Templos religiosos misturam fé e arquitetura de maneira única na Brasília de JK

Celebramos neste 21 de abril os 64 anos da cidade sonho de Dom Bosco e criação arrojada de um mineiro destemido, Juscelino Kubitschek. Viva Brasília, Patrimônio Cultural da Humanidade, Cidade da Esperança e coração pulsante do Brasil.
Festejar Brasília é também celebrar a trajetória da TV Brasília e do Correio Braziliense, que nasceram juntos. Veículos de imprensa sérios que se adaptaram as mudanças, se reinventaram às novas demandas e se alimentam da energia vibrante da cidade e de seu povo.

Em 21 de abril de 1960, Brasília nascia para o mundo e para a sua gente. Com os projetos urbanístico de Lúcio Costa e o arquitetônico de Oscar Niemeyer, surgia uma cidade sob formas inovadoras, diferente de tudo já feito até então. A data de seu nascimento marcava o dia da morte de Tiradentes, um dos líderes mineiros que defendeu a independência do Brasil no século XVIII.


O simbolismo ajudou a fortalecer em Brasília o ideal de liberdade de um povo e a coragem de uma nação, associando a inauguração à ideia de independência e rendendo homenagem aos inconfidentes que haviam sonhado com um Brasil livre.

Cidade planejada para o trabalho ordenado e eficiente, mas ao mesmo tempo cidade viva e aprazível, própria ao devaneio e à especulação intelectual, capaz de tornar-se, com o tempo, além de centro de governo e administração, num foco de cultura dos mais lúcidos e sensíveis do país.

A forma como Brasília foi povoada tornou-a plural, miscigenada e sincrética, representando a identidade de todo o Brasil. Na busca por dias e futuro melhores, milhares de brasileiros de diversos cantos do país, em especial do Nordeste e de Minas, vieram para construir a capital e buscar uma vida nova. Eles ficaram conhecidos como candangos. Os pioneiros, que fixaram moradia na cidade entre 1960 e 1965, ainda guardam histórias e casos daquela época.
Essa mistura de tanta gente diferente fez de Brasília um rico caldeirão de sotaques, sons e cores mudando vidas e transformando sonhos em realidade. Uma cidade símbolo da reinvenção do Brasil, a cidade da esperança e do acolhimento de um país inteiro dentro de seu quadrado.

Somos todos seus filhos, nascidos ou não, que aprendemos a amar esta cidade de coração. A cada amanhecer construímos sonhos e fazemos acontecer. Somos movidos de fé e coragem e inspirados com sua luz, com suas cores e flores e com seus templos religiosos que misturam fé e arquitetura de maneira única na Brasília de JK.

Os traços modernistas de Brasília se destacam em vários espaços: sejam nos palácios dos poderes nacionais, em museus e memoriais ou até mesmo nas áreas residenciais, eles fazem com que a capital federal seja admirada no mundo todo.

Toda esta beleza tem a marca de Oscar Niemeyer, que se consolidou como o mais importante arquiteto brasileiro do século 20. O gênio preencheu Brasília com seus edifícios monumentais e transformou a capital em um exemplo modernista mundial.

Os Templos religiosos são verdadeiras joias da capital e se transformaram em roteiro turístico e de contemplação proporcionando aos visitantes sensação de surpresa e emoção.
Dentre tantos que atraem olhares e turistas, dos gênios Oscar Niemeyer e Athos Bucão, destaque para a Catedral de Brasília, Santuário São João Bosco, Igrejinha Nossa Senhora de Fátima, Catedral Militar Rainha da Paz, Capela do Palácio da Alvorada e Paróquia Ortodoxa São Jorge.
Catedral de Brasília: uma das obras-primas de Niemeyer

O principal Templo Católico de Brasília, a Catedral é dedicada a Nossa Senhora da Conceição Aparecida, Padroeira do Brasil e de Brasília. A obra-prima de Niemeyer é um dos marcos no Eixo Monumental e, ao mesmo tempo, um templo católico e um espaço de arte.
Em linhas arquitetônicas singulares e originais, guarda as marcas características do seu arquiteto: concreto armado, vidro e espelhos d’água. De fora é possível notar a área circular de 70 metros de diâmetro em que foi erguida, de onde se elevam 16 colunas de concreto, num formato hiperbólico, medindo, cada uma, 42 metros de altura e pesando 90 toneladas, que parecem flutuar.
Na parte superior do Templo, onde as colunas parabólicas se unem numa laje, repousa expressiva cruz metálica, símbolo da Igreja Católica. Medindo 12 metros de altura, foi ali colocada no dia 21 de abril de 1968. Foi benta pelo Papa Paulo VI e guarda no seu interior duas relíquias: um fragmento da Cruz de Cristo e a Cruz Peitoral do primeiro Arcebispo de Brasília, D José Newton de Almeida Baptista.
O Espelho d’Água, sobre o qual a Catedral parece pousar, proporciona proteção e ajuda a refrigerar e garantir umidade ao ar seco do cerrado, além de refletir a beleza do Templo. Com 40 centímetros de profundidade e 12 metros de largura, tem capacidade para um milhão de litros de água. Circunda todo o Templo, ocultando a base das colunas e dando a impressão de que elas nascem dali. Os vidros da fachada estão afastados do Espelho d’Água cerca de 50 centímetros. É por essa fresta que entra na Catedral a brisa do cerrado umidificada pela água do Espelho.

As obras já começam do lado de fora: o acesso se dá através de quatro esculturas de bronze de três metros que representam os evangelistas. As Estátuas dos Evangelistas foram esculpidas por Alfredo Ceschiatti e Dante Croce, cada uma com três metros de altura, estão posicionadas à esquerda e à direita da entrada principal do Templo. Representam os quatro Evangelistas – Mateus, Marcos, Lucas e João – e o pergaminho que trazem à mão os identifica como os primeiros registradores da história de Jesus Cristo na Terra.

Na praça há um campanário criado por Niemeyer para ser a Torre da Catedral. Dotado de quatro sinos, foi inaugurado em 1977, por D. José Newton de Almeida Baptista, então Arcebispo de Brasília. Mede 20 metros de altura e suporta quatro sinos de bronze, doados pelo Governo da Espanha. Três deles – Santa Maria, Pinta e Nina –, lembram as Caravelas de Cristóvão Colombo na descoberta da América. O quarto – Pilarica – é uma homenagem a Nossa Senhora do Pilar, muito cultuada na Espanha. Desde 1987, controlados eletronicamente, os sinos tocam às seis, às doze e às dezoito horas.

A Cúpula do Batistério – uma construção de concreto armado, de forma ovóide, que protege e complementa o interior da Capela onde se realizam os batizados. Uma escada de mármore liga a parte externa do Templo ao Batistério, o que permite acesso direto a este, sem que seja necessário passar pela nave da igreja.
A Cúria Metropolitana de Brasília, complementa o conjunto arquitetônico da Catedral. Obra de Niemeyer, foi inaugurado em 2007 e abriga os diversos órgãos administrativos da Arquidiocese, como a Chancelaria, Comissões e Departamentos.

O interior é um capítulo à parte. Na entrada há um pilar com passagens da vida de Maria pintados por Athos Bulcão, artista que também possui um painel de lajotas cerâmicas no batistério, vitrais da artista Marianne Peretti e via sacra de Di Cavalcanti.

Três anjos, que variam de 100 kg a 300 kg, ficam suspensos por cabos de aço, obras de Alfredo Ceschiatti, que pairam sobre os fiéis como se fossem seus protetores.

A cobertura da nave tem um vitral composto por dezesseis peças em fibra de vidro em tons de azul, verde, branco e marrom inseridas entre os pilares de concreto. Cada peça insere-se em triângulos com dez metros de base e trinta metros de altura que foram projetados por Marianne Peretti e restaurados recentemente. Ao todo, são 2 mil metros quadrados de vitrais, que proporcionam uma sensação de bem-estar para quem está dentro da catedral. De acordo com a intensidade dos raios solares, as cores vão se alterando, o que proporciona um lindo espetáculo.
A Pietà, de Michelangelo, presente na Catedral de Brasília, é a primeira cópia em 500 anos de existência feita micromilimetricamente igual a original, exposta na Basílica de São Pedro. Foi reproduzida pelo museu do Vaticano, autorizada pelo Papa João Paulo II que a abençoou, levando 3 anos para ser concluída, executada em pó de mármore e resina.

O altar foi doado pelo papa Paulo VI, que é completado por uma imagem de Nossa Senhora Aparecida, uma réplica da original do Santuário de Aparecida, em São Paulo. A catedral é um dos pontos de visitação para turismo mais marcante da capital do país pois encontram a arte e a cultura de mãos dadas.
A Catedral Metropolitana de Brasília tem duas belas obras de Athos Bulcão. O painel de azulejos no Batistério e o conjunto de dez pinturas em tinta acrílica sobre placa de mármore branco.

Catedral Nossa Senhora Aparecida: Esplanada dos Ministérios, Brasília, DF / Horário de visitação: terça-feira a domingo, das 8h30 às 17h, com exceção dos horários das missas, que ocorrem de terça a sexta às 12h15; sábado às 17h; e domingo às 8h, 10h30 e 18h.
Santuário Dom Bosco

Também conhecido como Santuário Dom Bosco, o templo na Asa Sul foi construído em homenagem ao padroeiro de Brasília, que teria profetizado a existência da capital federal durante um sonho ainda no século 19.
Projetada pelo arquiteto Carlos Alberto Naves, a igreja foi inaugurada em 1970 e é famosa pelos seus vitrais em 12 tonalidades de azul de autoria do arquiteto Cláudio Naves e foi fabricado em São Paulo, pelo artista belga, Hubert Van Doorne, dando a impressão de um céu estrelado.



