Navi Pillay Nobel da Paz 2026: jurista sul-africana referência na promoção da paz e do direito internacional

Bernadete Alves
Navi Pillay, exemplo na promoção da paz e do direito internacional, é Nobel da Paz 2026

Ao escolher o Prêmio Nobel da Paz 2026, o Comitê Norueguês decidiu premiar o mundo pela persistência, pela perseverança em seguir vivendo e buscando a harmonia possível. A jurista sul-africana Navi Pillay personifica o sistema multilateral. Em particular, o Tribunal Penal Internacional (TPI), que julga governantes e outras autoridades de Estado acusadas de crimes de guerra e crimes contra a humanidade.

O presidente do comitê, Jorgen Watne Frydnes, declarou que Pillay foi laureada “por sua coragem e integridade excepcionais em sua atuação jurídica e por seus esforços para promover a paz e o direito internacional”. “O Prêmio Nobel da Paz de 2026 é concedido a uma pessoa que, com coragem e integridade excepcionais, liderou o caminho rumo a uma ordem jurídica global mais abrangente. A laureada deste ano desempenhou um papel fundamental para garantir que crimes de guerra, crimes contra a humanidade e genocídio sejam processados”.

“O compromisso de Navi Pillay com os princípios jurídicos universais e sua firme bússola moral são constantes ao longo de sua extensa carreira. Nascida em uma família de origem tâmil indiana, durante o apartheid, em Durban, na África do Sul, Pillay tornou-se advogada e pioneira no campo jurídico, enfrentando a profunda discriminação estrutural, a segregação e a exclusão”, acrescentou o presidente do Comitê.

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Jørgen Watne Frydnes, presidente do Comitê Norueguês do Nobel, ao anunciar o Nobel da Paz 2026 em 9 de outubro

Pillay foi a 21ª mulher a ser laureada com o Nobel da Paz, de um total de 144 vencedores. Ela tem uma carreira de cinco décadas como advogada e juíza. Além de uma medalha, a jurista também receberá 12 milhões de coroas suecas (cerca de R$ 6 milhões).

Pillay não sabia que havia sido vencido o Nobel da Paz no momento em que o prêmio foi anunciado, segundo Frydnes. Geralmente, o comitê norueguês costuma ligar para o laureado antes do anúncio.

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Ao premiar a jurista sul-africana, a primeira a presidir a Corte Suprema da África do Sul, com papel decisivo na transição do regime segregacionsita do apartheid para a democracia racial, reconhece o trabalho de instituições que colocam em vigência o direito internacional, em um mundo onde potências militares seguem impondo – ou tentando impor – pela força agendas próprias, à revelia da comunidade das nações.

A laureada Navi Pillay, além de ter sido a Alta Comissária das Nações Unidas para Direitos Humanos, presidiu o tribunal especial para a chacina étnica em Ruanda e, mais recentemente, esteve à frente do comitê da ONU que acusou Israel de cometer genocídio contra os palestinos na Faixa de Gaza. Aos 85 anos, Navi Pillay, um exemplo na promoção da paz e do direito internacional, há de luzir como esperança para milhões de jovens.

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Navi Pillay Nobel da Paz 2026: jurista sul-africana referência na promoção da paz e do direito internacional

Navi Pillay dedicou o prêmio a “todos os sobreviventes de crimes internacionais”. A declaração foi dada durante coletiva de imprensa na histórica sala de audiências do Tribunal de Nuremberg, na Alemanha, onde foram julgados os principais líderes nazistas após a Segunda Guerra Mundial. “Gostaria de dedicar este prêmio a todos os sobreviventes de crimes internacionais”, disse Pillay, de 85 anos de idade.

A jurista também denunciou os ataques contra o Tribunal Penal Internacional (TPI) de Haia, cujos membros foram sancionados pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em represália pela emissão de um mandado de prisão contra o premiê de Israel, Benjamin Netanyahu.

“Estamos atravessando uma época em que o direito internacional e os direitos humanos são objeto de pesados ataques políticos. Essa deterioração é particularmente evidente nos ataques dirigidos ao Tribunal Penal Internacional”, lamentou Pillay, lembrando que, no mês passado, Trump chamou a instituição de “maléfica” e “fora da lei”.

Bernadete Alves
Moeda concedida aos vencedores do prêmio Nobel da Paz

A ganhadora do Nobel da Paz 2026 ainda fez um apelo a líderes internacionais para abdicarem de conflitos armados. “Vocês estão sujeitos a uma obrigação jurídica. Quaisquer que sejam os outros deveres morais que tenham, vocês têm a obrigação legal de proteger os direitos humanos e de se abster de fazer a guerra”, disse a jurista sul-africana Navi Pillay.

Bernadete Alves
Navi Pillay concede primeira coletiva de imprensa após ganhar Nobel da Paz 2026

Nascida em 23 de setembro de 1941, em Durban, em uma família de origem indiana tâmil, Navi Pillay se tornou advogada e enfrentou a discriminação estrutural do regime segregacionista, defendendo Nelson Mandela e outros opositores do apartheid.

Ela foi a primeira mulher não branca a ocupar o cargo de juíza na Alta Corte da África do Sul. Também atuou como magistrada do Tribunal Penal Internacional para Ruanda e do TPI, além de ter sido alta comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos entre 2008 e 2014.

Mais recentemente, presidiu a Comissão Internacional Independente de Inquérito da ONU sobre o Território Palestino Ocupado, função em que acusou Israel de genocídio na Faixa de Gaza. Atualmente, é juíza da Corte Internacional de Justiça (CIJ) no caso em que Mianmar é acusado de genocídio.

Fotos: NTB/Javad Parsa/via REUTERS, Patrick Semansky/AP