Genival Lacerda, ícone da música nordestina, perde a vida para a Covid

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Genival Lacerda, ícone da musica nordestina, perde a vida para a Covid

Música nordestina está de luto com o falecimento do ícone Genival Lacerda, aos 89 anos, vítima da Covid-19, nesta quinta-feira. O cantor estava hospitalizado no Hospital Unimed I, no Recife, no começo de dezembro de 2020, precisando de oxigênio. No dia 4 de janeiro, Genival Lacerda apresentou uma piora no quadro de saúde e no dia 6, a família começou uma campanha de doação de sangue para o cantor.

Segundo a assessoria de imprensa do cantor, o corpo do artista deixa o Recife no início da tarde e segue para ser sepultado em Campina Grande, ao lado do da mãe de Genival, Severina Lacerda. Genival deixa 10 filhos, netos e bisnetos.

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Genival Lacerda com Marcela e Michel Temer em 1917, no Palácio do Planalto

O paraibano carismático de chapeuzinho, roupas alegres e com a mão na barriga enquanto dançava e cantava, por exemplo um de seus grandes sucesso como “Severina Xique Xique”, deixa  o talento, a irreverência, um legado para o forró, xote, baião e rojão e mais de 30 discos de sucesso.

Em 2017, Genival Lacerda recebeu no Palácio do Planalto a medalha da Ordem do Mérito Cultural (OMC). Na cerimônia, aqui em Brasília, o rei do forró, tirou seu chapéu estampado de bolinhas ao passar diante do então presidente Michel Temer.

Conhecido por todo o Brasil durante 64 anos de carreira, Genival Lacerda era um símbolo da cultura do Nordeste.Sua morte foi lamentada por artistas, fãs e políticos. A Prefeitura de Campina Grande decretou luto oficial de três dias.

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Genival Lacerda Cavalcante nasceu em 5 de abril de 1931 em Campina Grande. Iniciou sua carreira aos 18 anos de idade. Como muita gente de sua época, ainda na era de ouro do rádio, começou num programa de calouros de Campina Grande, sua terra natal. Com ajuda de amigos que colecionou e diretores da Rádio Borborema, conseguiu compor o casting oficial dessa emissora a partir de 1953.

Mudou-se para Recife e ao participar do aniversário da Rádio Tamandaré, em 1955, impressionou tanto que foi contratado pela emissora. Na época ganhou o título “Dono do Rojão”. Dali conquistou o nordeste.

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Em 1964, Genival Lacerda se mudou para o Rio de Janeiro. Em 1975 se consagrou com “Severina Xique Xique” e o refrão “ele tá de olho é na butique dela” virou sua marca.

O músico viveu no Rio durante o auge da popularidade do forró no Sudeste, e conviveu com outros artistas fundamentais do estilo como Dominguinhos e Luiz Gonzaga. Genival também fez sucesso como “Radinho de pilha”, “Mate o véio” e “De quem é esse jegue”, que consolidaram o estilo bem humorado do “seu Vavá”, como também era conhecido.

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Genival Lacerda recebendo o Título de Cidadão de Recife

Nos anos 90, voltou a morar no Recife e, em 2016, ganhou título de cidadão recifense da Câmara dos Vereadores. Nos últimos anos, não tinha novos sucessos nas rádios, mas manteve o ritmo de shows e o reconhecimento popular.

João Lacerda, filho do cantor, usou o Instagram para homenagear Genival. “Hoje perdi um dos melhores amigos de minha vida, amigo da música, de ensinamentos, amigo que na hora de brigar, sempre brigava e minutos depois nem lembrava que brigava, porque não guardava mágoa de ninguém. Meu anjo da guarda, minha luz, minha vida, hoje ele fez sua última viagem para ficar ao lado do Senhor Deus. Ainda ontem me lembro de seu sorriso, de apertar sua mão! Agora terei de aprender a viver com sua imagem, e lembranças de um bom pai. Vai na paz meu pai, sempre te amarei, teu João Lacerda Neto #luto #genivallacerda”.

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Genival Lacerda com o filho João Lacerda

O artista faleceu, mas a obra dele vai ficar para sempre no coração dos brasileiros.