Além dos vitrais, o interior possui um lustre de três metros e meio de altura formado por 7.400 peças de vidro murano, projetado pelo arquiteto brasileiro Alvimar Moreira. Suspenso no meio da nave, com 3 mil kg, 3,5m de altura e 5m de diâmetro, composto por 7.400 peças de vidro Murano e 435 lâmpadas, representando Jesus – a luz do mundo.
Dentro do Templo a gente tem a sensação de estar rodeada pelo céu estrelado. É impossível não ficar atônito. No pôr do sol o espetáculo é ainda mais deslumbrante. Os raios entram pelo vidro e deixam a visita mais mágica e inesquecível.

A vida de Dom Bosco é relembrada em portas feitas em ferro e bronze com baixos-relevos. As doze enormes portas talhadas em bronze são de autoria do artista Gianfrancesco Cerri que assim representa cada obra:

- nas portas principais: imagens de Brasília e a descoberta do Brasil;
- na parte superior às portas: 1 – Ermida Dom Bosco; 2 – a 1ª missa em Brasília; 3- a 1ª capela e colégio do núcleo bandeirante; 4 – Santuário Dom Bosco;
- sobre as portas laterais: 16 quadros compondo a via sacra, também de Cerri;
- nas portas laterais: a vida, sonho e infância de Dom Bosco;
- nas maçanetas internas estão símbolos litúrgicos e sacros.

Nas portas, cada escultura em bronze divide-se em duas, uma em cada lâmina da porta, que se completam ao fechá-la.

A pia batismal é adornada por uma pirâmide pintada, representando o Rio Jordão e a pomba, representando o Espírito Santo. Ainda, um painel em bronze e o sacrário por pintura em acrílico, ambos de autoria de Cerri.

Entre uma coluna e outra estão os deslumbrantes vitrais e nas junções de cada lado, uma linda e enorme cruz, representando a ressurreição de Cristo. Ela fica no altar. A peça é entalhada em um tronco de cedro e tem oito metros de altura. No centro do salão, o lustre formado por 7.400 peças de vidro murano é a única iluminação no período noturno. São 3.000kg e 5m de diâmetro de luz.

Ao centro do nave, e ao fundo, entre as esculturas de Nossa Senhora e de Dom Bosco, está a cruz de madeira e Cristo Crucificado.
Na direita, a imagem de Nossa Senhora Auxiliadora, em mármore de Carrara. Também foi esculpida pelos dois irmãos italianos, doada pelo benfeitor Hugo Borghio.

No lado esquerdo está a escultura de Dom Bosco, em mármore de Carrara, obra dos irmãos italianos, Arrighini e Figlio, doada pelo reitor-mor dos salesianos na Itália – Dom Luis Ricceri.

No altar, a mesa é feita de bloco único de mármore rosa, com 10 toneladas. As “poltronas” são também esculpidas no mármore, contrastando com a simplicidade, logo atrás, de Jesus Cristo crucificado. Entalhado num único tronco de cedro, o Cristo tem 4,3m. A cruz de 8m de altura, ambos, obra do artista brasileiro Gotfredo Traller.
O santuário foi erguido segundo iniciativa da Congregação Salesiana. O exterior, todo em concreto e no estilo gótico, formado por 80 colunas de 16 metros de altura, não revela a beleza e a intensidade de cores do interior do Santuário Dom Bosco que já foi palco de alguns concertos da Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional com a regência do Maestro Claudio Cohen.
Santuário São João Bosco: Quadra 702 – Brasília – DF / Horário de visitação: diariamente das 7h às 19h, com exceção nos horários de missas, que ocorrem de segunda a sexta às 7h e às 18h30; sábado às 7h e às 18h; e domingo às 8h, 11h, 18h e 19h30.
Igrejinha Nossa Senhora de Fátima

A igrejinha faz jus ao nome por ser uma construção diminuta, mas que se torna grandiosa pelas linhas arrojadas de Oscar Niemeyer. Inaugurada em 1958, antes mesmo da oficialização de Brasília, hoje ela é um cartão-postal na Asa Sul da capital.
Ela foi erguida a pedido de Juscelino Kubitschek por conta de uma promessa da esposa Sarah Kubitschek, então primeira dama, relativa à saúde de uma das filhas do casal. A igreja tem três pilares que sustentam uma laje triangular inclinada e as paredes externas são revestidas com azulejos de Athos Bulcão.

