Nicette Bruno, pioneira da televisão brasileira, perde a vida para a Covid

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Atriz Nicette Bruno, pioneira da televisão brasileira

Registro com pesar mais um momento de dor e de luto. A atriz Nicette Bruno, perdeu a vida para a Covid, aos 87 anos, em plena atividade. Ela estava internada na Casa de Saúde São José, no Rio de Janeiro, desde o dia 26 de novembro. Segundo o hospital ela faleceu neste domingo por volta das 11h40.

Uma grande perda que entristece o coração de milhares de fãs desta extraordinária atriz de rádio, teatro e televisão e uma referência de mulher e de família. Nicette era um ser humano de doçura rara, adorável, com um talento incomparável. Uma gigante em tudo que fazia. A sua morte deixa a sensação de que perdemos um parente muito próximo.

Viúva, desde 2014, ela deixa os filhos também atores, Beth Goulart, Bárbara Bruno e Paulo Goulart Filho. E, também, uma multidão de fãs, colegas de trabalho e familiares.

Nicette será velada na segunda-feira (21) às 11h, fechado para família e amigos próximos. A cremação será às 13h30 no Cemitério da Penitência, no Caju. As cinzas vão ser levadas para o jazigo da família em São Paulo, onde está enterrado o ator Paulo Goulart.

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Nicette Bruno, a Madre Tereza, de Éramos Seis entre Irene Ravache e Glória Pires – as Lolas das versões anteriores

A última novela de Nicette foi em 2019, como Ester, em Órfãos da Terra. Este ano ela fez participação especial na novela Éramos Seis, remanke que ela protagonizou em 1977, na TV Tupi.

Nicete Xavier Miessa, conhecida pelo nome artístico Nicette Bruno, nasceu em 1933, em Niterói, no Rio de Janeiro. Filha da atriz Eleonor Bruno. Ingressou no mundo artístico aos 4 anos, num programa infantil na Rádio Guanabara, de Alberto Manes. A partir dos 11, iniciou a jornada nas escolas de teatro e aos 14 já era contratada, profissionalmente, pela companhia da atriz Dulcina de Moraes, chamada Dulcina-Odilon.

Nos palcos estreou em1945 com a peça  Romeu e Julieta, de William Shakespeare. Em 1947 recebeu a medalha de ouro de melhor atriz, pela atuação da personagem Ordella, em “A filha de Iório”, de Gabriel D’Annunzio, pela  Associação Brasileira de Críticos Teatrais (ABCT).

Nas duas décadas seguintes Nicette se tornou um dos grandes nomes da área cênica do Brasil. A atriz integrou importantes companhias do Brasil e foi consagrada com o prêmio de melhor atriz da ABCT e do Governo do Estado do Rio de Janeiro pela atuação no espetáculo Pedro Mico, do romancista Antônio Callado, em 1958.

Foi nesta década que Nicette conheceu o ator Paulo Goulart, com quem se casou em 1952, no Teatro de Alumínio, onde os dois trabalhavam em São Paulo. O casal contribuiu muito com a cultura brasileira.

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Casamento de Nicette Bruno com Paulo Goulart em 26 fevereiro 1954

Fundaram a companhia Teatro Íntimo de Nicette Bruno (Tinb), em 1953, que tinha como atores Rubens de Falco, Walmor Chagas e Tônia Carrero. O romance ficou conhecido pelo país, tanto pelo profissionalismo dos atores, como também pelo companheirismo dentro do relacionamento. Eles viveram por 60 anos, uma linda história de amor e cumplicidade, até ele falecer em  2014, vítima de câncer.

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Paulo Goulart e Nicette Bruno, parceiros de trabalho e de vida por seis décadas

Nicette Bruno também fez sucesso nas telenovelas. Estreou em   1967, com “Os fantoches”, de  Ivani Ribeiro. Rede Tupi e na TV Excelsior, na década 1960, a artista atuou nas novelas  “A muralha” (1968), “O meu pé de laranja lima” (1970), “Rosa dos ventos” (1973), “Como salvar meu casamento” (1979), “Sétimo sentido”(1982), “Louco amor” (1983), “Selva de pedra” (1986), “Rainha da sucata” (1990) e  “Mulheres de areia (1993). 

Na Globo, Nicette atuou na primeira adaptação do “Sítio do Picapau Amarelo”, exibida entre 1952 e 1962. Anos depois, estrelaria uma segunda versão da obra de Monteiro Lobato, produzida pela emissora entre 2001 e 2004, como Dona Benta. Naquela época conquistou uma nova geração. A atriz era unanimidade da crítica e do público.

Nicette Bruno é tão querida e carismática que conquistou com a personagem Ofélia, na novela Alma gêmea, em 2005, maiores audiências da Globo no horário das 18h. Além disso, a atriz esteve em Sete pecados, em 2007, também do autor, Walcyr Carrasco, como Julieta, conhecida como Juju, amor de Romeu.

Em 2011 participou da novela “A vida da gente”, em 2012 em “Salve Jorge”,m 2013, Nicette Bruno deu vida à Santinha uma matriarca portuguesa, na novela  “Joia Rara”, de Duca Rachid e Thelma Guedes, em 2015 fez “I Love Paraisópolis” e 2017 “Pega Pega”.

Em 2020, a artista apareceu como Madre Joana em Éramos seis, novela que interpretou Dona Lola em uma versão feita pela Rede Tupi em 1977.

No cinema a estreia foi em 1947, no filme Querida Susana, dirigido por Alberto Pieralisi.  Em 1952 atuou  em Canto da Saudade; em  1953 em Esquina da Ilusão, em 1998 em  Vila Isabel;em 2002, Seja o que Deus quiser; em 2008 atuou na  A guerra dos Rocha; em 2016, em Doidas e santas;  e  em 2018 com O avental rosa.

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Nicette Bruno como Maria destaque da Águia de Ouro, em 2016, no Carnaval de São Paulo

Descanse em paz, talentosa e incomparável Nicette Bruno. Obrigada por tantas alegrias, doçura e talento. Você viverá para sempre em nossos corações. Desejo que seus filhos e netos encontrem conforto nesta tragédia coletiva.

Nicette era luz, Nicette era paz, Nicette era alegria!