Ailton Krenak é o primeiro indígena a ocupar uma cadeira na Academia Brasileira de Letras

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ABL recebe Ailton Krenak: primeiro indígena a ocupar uma Cadeira

O ambientalista, filósofo e poeta, Ailton Krenak, grande defensor da valorização dos povos originários agora é imortal da Academia Brasileira de Letras. A posse ocorreu na noite de 5 de abril na sede da organização no Rio de Janeiro. Em 127 anos de história, a Academia Brasileira de Letras tem um primeiro indígena entre seus integrantes.

Ailton Krenak, de 70 anos, assume a Cadeira 5, “fundada” por Raimundo Corrêa, mas que também já foi ocupada por Oswaldo Cruz, Aluísio de Castro, Cândido Mota Filho e Raquel de Queiroz. Por último pertencia ao historiador José Murilo de Carvalho, morto em agosto de 2023.

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Fernanda Montenegro coloca o colar no doutor honoris causa reconhecido em três universidades federais

Fico feliz em ver que o pensador indígena, grande personalidade brasileira, se tornou imortal em um momento histórico para o Brasil. Como é bom ver que os povos originários estão ocupando cada vez mais espaços significativos. A cultura brasileira é formada de muitas fases e o pensador indígena traz uma dessas fases que está na raiz da ancestralidade brasileira. Krenak vai continuar semeando suas ideias para um futuro mais inclusivo e ancestral.

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Aiton Krenak toma posse na ABL com bençãos de Fernanda Montenegro

A cerimônia foi conduzida pelo presidente da Academia Brasileira de Letras, Merval Pereira que teve a companhia da ministra da Cultura, Margareth Menezes, do ministro dos Direitos Humanos, Silvio Almeida e da presidente da Funai, Joemia Wapichana.

A comissão de entrada foi formada por Edmar Lisboa Bacha, Joaquim Falcão e Ruy Castro. A comissão de saída por Ana Maria Machado, Geraldo Carneiro e Antônio Torres. Nos ritos de posse participaram os membros da ABL: Heloísa Teixeira, Arnaldo Niskier, Fernanda Montenegro e Antonio Carlos Secchin.

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Ambientalista Ailton Krenak é o primeiro indígena na Academia Brasileira de Letras

Vestido do tradicional fardão e bandana na cabeça, o consagrado escritor recebeu das mãos da atriz Fernanda Montenegro a benção e um colar e de Arnaldo Niskier a placa comemorativa pelo feito. Aplaudido de pé por uma seleta plateia.

Ailton Krenak disse que sua principal missão é trazer idiomas nativos brasileiros para a Academia, de fundação portuguesa. Ele pretende seguir o projeto do que é feito na Biblioteca Ailton Krenak e traduzir livros e documentos para os idiomas originários.

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ABL recebe Ailton Krenak: primeiro indígena a integrar os quadros da instituição

Krenak falou da pluralidade indígena que ele representa ao tomar posse na instituição. “Desde que me convidaram ou me animaram para ocupar essa cadeira número cinco, eu me perguntava: ‘Será que nessa cadeira cabem 300?’. Como dizia Mario de Andrade, eu sou 300. Olha que pretensão. Eu não sou mais do que um, mas eu posso invocar mais do que 300. Nesse caso, 305 povos, que nos últimos 30 anos do nosso país, passaram a ter a disposição de dizer: ‘Estou aqui’. Sou guarani, sou xavante, sou caiapó, sou yanomami, sou terena”, declarou orgulhoso.

Ailton Krenak se notabilizou internacionalmente, nos últimos anos, pelo ativismo socioambiental, dos povos originários, da cultura indígena e pelas denúncias contra os crimes ambientais, como o rompimento da barragem da Samarco em Mariana, Minas Gerais.

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Ailton Krenak: doutor honoris causa pela UnB, UFMG e UFJF, agora é imortal de instituição literária

Mas sua liderança é histórica. Lembrou de seu papel fundamental durante a Constituinte em 1987. Com o rosto pintado de jenipapo, Krenak discursou no Congresso pelo direito dos povos originários. A sua atuação foi determinante para a criação do “Capítulo dos Índios” na Constituição de 1988. A partir daí a imprensa nacional e internacional passou a acompanhar o defensor do meio ambiente e dos direitos das minorias.

Além dos ministros dos Direitos Humanos e da Cidadania, Silvio Almeida, e da Cultura, Margareth Menezes, e da presidente da Funai Joenia Wapichana; diversas lideranças indígenas de várias partes do país acompanharam o momento histórico para o país. Também foram até a sede da ABL, o artista plástico Carlos Bracher, escritora Conceição Evaristo, as atrizes Christiane Torloni, Elisa Lucinda, Lucélia Santos, a muralista Daiara Tukano, o jornalista André Trigueiro e a empresária Flora Gil, dentre outras importantes presenças.

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Ailton Krenak: pensador indígena diz ” Eu não sou mais do que um, mas eu posso invocar mais do que 300″, ao assumir cadeira 5 na ABL

O Brasil assistiu um momento de reconhecimento pela luta e resistência do ativista na defesa do meio ambiente e dos povos indígenas do nosso país. Uma das ideias da liderança Krenak para contribuir com a Academia Brasileira de Letras é a criação de uma plataforma conhecida com a Biblioteca Ailton Krenak, disponibilizando o acesso de centenas de imagens, textos, filmes e documentos em diversas línguas nativas.

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Ailton Krenak, pensador indígena com o cantor Gilberto Gil, imortais da ABL

Foi uma concorrida posse como há muito não se via no palácio fundado por Machado de Assis. Nas varandas produtos típicos das florestas brasileiras e para brindar a chegada do pensador indígena na suntuosa ABL, água de coco, pariri com cidreira e melissa com pitanga, chás servidos à temperatura ambiente. Além de frutas como carambola, goiaba e melancia.

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Ailton Krenak é o primeiro indígena a ocupar uma cadeira na Academia Brasileira de Letras

Ailton Alves Lacerda Krenak nasceu em Itabirinha, Minas Gerais, em 1953, na região do vale do Rio Doce. Aos 17 anos, mudou-se com a família para o Paraná, onde trabalhou como produtor gráfico e jornalista.

É ambientalista, filósofo, poeta, escritor e doutor honoris causa pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Universidade de Brasília (UnB) e Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). Tem trajetória marcada pelo ativismo socioambiental e de defesa dos direitos dos povos indígenas. Participou da fundação da Aliança dos Povos da Floresta e da União das Nações Indígenas (UNI).

Entre 2003 e 2010, Ailton Krenak foi assessor especial do governo de Minas Gerais para assuntos indígenas, nas gestões de Aécio Neves e António Anastasia. Em 2014, foi palestrante do seminário internacional Os Mil Nomes de Gaia, realizado no Rio de Janeiro.

Tem mais de 15 livros publicados, dentre os quais: A vida não é útil (2020), Futuro ancestral (2022) e Ideias para adiar o fim do mundo (2019). Alguns deles foram traduzidos para mais de 13 países. Conquistou o Prêmio Juca Pato de Intelectual do Ano, da União Brasileira dos Escritores (UBE), em 2020. Atualmente, vive na Reserva Indígena Krenak, no município de Resplendor, em Minas Gerais.

Fotos: Bruna Prado/AP e Reprodução

Ailton Krenak – doutor honoris causa pela UnB, UFMG e UFJF agora é imortal da ABL