‘Amazônia bela e essencial’ nas lentes de Hiromi Nagakura com Ailton Krenak

O CCBB Brasília é palco da exposição Hiromi Nagakura até a Amazônia, com curadoria de Ailton Krenak, imortal da ABL. O trabalho do premiado fotógrafo japonês é reconhecido pela técnica apurada e pela humanidade ao retratar populações de lugares remotos e em situações de ameaça. Com tema atual e urgente, a exposição explicita as culturas e cosmogonias dos povos indígenas brasileiros e seus desafios.


A abertura no dia 10 deste mês reuniu cerca de 300 convidados dentre eles o embaixador do Japão no Brasil, a presidente da Funai Joenia Wapichana, a presidente da Funarte Maria Marighella, o fotógrafo da presidência da República Ricardo Stuckert, o presidente do Instituto Tomie Ohtake Ricardo Ohtake, o gerente-geral do CCBB Brasília André Giancotti, lideranças indígenas, defensores da causa ambiental, apreciadores da arte e imprensa.


A exposição produzida pelo Instituto Tomie Ohtake, oferece ao público um recorte de culturas indígenas amazônicas, com imagens produzidas por Hiromi Nagakura. O material foi registrado na década de 1990 em cinco viagens feitas à Amazônia, durante as quais Nagakura visitou áreas Yanomami, Xavante, Krikati, Gavião, Yawanawá, Huni Kuin e Ashaninka, sempre guiado pelo líder Ailton Krenak, curador da exposição.

O presidente do conselho do Instituto Tomie Ohtake, Ricardo Ohtake e Gabriela Moulin, diretora executiva do Instituto, prestigiaram a abertura da mostra Hiromi Nagakura até a Amazônia, com Ailton Krenak, que fica em cartaz em Brasília até o dia 18 de agosto, com entrada franca, sempre das 9h às 21h, na Galeria 1.



Ailton Krenak abriu a exposição celebrando a causa ambiental e os povos originários. O imortal da ABL falou da importância em se preservar a natureza e os ensinamentos dos povos originários. Enfatizou a relevância de proteger o meio ambiente e valorizar a sabedoria dos povos originários.


Ailton Krenak falou sobre a grata oportunidade de apresentar e celebrar a diversidade cultural do país por meio das fotografias. “Esses povos retratados na exposição constroem uma linda narrativa sobre a diversidade étnica. A minha convivência com o Hiromu Nagakura enriqueceu o meu entendimento sobre a importância dessa diversidade contemplar o enriquecimento da nossa existência como comunidades humanas”.

Krenak, é uma das pessoas mais importantes na luta pelos direitos indígenas e pela preservação ambiental.

As viagens de Krenak e Nagakura já foram registradas anteriormente em publicações, exposições e documentários no Japão, onde tiveram grande reconhecimento. O livro intitulado “Assim como os rios, assim como os pássaros: uma viagem com o filósofo da floresta, Ailton Krenak”, publicado em Tóquio, em 1998 (editora Tokuma), é considerada por Krenak uma biografia de si elaborada pelo fotógrafo japonês.


Nagakura, que começou sua carreira como fotojornalista nos anos 1970, já trabalhou registrando ilhas do Pacífico Sul, povos nômades do Afeganistão e conflitos em El Salvador. Pelos seus livros e exposições, venceu o 12º Prêmio Ken Domon, o Prêmio Anual da Associação Fotográfica do Japão, em 1993, e foi convidado para o Festival Internacional de Fotojornalismo de Perpignan, França, em 2006.


A escritora e produtora cultural Angela Pappiani falou sobre a importância de preservar uma cultura que já existia antes do Brasil ser descoberto. “Por trás da sabedoria do povo indígena tem uma realidade de muito conflito. As fotos são belas, mas elas também estão passando uma mensagem que é dura. É importante que a gente se conscientize disso, porque os territórios estão sendo invadidos, os peixes que eles consomem estão contaminados de mercúrio. Enquanto sociedade, a gente tem que lutar pelos direitos desses povos que já estavam aqui.“



Fotos: Divulgação













