”A Jornada da Vida: Uma Nobre Escalada”, por Júlio Cézar Magalhães

O escritor colombiano Gabriel José García Márquez, prêmio Nobel de Literatura em 1982 e autor da obra-prima Cem Anos de Solidão, deixou-nos uma profunda lição filosófica: “Todo mundo quer viver em cima da montanha, sem saber que a verdadeira felicidade está na forma de subir a escarpada”. Em outras palavras, muitos almejam apenas o topo, esquecendo-se de que a verdadeira plenitude reside na própria subida da encosta.


Inspirados por essa sabedoria, eu e minha querida Assusete (in memoriam) procuramos trilhar a nossa encosta com inteligência e mansidão. Juntos, soubemos plantar flores e colher frutos a cada passo, escalando as adversidades com o ânimo e a disposição de quem tinha muito a somar.

Fizemos da caminhada uma oportunidade para contemplar a vida e cativar familiares e amigos, honrando o privilégio da existência. Trilhamos esse caminho com perseverança, companheirismo, solidariedade, cumplicidade e, acima de tudo, um amor profundo.


Assim, aproximamo-nos do alto da colina. Os frutos dessa nobre escalada são eternos e não foram em vão: manifestam-se em nossos queridos e amados filhos, nora e netos; na felicidade de termos vivido em paz; e no legado de termos semeado caráter, respeito e afeto por onde passamos.


Não alcançamos o topo físico da montanha, pois Deus, em Seu plano soberano, recolheu durante a travessia duas pérolas que nos havia emprestado. Contudo, a maior certeza que carrego, é a de que a felicidade não se resume a atingir o cume. O que realmente importa é a alegria de ter vivido intensamente cada etapa, encontrando a felicidade no próprio ato de subir as encostas da jornada da vida.

A caminhada da vida precisa continuar com lentes de afeto, com olhar intenso e genuíno. Sigo adiante semeando respeito e empatia: uma palavra que cura, um gesto que renova, um abraço que acalma, um sorriso sincero. É isso que nos faz verdadeiramente humanos. A vida nos presenteia diariamente com a oportunidade de ser luz no caminho de alguém. Por isso, escolho manter o coração puro, ser presença que acolhe, esperança que reacende, generosidade que transforma e paz que permanece em cada passo desta linda e enriquecedora jornada.


Por Dr. Júlio Cézar P. Magalhães, Engenheiro Civil e Bacharel em Direito