Igrejinha Nossa Senhora de Fátima: EQS 307/308 – Asa Sul, Brasília – DF / Horários de visitação: diariamente das 6h às 20h, com exceção dos horários das missas, que ocorrem as segundas às 18h30; terças a sábados às 6h30 e às 18h30; e domingos às 7h; 9h; 11h e 18h.
Capela Nossa Senhora da Conceição – Palácio da Alvorada

A Capela do Palácio da Alvorada, é mais uma obra religiosa de Oscar Niemeyer, dedicada a Nossa Senhora da Conceição. Fica à esquerda do prédio principal, residência oficial do presidente da República.

Athos Bulcão assina o projeto decorativo, desde a porta de entrada, em alumínio anodizado, as paredes, revestidas de lambril de jacarandá-da-baía folhado em ouro, até a pintura do teto, feita em 1958, com símbolos do cristianismo.


Paróquia Ortodoxa São José

No Lago Sul fica mais uma obra modernista de Niemeyer, mas menos conhecida do que os outros templos e monumentos do arquiteto na capital. Projetada em 1986, ela só recebeu a primeira missa em 1994.
A paróquia é caracterizada por um grande edifício cilíndrico de 30 metros de diâmetro e 17 metros de altura, que é coroado por uma cúpula. São dois níveis interiores, sem uso de colunas. Missas ocorrem no nível superior, acessado por uma rampa curva externa; já o nível térreo guarda o salão paroquial.


Paróquia Ortodoxa São Jorge: EPDB – SHIS QI 09 – Lago Sul, Brasília – DF / Missas ocorrem às 10h dos domingos.
Catedral Militar Rainha da Paz

Projetada por Oscar Niemeyer, a Catedral Rainha da Paz é considerada a igreja-mãe da Arquidiocese Militar do Brasil. O templo foi construído com a estrutura metálica da cobertura do palco que abrigou a visita do papa João Paulo II na Esplanada dos Ministérios em 1991. Foi o sumo pontífice, hoje santo declarado pela Igreja Católica, que deu a bênção à pedra fundamental da Catedral. Em 1994, a igreja foi inaugurada em formato triangular que faz referência a uma barraca militar de campanha.

Uma grande cruz recebe os fiéis na entrada e o interior é constituído de um altar simples e por bancos largos. O monumento que embeleza a cidade e acolhe milhares de fiéis fica no gramado central do Eixo Monumental, área tombada de Brasília, via que divide o Plano Piloto entre as regiões norte e sul.

A Catedral é silenciosa, acolhedora e promove paz interior. Um local para se encontrar com Deus e consigo mesmo.



Catedral Militar Rainha da Paz: Canteiro Central do Eixo Monumental S/N – Setor Militar Urbano, Brasília – DF / Horário de visitação: diariamente entre 7h e 20h30, com exceção dos horários das missas, que ocorrem de segunda a sexta às 19h; sábado às 17h; e domingo às 8h, 10h e às 19h.

Brasília é um verdadeiro museu a céu aberto. Tem obras de arte, construções e artefatos de valor artístico presentes nas principais vias e praças da capital do país. É uma “prova viva” de que as pessoas são capazes de feitos incríveis. A cidade foi construída em apenas três anos e é considerada uma obra de arte do urbanista Lúcio Costa, do paisagista Roberto Burle Marx, do artista Athos Bulcão e do arquiteto Oscar Niemeyer. Eles deixaram um pouco da própria personalidade em cada criação.

Com o talento de Oscar Niemeyer e do urbanista Lúcio Costa, Brasília foi considerada Patrimônio Mundial da Humanidade pela UNESCO, com uma área tombada de mais de 112 km², o maior perímetro urbano sob proteção histórica no mundo. Um destino perfeito para quem curte arte moderna, planejamento urbano e história do Brasil.

Tudo isso é resultado do trabalho e dedicação dos bravos brasileiros de todos os cantos do país, que deixaram casas e famílias em busca de oportunidades de emprego na construção de Brasília. Em agradecimento a eles foi colocado no Praça dos Três Poderes em 1959 o “Monumento Dois Candangos”, obra em bronze de Bruno Giorgi.

A imagem de duas pessoas se abraçando é uma forma de dizer que guerreiros estão lutando por um país igualitário, já que os poderes estão reunidos na praça, o que representaria um símbolo de união, força e equilíbrio.

A escultura se destaca entre os grandes monumentos de Oscar Niemeyer, como os prédios do Palácio do Planalto, do Supremo Tribunal Federal e do Congresso Nacional.
Fotos: Fabio Rodrigues-Pozzebom, Marcelo Camargo e Marcelo Casal/Agência Brasil, Webysther Nunes/Wikimedia Commons e Arquivo Público do Distrito Federal













