Nestlé desenvolve variedade de café no Brasil para reduzir impactos ambientais e regenerar o campo

A Nestlé, gigante suíça dos alimentos, se comprometeu a reduzir em 20% suas emissões de gases de efeito estufa (GEE) até o fim do ano que vem e 50% em 2030, atingindo a neutralidade em 2050. A base de comparação é o ano de 2018. Para tanto investiu em melhoria genética para produzir mais grãos em menos hectares plantados.
O resultado foi o Star 4, a nova variedade de café desenvolvida no Brasil com dois objetivos principais: oferecer aos cafeicultores mais produtividade e resistência a doenças. A novidade foi apresentada em julho deste ano e promete mais produtividade e menos uso de insumos químicos – passos essenciais para que a empresa atinja suas metas climáticas.
O Star 4, um grão tipo arábica, é resultado do trabalho de uma equipe composta por Botânicos e Agrônomos da Nestlé, em parceria com especialistas da Fundação Procafé, entidade sem fins lucrativos que apoia o desenvolvimento tecnológico do setor.
A Star 4 tem período menor de crescimento, alta tolerância a ferrugem, uma das principais doenças que atingem o café brasileiro, e menor emissão de carbono.
O projeto iniciou-se há uma década, recebeu investimento de R$ 5,5 milhões e foi desenvolvido em fazendas de São Paulo e Minas Gerais, importantes regiões cafeeiras do Brasil. Foram utilizados métodos tradicionais de melhoramento genético e a variedade foi selecionada no Brasil por sua resiliência, qualidade, produtividade e o sabor característico do café brasileiro.
Enquanto a demanda global pela bebida continua aumentando, eventos climáticos recentes sugerem que a área adequada para cultivar café Arábica pode ser reduzida em mais de 50% até 2050, segundo Relatório de Avaliação do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas.
A Nestlé, que é uma das maiores compradoras de grãos de café do mundo, desenvolveu o projeto Star 4 visando mitigar o impacto dessas mudanças na cadeia de suprimentos de café e garantir que o cultivo sustentável esteja disponível para as futuras gerações.

A redução das emissões de GEE provenientes dos maiores rendimentos do café é atribuída à produtividade aprimorada das plantas, bem como aos métodos de cultivo. Marcelo Burity, Chefe de Desenvolvimento de Café Verde da Nestlé, afirma: “Segundo relatório da MDPI, instituição pioneira na publicação acadêmica de acesso aberto, a maioria das emissões de GEE na cadeia de produção do café moído origina-se do seu cultivo. Portanto, otimizar as práticas de cultivo continua sendo vital para reduzir os impactos ambientais de cada xícara de café”.
Taissara Martins, gerente de ESG de cafés da companhia, diz que numa plantação de café a maior parte do impacto climático acontece no campo, particularmente no uso de fertilizantes, com contribuições de herbicidas e inseticidas.
No caso do café, diz Taissara, uma variedade mais produtiva – que vai exigir menos adubação por saca de café – e resistente a pragas oferece um “combo” que é bom para o vendedor e o comprador. “Comparamos o Star 4 com o catuaí vermelho, o catuaí amarelo, o Bourbon, variedades muito comuns no Brasil”, diz Taissara Martins, gerente de ESG de cafés da companhia. “Houve uma redução de 36% a 41% nas emissões de gases.”
O novo cultivar pertence à Nestlé, mas a companhia olha para esse tipo de iniciativa como uma espécie de software de código aberto. A Nestlé não tem o objetivo de tornar essa variedade exclusiva. A companhia acredita que pesquisa e tecnologia devem ser compartilhadas e o desenvolvimento de uma cafeicultura mais produtiva e sustentável é uma agenda pré-competitiva.
A empresa visa engajar os agricultores para cultivar a variedade, disponibilizando a Star 4 para produtores de café e o plano de distribuição de mudas será construído em conjunto com os interessados e sem custo.
Um cafeeiro plantado hoje só vai dar fruto em dois anos, e as plantas podem durar mais de 20 anos. Fazendas que estejam fazendo essa renovação – chamada de reforma do cafezal – são uma porta de entrada importante para os novos grãos desenvolvidos pela Nestlé.
A vantagem em apostar na nova variedade é que o Star 4 tem rendimento maior por área e produz grãos maiores. Sem falar nos ganhos climáticos trazidos pela nova planta. Emitir menos CO2 hoje é fundamental para evitar problemas ainda maiores no futuro.
Além da nova variedade de grãos no Brasil, a Nestlé tem quatro fazendas experimentais – duas no Equador, uma na Costa do Marfim e uma na Tailândia – para estudar variedades mais resistentes às condições climáticas futuras.
“Talvez surja uma combinação genética ótima que prospere em lugares com pouca disponibilidade de água”, diz Marcelo Burity, responsável pela área de desenvolvimento de cafés verdes na Nestlé global.
Burity aposta no Brasil, responsável por quase 40% do café produzido no mundo, e afirma que o país tem a capacidade técnica para se adaptar as mudanças climáticas. “Se não somos os melhores, estamos entre os melhores em termos de pesquisa agrícola e temos os canais para levar a inovação e a pesquisa para a mão do produtor.”
A Nestlé tem mais de 100 anos de atuação no Brasil gerando milhares de empregos nas suas 20 unidades industriais localizadas em vários estados e está presente com seus produtos em 98% dos lares brasileiros.
Fotos: Divulgação













