Rádio Nacional: 90 anos de prestação de serviço em todo Brasil e destaque no cenário jornalístico e cultural

A Rádio Nacional está há 90 anos em sintonia com o Brasil. A maior estação radiodifusora do país, que leva informação, cultura, música, prestação de serviço e programação popular, nasceu em 12 de setembro de 1946. É a celebração da memória e do futuro da comunicação pública.
O Brasil daquele ano experimentava o desenvolvimento industrial e a expansão das cidades. Mas a maior parte da população ainda morava na Zona Rural e não sabia ler. O rádio foi o primeiro meio de comunicação de massa a falar para os brasileiros de forma mais abrangente. E a Rádio Nacional se tornou símbolo deste fenômeno.
Em mais um marco desta brilhante trajetória, a Rádio Nacional antecipou-se à própria história da nova capital federal. Quando Brasília ainda se erguia no cerrado, o rádio já fazia ecoar sua existência para todo o país.

Em 31 de maio de 1958, o presidente Juscelino Kubitschek inaugurava a Rádio Nacional de Brasília. A emissora operava em ondas médias e ondas curtas, permitindo com que os candangos que trabalhavam na construção da cidade se comunicassem com suas famílias residentes em outras regiões. Esse potencial abriria caminho para a expansão da rede, em 1977, com a estreia da Rádio Nacional da Amazônia.
A Rádio Nacional, é um dos veículos públicos que formam a Empresa Brasil de Comunicação (EBC). Ao longo da sua trajetória, acompanhou as transformações do país e das comunicações. Ao longo da sua jornada se desdobrou em sete emissoras principais: Rádio Nacional do Rio de Janeiro (1936), Rádio Nacional de Brasília AM (1958) e FM (1976), Rádio Nacional da Amazônia (1977), Rádio Nacional do Alto Solimões (2006), Rádio Nacional São Luís e Rádio Nacional São Paulo, ambas criadas em 2021.

Mara Régia di Perna, que era fá das cantoras da Rádio Nacional na adolescência, se tornou uma das apresentadoras mais queridas e longevas da emissora. Em 14 de setembro de 1981, a jornalista de 30 anos de idade, foi âncora pela primeira vez em um programa que criou e com que sonhou, voltado aos direitos sociais das mulheres, o “Viva Maria”.
Hoje, Mara Régia comemora 45 anos no ar com o programa Viva Maria, que aborda a valorização do universo feminino e os direitos das mulheres. Entre os maiores feitos do programa, Mara destaca as transmissões a partir da rodoviária do Plano Piloto, em Brasília, que impulsionaram a criação das Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher. Nesses 45 anos, foram veiculadas 8,2 mil edições pelas emissoras da EBC.
A Rádio Nacional, da Empresa Brasil de Comunicação, exibe a partir de hoje uma série de 14 podcasts com a incrível história do Viva Maria que se tornou referência internacional de informação sobre cidadania, gênero e direitos humanos.

A presidente da EBC, Antonia Pellegrino, afirma que a Rádio Nacional chega aos seus 90 anos como um patrimônio do país e também como uma emissora alinhada às demandas e necessidades atuais de seu público.
“O rádio permanece vivo, forte e presente. Ele se reinventa e estamos atentos a essas transformações. Nesse cenário, a EBC tem investido na qualidade das transmissões, na produção de novos conteúdos, na modernização da presença digital e no fortalecimento das parcerias com a Rede Nacional de Comunicação Pública, por exemplo. Celebrar essa história é também reafirmar o presente e o futuro da Nacional: uma rádio pública, sem fronteiras, conectada ao seu tempo e comprometida com a diversidade do país”, diz Pellegrino.
A Rádio Nacional foi fundada no Rio de Janeiro (RJ) pelo grupo do Jornal A Noite em 12 de setembro de 1936 com o prefixo PRE-8. A rádio nasceu privada, mas foi estatizada pelo presidente Getúlio Vargas na década de 1940, quando começou a ganhar força, passou a receber mais investimentos em transmissores e na programação e se firmou como fenômeno de expressão da cultura popular brasileira.

Teve papel fundamental na transmissão de notícias para todo o território brasileiro com o Repórter Esso, apresentado pelo jornalista Heron Domingues e que se tornou sucesso de audiência. Na época, a emissora chegava a receber milhares de cartas por dia enviadas por ouvintes de todo país.
Assumiu então o posto de campeã de audiência, de acordo com os registros do Ibope. Os ouvintes tinham acesso a notícias, música, radionovelas, radioteatro, quadros humorísticos, transmissões esportivas, entre outras abordagens, de modo inovador.
O acervo da EBC guarda as fichas dos antigos funcionários, que atraiam uma multidão de fãs para os programas de auditório. Estrelas como Emilinha Borba, Marlene, Cauby Peixoto, Pixinguinha, Paulo Gracindo, Heron Domingues, o apresentador do programa jornalístico Repórter Esso, entre outros.

Também estão preservados seis dos nove volumes originais dos roteiros de “Em busca da Felicidade”, a primeira radionovela transmitida no Brasil, que foi ao ar pela Rádio Nacional de 1941 a 1943. Pelo material, a EBC recebeu o certificado Memória do Mundo, concedido pela Unesco, em reconhecimento à importância histórica e cultural do acervo.
Os roteiros estão em processo de tombamento pelo Instituto do Patrimônio Artístico Nacional (Iphan), que deve ser concluído até o fim de 2026, de acordo com a gerente de acervo e pesquisa da EBC, Maria Carnevale. O passo seguinte será salvaguardar fotos, documentos e programas gravados.
O diretor-geral da EBC, Thiago Regotto, diz que “a história da Rádio Nacional, com todo o aprendizado, toda a expansão que ela fez, contribui para que ela seja um dos pilares do campo radiofônico para fomentar a radiodifusão pública. Uma rádio que toque música brasileira, que faça um jornalismo mais amplo, independente, contraditório, para que você consiga estimular a formação crítica das pessoas”.

A Rádio Nacional acumula uma galeria de troféus que evidencia a sua relevância no cenário jornalístico e cultural. O mais recente deles veio no ano passado. O programa Tarde Nacional SP foi escolhido pela Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA) como melhor programa cultural de rádio de 2025.
Fotos: Fabio Rodrigues-Pozzebom e Fernando Frazão da Agência Brasil, e Acervo da Rádio Nacional/EBC













