Descobertas recentes revelam vínculo entre fragilidade óssea e diabetes tipo 2

O corpo absorve e substitui o tecido ósseo constantemente e quando a nova criação óssea não acompanha a remoção da camada óssea anterior surge a osteoporose. Uma doença que se caracteriza pela perda progressiva de massa óssea, tornando os ossos enfraquecidos e predispostos a fraturas. Muitas pessoas não apresentam sintomas até que tenham uma fratura óssea.

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Osteoporose impacta a rotina das pessoas

Segundo o Ministério da Saúde, cerca de 10 milhões de pessoas convivem com a osteoporose no Brasil. Dessas, apenas 20% reconhecem a presença da doença em suas vidas. O dado apresentado revela a importância da discussão do tema, uma vez que, apesar de estar presente na vida de mulheres pós-menopausa com maior frequência, a osteoporose pode atingir outros grupos como os homens que podem desenvolver a doença pois a redução da produção de estrogênio colabora com a diminuição da massa óssea.

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Osteoporose: diagnóstico e tratamento e sua relação com a diabetes tipo 2

Entre os diversos caminhos que podem ser tomados para a prevenção e o tratamento da osteoporose estão: a presença de uma alimentação rica em cálcio, a manutenção da vitamina D com qualidade e a presença regular de atividades físicas e exercício de levantamento de peso para ajudar a prevenir a perda óssea ou fortalecer os ossos já fracos.

O diabetes é uma condição na qual os níveis de glicose, ou açúcar, no sangue estão altos. A glicose é a principal fonte de energia do corpo e precisa do hormônio insulina, produzido no pâncreas, para chegar às células. A insulina  tem a função de quebrar as moléculas de glicose(açúcar) transformando-a em energia para manutenção das células do nosso organismo. 

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Descobertas recentes revelam vínculo entre fragilidade óssea e diabetes tipo 2

Assim, se você tem diabetes, o seu organismo não produz insulina suficiente ou não a utiliza bem. Então, a glicose se acumula no sangue. Se essa situação não for controlada, podem ocorrer sérios problemas de saúde, como um maior risco de infarto, derrame, danos aos rins, nervos e à visão. Em casos mais graves, o diabetes pode levar à morte.

Segundo a Sociedade Brasileira de Diabetes, há diferentes tipos de diabetes. O Tipo 1 é causado pela destruição das células produtoras no pâncreas da insulina, devido à falha do sistema imunológico. Isto é, os seus anticorpos atacam as células que fabricam o hormônio. Isso acontece em 5% a 10% dos casos. Via de regra, é uma doença crônica não transmissível, hereditária. Ele se manifesta mais frequentemente em adultos, mas crianças também podem apresentar. O diabetes tipo 1 aparece geralmente na infância ou adolescência, mas pode ser diagnosticado em adultos também. Pessoas com parentes próximos que têm ou tiveram a doença devem fazer exames regularmente para acompanhar a glicose no sangue.

O Tipo 2 é resultado da resistência à insulina e de deficiência na sua secreção. Ocorre em cerca de 90% dos diabéticos. A causa do diabetes tipo 2 está diretamente relacionado ao sobrepeso, sedentarismo, triglicerídeos elevados, hipertensão e hábitos alimentares inadequados. Os sintomas podem incluir: Aumento da sede e da fome e da frequência de urina, Visão turva, Cansaço, Dormência ou formigamento nos pés ou nas mãos, Feridas que não cicatrizam, e Perda de peso sem causa aparente.

Por isso, é essencial manter acompanhamento médico para tratar, também, dessas outras doenças, que podem aparecer junto com o diabetes. A melhor forma de prevenir é praticando atividades físicas regularmente, mantendo uma alimentação saudável e evitando consumo de álcool, tabaco e outras drogas. Comportamentos saudáveis evitam não apenas o diabetes, mas outras doenças crônicas, como o câncer.

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Medição da glicemia e quando é considerado normal

Descobertas recentes revelam vínculo entre o diabetes e a fragilidade óssea. Segundo o endocrinologista Francisco José Albuquerque de Paula, ex-presidente da Associação Brasileira de Avaliação Óssea e Osteometabolismo – Abrasso, a osteoporose é uma doença muito negligenciada e que pessoas com diabetes tipo 2 são mais propensas a fraturas.

“Durante décadas, o diabetes mellitus tipo 2 (DM2) não estava incluído entre as doenças associadas à fragilidade óssea. Em grande parte, isso se devia ao fato de que a massa óssea, o principal parâmetro clínico para diagnóstico de osteoporose, estar preservada ou até mesmo aumentada nesta condição. Nas últimas décadas, diversas evidências desmistificaram essa ideia: não só existem dados constatando aumento de fratura nesta população, como avanços têm sido alcançados no conhecimento sobre alterações qualitativas em diversos níveis da estrutura óssea, algumas tendo relação direta ou indireta com o descontrole metabólico. É um grande desafio conscientizar os mais diversos agentes da saúde que a osteoporose é mais uma complicação associada a esta doença metabólica e que tem configuração pandêmica”, assegura Dr. Francisco.

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Osteoporose: a importância do diagnóstico para evitar a diminuição da massa óssea

Segundo o especialista o aumento da fragilidade óssea em pacientes com diabetes tipo 2 pode estar ligado a vários fatores. Exames de imagem mais sensíveis como a tomografia computadorizada quantitativa periférica de alta resolução (HRpQCT) têm permitido detectar a presença de porosidade cortical em ossos longos. Já a versátil técnica de ressonância magnética foi utilizada para mostrar que a composição de lipídios em adipócitos da medula óssea está associada a maior risco de fratura. Indivíduos com DM2 com fratura apresentam menor quantidade de lipídios insaturados e maior de saturados que seus pares com glicose normal. Em nível molecular, modificações estruturais do colágeno parecem que podem ser causadas pelo acúmulo de produtos finais de glicação avançada.

O endocrinologista diz que o diabetes mellitus tipo 2 predispõe a uma série de complicações: as clássicas macroangiopáticas (infarto, AVC, obstrução da circulação periférica) e microangiopáticas (nefropatia, retinopatia e neuropatia). Tais complicações e as alterações no metabolismo de glicose, lipídios e proteínas comprometem a manutenção da massa muscular.

“Sob este aspecto, vários estudos mostram comprometimento muscular na pessoa com DM2. A combinação de prejuízo muscular e ósseo é a senha para que outra combinação apareça como queda e fratura”, informa o especialista.

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Tabela da glicemia e quanto de glicose é considerado diabetes?

Outro aspecto que não pode ser esquecido é a influência que o tratamento do diabetes mellitus pode exercer sobre o metabolismo ósseo e a suscetibilidade à fratura. As tiazolidenedionas aumentam a adipogênese da medula óssea, levam a queda na massa óssea e a maior risco de fratura. Entre os medicamentos mais recentes, um estudo sugeriu que a canagliflozina pode se associar a maior risco de fratura. Mais estudos serão necessários para esclarecer esta associação. O uso da insulina também se mostrou associado à fratura. Todo o conhecimento sobre a influência da insulina sobre o osso indica que, a princípio, a insulina tem efeito benéfico, estimulando a formação óssea e exercendo atividade positiva sobre os osteoblastos, que são as células formadoras de osso. No entanto, como a insulina pode eventualmente levar à hipoglicemia e esta, por sua vez, provocar queda, esse pode ser o motivo pelo qual o uso de insulina traz maior risco de fratura.

“É fundamental destacar que a osteoporose, em geral, é uma doença muito negligenciada, mesmo para pessoas que têm muito alto risco de fraturas, incluindo aquelas que já tiveram uma fratura por fragilidade óssea. Quando se trata de uma doença altamente prevalente como o diabetes mellitus tipo 2, e o principal parâmetro de avaliação de osteoporose, que é a massa óssea, não está, em geral, prejudicado, a negligência na avaliação e tratamento da osteoporose e na prevenção de fraturas entre essas pessoas é ainda maior”, alerta Dr. Francisco José.

Nos últimos anos, algoritmos foram elaborados para melhorar a avaliação e auxiliar na indicação de tratamento da osteoporose no DM2. O ponto principal que se destaca é a importância de cuidar da saúde óssea em pacientes com DM2. Desde o início, é essencial orientar as pessoas sobre a importância de uma alimentação saudável não apenas para o controle metabólico de glicose e lipídios, mas também para preservar a saúde óssea. O tipo de exercício que mais ajuda a manter a massa óssea deve ser orientado, assim como uma alimentação correta em relação ao conteúdo de cálcio, níveis de vitamina D dentro do normal e quantidade adequada de proteína na dieta. É necessário considerar que os medicamentos disponíveis para o tratamento da osteoporose são eficazes na promoção de aumento de massa óssea nos indivíduos com DM2.

Todos esses aspectos devem receber uma orientação cuidadosa por parte dos profissionais de saúde para os pacientes com essa doença grave, que quando associada à osteoporose, pode resultar em um prejuízo significativo na qualidade de vida. “Portanto, é essencial não negligenciar a saúde óssea de pessoas com diabetes mellitus, em particular do tipo 2, uma doença altamente prevalente na nossa população”, finaliza o médico.

Como o assunto é de grande relevância para a saúde pública, a Associação Brasileira de Avaliação Óssea e Osteometabolismo vai realizar o 11º BRADOOCongresso Brasileiro de Densitometria, Osteoporose e Osteometabolismo, para discutir as “Novas Recomendações do Tratamento da Doença Óssea no Diabetes Mellitus Tipos 1 e 2″.

O evento será nos dias 21 a 24 de agosto no Centro Internacional de Convenções do Brasil (CICB), St. de Clubes Esportivos Sul Trecho 2, em Brasília.

Fotos: Divulgação