Porto Alegre, Aeroporto e Rodoviária: continuam em alerta e estado crítico com sucessivas chuvas

bernadetealves.com
Aeroporto Salgado Filho em situação caótica com as sucessivas chuvas

Porto Alegre enfrenta os primeiros 12 dias de maio mais chuvosos desde 1961, de acordo com a Climatempo. O total acumulado do primeiro dia do mês até as 9 horas de domingo, 12 de maio está em 305,6 milímetros.

Este valor representa quase o triplo do volume de chuva médio para um mês de maio, que é de aproximadamente 113 milímetros. Somente nas últimas 48 horas, entre 9 horas do de sexta-feira (10) e 9 horas de 12 de maio, choveu 92,7 milímetros sobre a região do Jardim Botânico, na capital gaúcha.

Com isso o Guaíba voltou a superar os níveis da grande enchente de 1941. Na manhã desta segunda-feira, 13 de maio, o Guaíba atingiu 4,78 metros, três centímetros acima do recorde de 4,75 metros visto em 1941.

Previsões da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) divulgadas no domingo, 12 de maio, preveem que o nível da água pode chegar a 5,5 metros nos próximos dois dias.

A Defesa Civil do Estado afirma que a Sala de Situação projeta que o Guaíba alcance os níveis de 5,50 a 5,60 metros, aproximadamente, nos próximos dias. Se a previsão se confirmar, o rio voltaria a bater uma cheia histórica, que deve provocar mais enchentes na capital gaúcha.

O número de pessoas que estão temporariamente morando em abrigos no Rio Grande do Sul chegou a 80 mil (80.826), conforme o mais recente boletim da Defesa Civil estadual, divulgado às 9h desta segunda-feira (13).

bernadetealves.com
Porto Alegre, Aeroporto e Rodoviária: continuam em alerta e estado crítico com novo transbordamento do Guaíba

Devido às fortes chuvas que causaram estragos em centenas de cidades do Rio Grande do Sul, há duas semanas, mais de meio milhão (538.241) de gaúchos estão desalojados, porque foram obrigados a abandonar a própria casa para ficar em segurança.

As consequências dos temporais afetam cerca de 90% do estado, ou 447 dos 497 municípios, e mais de 2,11 milhões de pessoas foram impactos direta ou indiretamente pelos eventos climáticos extremos.

De domingo para hoje, mais quatro mortes foram confirmadas, elevando para 147 o número de vítimas. Os nomes das pessoas mortas identificadas e localidades dos óbitos podem ser consultados no site da Defesa Civil estadual. Ainda há 127 pessoas desaparecidas. No levantamento oficial, em todo o estado, há 806 feridos.

Mais de 76,4 mil pessoas foram resgatadas. Somam-se a esses salvamentos 10.814 animais domésticos e silvestres. Atuam nesses salvamentos 27.651 agentes públicos federais, do Rio Grande do Sul e de estados parceiros.

bernadetealves.com
Características geográficas dificultam escoamento da água no Rio Grande do Sul

Segundo os especialistas o relevo de Porto Alegre é um ponto-chave para explicar o acúmulo de água que causa enchentes na região metropolitana da capital do Rio Grande do Sul. Chuvas intensas e constantes que caíram no Vale do Taquari no fim de semana escorrem para o Guaíba fazendo com que transborde.

Além do relevo, também contribuíram para a gravidade do cenário da Grande Porto Alegre causado pelas chuvas extremas: a bacia hidrográfica da área; a formação topográfica das regiões no entorno da região metropolitana; e o efeito das tempestades no Oceano Atlântico.

bernadetealves.com
Porto Alegre, Aeroporto e Rodoviária: continuam em alerta e estado crítico e Centro Histórico da cidade vira lagoa

O professor Rualdo Menegat, do Instituto de Geociências da UFRGSe  coordenador-geral do Atlas Ambiental de Porto Alegre  alguns pontos da cidade são ainda mais baixos e ficam no nível do Delta do Jacuí como é o caso da zona norte onde fica o Aeroporto Internacional Salgado Filho. Além do mais Porto Alegre está localizada em um território plano. Esse tipo de relevo é comum em áreas que ficam a poucos metros do nível do mar, que é exatamente o que acontece ali, já que a cidade tem uma altitude média de 10 metros.

Além de ter um território baixo, a capital do estado é circundada de um lado por 40 morros, e limitada de outro lado pela orla fluvial do lago Guaíba. O Guaíba recebe água de cinco rios principais — Taquari-Antas, Gravataí, Sinos, Caí e Jacuí — que descem de pontos mais altos do estado.

O professor explica que os rios que formam o Delta do Jacuí e originam o Guaíba fluem em alta velocidade por causa da altitude de seus cursos. Normalmente, isso ajuda o Guaíba a desaguar na lagoa dos Patos e seguir fluxo para o mar. Por causa das  fortes chuvas e as cheias dos rios da região, o lago recebeu mais água do que o normal. Isso fez com que ele ultrapassasse sua cota de inundação. 

bernadetealves.com
Canoas é uma das cidades mais prejudicadas da grande Porto Alegre

Assim como os rios do Delta do Jacuí, o Oceano Atlântico também está sendo afetado pelas fortes chuvas e tempestades de ventos. Isso dificulta o escoamento da água.Os ventos fortes formam marés de tempestade. Isso faz o mar ‘crescer’, subindo o nível em até 2 metros. Mais alto do que o nível de escoamento da Lagoa dos Patos, impede que o excesso de água seja despejado no mar. Como resultado, a água do lago Guaíba e dos rios que o alimentam continua empossada em Porto Alegre e nas cidades vizinhas de baixa altitude”, explica o professor Rualdo Menegat da UFRGS.

É triste ver a cidade de Porto Alegre inundada, prédios históricos destruídos e a população em pânico. O Aeroporto Salgado Filho e a Rodoviária continuam com as atividades suspensas. Os estádios de Grêmio e Internacional estão inundados, assim como os centros de treinamento, impossibilitando que os jogadores trabalhem.

Os efeitos de médio e longo prazo das enchentes já anunciam um novo cenário. As imagens da destruição são apenas o início de um problema que vai além da emergência imediata. Os riscos econômicos e políticos são incalculáveis. O prejuízo em todo o estado é monumental. Não há como calcular agora as perdas desta catástrofe.

O Brasil inteiro está solidário às perdas sofridas pelos nossos irmãos gaúchos. Desde o início da grande catástrofe que atingiu o estado gaúcho, o Governo Lula não mede esforços para amenizar o sofrimento. Continua trabalhando incansavelmente para fornecer auxílio às famílias, apoio ao governo estadual e condições para as pessoas recomeçarem. O executivo federal já destinou R$60 bilhões para o Rio Grande do Sul e continua de prontidão.

Servidores das mais diversas áreas do governo federal, de governos estaduais e voluntários de todo o Brasil estão se doando em prol do semelhante. Verdadeiros heróis nos resgates às vítimas da tragédia ambiental no estado gaúcho. Exemplos de bravura, coragem e solidariedade que merecem todos os nossos aplausos e orações.

Em momentos como este que os nossos irmãos do Sul estão vivendo, não há como não refletir sobre a fragilidade da vida e dos gritos da natureza. Os graves efeitos das mudanças climáticas, infelizmente, já são uma realidade. O cenário continua preocupante e de ‘cheia duradoura’ com o repique de novas inundações praticamente em quase todos os rios do estado.

Fotos: Reprodução