus lhes disse que ‘Deveria cuidar das coisas de seu Pai.’ A perda do Menino Jesus, sem dúvida, foi uma grande dor para o coração de Maria, e também uma grande lição que ela guardou em seu coração
Quarta dor: o encontro com Jesus a caminho do calvário
Imagine a dor de Nossa Senhora ao ver seu filho carregando uma cruz, condenado como um bandido, rumo à morte. E, no caminho, o povo insultava e ofendia seu Filho, como se ele fosse realmente um mal feitor. Qual mãe não sofre ao presenciar isso’
Quinta dor: Maria vê seu Filho crucificado
A crucificação, com toda a crueldade e dor que envolvia, foi outra espada que transpassou o coração de Maria. Cada cravo que perfurava o corpo de seu Filho, perfurava também o seu coração. Cada chaga que abriam em seu Filho, abriam também em seu coração.
Sexta dor: um soldado perfura o coração de Jesus
Maria, de pé, presenciou a morte de seu filho. E, para certificar-se de que ele estava realmente morto, um soldado perfurou seu coração com uma lança, de onde jorrou sangue e água.
Sétima dor: o sepultamento de Jesus
Após presenciar a morte de seu Filho, Maria presenciou também seu sepultamento, num túmulo emprestado por José de Arimatéia. Aqui encerram as sete dores de Nossa Senhora, com a aparente vitória da morte. Porém, Jesus ressuscitou e a vida venceu a morte. Mas as dores de Maria certamente fazem dela a Co-redentora da humanidade, junto com Jesus.

A devoção à Virgem Dolorosa desenvolveu-se especialmente durante a Idade Média e recebeu grande impulso da Ordem dos Servos de Maria, fundada no século XIII. Em 1814, após retornar do cativeiro imposto por Napoleão, o Papa Pio VII estendeu a celebração a toda a Igreja. Em 1913, São Pio X fixou definitivamente a memória litúrgica em 15 de setembro, logo após a Festa da Exaltação da Santa Cruz.
Neste dia de devoção a Bem-aventurada Virgem Maria das Dores, somos chamados a meditar e viver a Palavra do Senhor, fonte de salvação. Assim como o corpo precisa de alimento, a alma necessita da Liturgia Diária: o verdadeiro sustento que vem de Deus. Como nos recorda Jesus: “Nem só de pão vive o homem, mas de toda palavra que sai da boca de Deus” (Mt 4,4).
Leitura da Carta aos Hebreus 5,7-9
Cristo, nos dias de sua vida terrestre, dirigiu preces e súplicas, com forte clamor e lágrimas, àquele que era capaz de salvá-lo da morte. E foi atendido, por causa de sua entrega a Deus. Mesmo sendo Filho, aprendeu o que significa a obediência a Deus por aquilo que ele sofreu. Mas, na consumação de sua vida, tornou-se causa de salvação eterna para todos os que lhe obedecem.
Palavra do Senhor. Graças a Deus.
Aclamação ao Evangelho
Aleluia, Aleluia, Aleluia. Feliz a virgem Maria, que, sem passar pela morte, do martírio ganha a palma, ao pé da cruz do Senhor!
O Evangelho deste 15 de setembro (festa de Nossa Senhora das Dores) é extraído de João 19,25-27: “Naquele tempo, perto da cruz de Jesus estavam de pé a sua mãe, a irmã da sua mãe, Maria de Cleofas, e Maria Madalena. Jesus, ao ver sua mãe e, ao lado dela, o discípulo que ele amava, disse à mãe: ‘Mulher, este é o teu filho’. Depois disse ao discípulo: ‘Esta é a tua mãe’. Daquela hora em diante, o discípulo a acolheu consigo.”
Na Liturgia diária encontramos direção, discernimento e a força para refletir o próprio Cristo em nossa vida. Vamos deixar que Sua vontade ilumine cada passo da nossa história.
Fotos: Reprodução













