Distrito Federal tem o maior Índice de Desenvolvimento Humano do Brasil, diz o Pnud

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Brasília tem o maior Índice de Desenvolvimento Humano do Brasil, diz o Pnud

Relatório apresentado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), apresentado nesta terça-feira, 28 de maio, mostra que o Distrito Federal é a unidade da federação com o maior Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM): 0,814.

O Índice de Desenvolvimento Humano Municipal leva em conta o estágio de desenvolvimento das populações, com base no acesso ao conhecimento, a uma vida longa e saudável e a um padrão de vida decente. O indicador varia de zero a um. Quando mais próximo de um, maior o nível de desenvolvimento humano. Com base nisso o Distrito Federal ocupa a posição de desenvolvimento humano mais alto do Brasil.

Betina Ferraz Barbosa, coordenadora da unidade de desenvolvimento humano do PNUD Brasil, diz que o IDHM do Distrito Federal é o maior do país por conta da renda per capita. “O que puxa o IDHM do DF pra cima é, sobretudo, a dimensão renda, e ela se dá pela renda per capita no DF advinda do setor público. Não é por causa de atividades econômicas robustas, mas o ponto é a circulação da renda per capita muito alta advinda do setor público que é na maioria federal”.

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Vista aérea da Asa Sul, Plano Piloto em direção ao centro

O indicador de renda no DF é de 0,821. Já em relação à longevidade, está em sexto lugar com 0,803. Em educação alcançou  0,817,ficando atrás apenas de São Paulo (0,839).

Segundo a pesquisa o DF tem o IDHM muito alto para mulheres, mas para negros (pretos e pardos) não tanto. Em relação à cor da pele, o IDHM para negros (0,637) é menor do que para brancos (0,814) no DF.

“Tem uma desigualdade muito grande entre negros e brancos no DF. É preciso aproximar essas desigualdades. No caso do Brasil, para acabar com a diferença entre IDHM entre brancos e negros seriam necessários nove mandatos presidenciais ou 35 anos para que o IDHM dos negros chegasse ao dos brancos (se o dos brancos se mantivesse na mesma posição)”, declara Betina Ferraz Barbosa.

Negras são 28,5% da população total, mas recebem 10,7% do total da renda do trabalho no Brasil. Estudo cita que as mulheres negras estão mais expostas à baixa longevidade, à menor possibilidade de estudo e à falta de renda.

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Mapa das regiões administrativas do Distrito Federal

As mulheres negras compõem a maior parte da população do país – são mais de 60 milhões, 28,5% dos brasileiros. Correspondem, também, à maior percentagem de brasileiros em idade ativa: 48,3 milhões, ou 28,4% do total.

É exatamente esse grupo, no entanto, o que fica mais longe dos ganhos em desenvolvimento humano no país. As violações se manifestam na esfera pública – com as desigualdades no mercado de trabalho, por exemplo – e na vida privada, com as responsabilidades que carregam dentro de casa.

“De forma marcadamente desproporcional à sua participação na população ou na força de trabalho brasileira, apenas 10,7% do total da renda recebida pela oferta de trabalho no país é destinado às mulheres negras”, diz o relatório do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud)

“Essa condição desfavorável também afeta seus dependentes, tornando-os suscetíveis a menor frequência escolar, menores anos de estudo e participação precoce no mercado de trabalho ou, ainda, ao trabalho infantil”.

O PNUD afirma ainda que os 60% mais pobres da população brasileira dependem, em grande parte, das condições de trabalho e vida das mulheres negras.

Mesmo ocupando o primeiro lugar, o IDHM do DF apresenta uma das maiores reduções de 2019 a 2021, com uma perda de 5,2%. Em 2012: 0,825; em 2019: 0,859; em 2020: 0,829; e em 2021: 0,814.

Tudo o que o DF conquistou de 2012 a 2019, ele perdeu. E ainda tem um retração, ele ganha 4,1% e perde 5,2%. Ou seja, o DF volta a um nível de desenvolvimento humano anterior a 2012. Mas, comparativamente aos demais estados, continua sendo o de IDHM maior”, diz a coordenadora da unidade de desenvolvimento humano do PNUD Brasil.

Apesar dessa queda, o DF ocupa a posição de desenvolvimento humano muito alto, veja as três regiões mais bem colocadas:

  1. Distrito Federal: IDHM 0,814
  2. São Paulo: IDHM 0,806
  3. Santa Catarina: IDHM d0,792.

Quando o IDHM é ajustado às desigualdades e se transforma no IDHMAD, o Brasil figura entre os países de baixo desenvolvimento humano. No DF, que tem alto IDHM, o IDHMAD cai para 0,673. O Distrito Federal sofreu impactos mais fortes quando teve seu IDHM ajustado à desigualdade, de acordo com o relatório.

“O ponto é que, as alterações climáticas, a desigualdade de gênero e raça, assim como os conflitos violentos e desequilíbrios de poder continuam a promover e a enraizar desigualdades, tanto as estabelecidas quanto as novas”, aponta o relatório.

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Mapa do desenvolvimento humano nos estados

O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento analisou também o impacto da crise sanitária nas unidades da federação e atualizou o ranking do IDHM do país. Concluiu que a pandemia da Covid-19 derrubou o Índice de Desenvolvimento Humano Municipal de todos os estados brasileiros.

Dentre as dez maiores taxas de mortalidade pela Covid-19 (por 100 mil habitantes), em 2021, quatro seriam de estados brasileiros – Rio de Janeiro (402,4), Mato Grosso (396), Rondônia (378,9) e Distrito Federal (368,4).

Mesmo com o maior IDHM, o DF ficou em 10° lugar comparado a outros países e estados brasileiros. O relatório aponta que nenhum estado brasileiro foi pouco impactado pela pandemia.

“É inegável que a pandemia gerou fortes consequências por todo mundo, mas podemos observar que os impactos foram mais severos nos países e nas regiões com desafios estruturais e padrões de desenvolvimento díspares”, diz trecho do relatório do PNUD.

O Pnud verificou que a pandemia fez com que o IDHM do Brasil recuasse em pelo menos seis anos, retomando o patamar de desenvolvimento humano de 2015.

“O Brasil, nesses dez, anos se divide em dois tempos: o Brasil com uma tendência vitoriosa na melhoria consecutiva até 2019 do IDH brasileiro e nos estados também; e, depois, o IDH sofre perdas com os dois anos consecutivos da pandemia da Covid-19”, declarou Betina Ferraz Barbosa, coordenadora da unidade de desenvolvimento humano do PNUD Brasil.

Entre ganhos e perdas ao longo em longevidade, educação e renda, o Pnud atualizou o ranking do desenvolvimento humano no país. Apesar de ser uma das unidades da federação que mais sofreu após a pandemia, o Distrito Federal apresenta o maior IDMH do país (0,814). Na escala definida pelo órgão das Nações Unidas, o DF está na faixa de desenvolvimento humano muito alto. Na outra ponta, o Maranhão tem o IDMH mais baixo do país (0,676).

Para obter estas informações o estudo sobre o desenvolvimento humano no Brasil analisou indicadores dos estados e das regiões metropolitanas em um período dez anos, de 2012 a 2021.

Fotos:  Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud)