Oscar Schmidt: um dos maiores jogadores de basquete de todos os tempos morre aos 68 anos

Bernadete Alves
Morre Oscar Schmidt: a lenda do basquete brasileiro e mundial

É com pesar que registro o falecimento de Oscar Schmidt, lenda do basquete brasileiro, aos 68 anos, nesta sexta-feira, 17 de abril, após parada cardiorrespiratória, após uma longa batalha de 15 anos contra um tumor cerebral. O ex-atleta estava em casa, em Santana de Parnaíba, na Grande São Paulo, quando passou mal e precisou ser levado às pressas ao hospital.

Oscar deixa a esposa Maria Cristina Victorino Schmidt (Cris), com quem era casado desde 1981, e dois filhos: Filipe e Stephanie Schmidt, familiares e milhares de fãs. O ex-jogador, reconhecido mundialmente pelo talento e empatia, foi cremado em cerimônia privada com a camisa da seleção brasileira de basquete.

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Oscar Schmidt com a esposa Maria Cristina e os filhos Filipe e Stephanie Schmidt

Em nota, a família agradeceu as manifestações de apoio e reforçou que a despedida ocorreu de forma íntima, restrita aos parentes próximos. “A despedida foi realizada de forma discreta apenas entre parentes próximos”, informa uma foto com texto publicado na página oficial de Oscar no Instagram.

Oscar parte, mas seu legado, sua paixão e tudo o que representou para o esporte jamais serão esquecidos. Nunca ninguém vestiu a camisa da seleção brasileira com tanto orgulho e amor. O “Mão Santa” marcou gerações com sua trajetória brilhante dentro das quadras. Que familiares, amigos e admiradores encontrem força neste momento de profunda dor.

Dono de uma carreira histórica, Oscar é reconhecido como um dos maiores jogadores de basquete de todos os tempos, com recordes expressivos, como o de maior pontuador da história da seleção brasileira e dos Jogos Olímpicos.

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Oscar Schmidt: lenda do basquete brasileiro de todos os tempos

Multicampeão nas quadras e dono de tantos recordes, Oscar gostava de dizer que não havia nada mais precioso do que viver: “Não brinque com a vida. Viva ela intensamente naquilo que você puder. Se você tem dez, viva dez. Se você tem 20, viva 20. E se você tiver muito, viva muito. Porque ela é uma só e quando acaba, acabou”.

Oscar Schmidt entrou para o Hall da Fama do Comitê Olímpico do Brasil (COB) nove dias antes de morrer. A homenagem aconteceu em 8 de abril, durante cerimônia de gala no Copacabana Palace, no Rio de Janeiro, quando Oscar foi eternizado na galeria de ídolos do esporte nacional. Conhecido como “Mão Santa”, ele é o brasileiro com mais participações olímpicas no basquete – cinco ao todo.

Por questões de saúde, Oscar não compareceu à cerimônia, mas foi representado por seu filho, Felipe Schmidt, que recebeu a premiação das mãos de Hortência, campeã mundial de basquete.

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Oscar Schmidt: o “Mão Santa” no Hall da Fama da NBA em 2013

Oscar integra também o Hall da Fama da Federação Internacional da modalidade (Fiba) e o Hall da Fama da NBA, em 2013, mesmo sem nunca ter atuado oficialmente na liga americana, em reconhecimento à carreira e à contribuição ao basquete mundial. No discurso, relembrou momentos da trajetória e agradeceu às pessoas que fizeram parte da sua história.

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Oscar Schmidt: de Brasília para o mundo

Oscar Schmidt nasceu em Natal, no Rio Grande do Norte, em 16 de fevereiro de 1958. A família mudou para Brasília e morou na SQS 313. Ali nasceu Tadeu Schmidt, irmão de Oscar.

O sonho de Oscar era ser jogador de futebol, mas, por causa da altura, migrou para o basquete. Em Brasília, começou no Colégio Salesiano, sob orientação do técnico Zezão, e depois seguiu para o Clube Unidade Vizinhança, na 108 Sul, onde foi treinado por Laurindo Miura.

Em 1974, aos 16 anos, mudou-se para São Paulo e passou a atuar no time infantojuvenil do Palmeiras. Após se destacar, foi convocado para a seleção brasileira de base e, posteriormente, para a principal.

Oscar chamou a atenção do técnico Cláudio Mortari, que o levou para o Sírio. Em 1979, conquistou o Mundial de Clubes de Basquete, seu primeiro título de grande expressão. No ano seguinte, disputou os Jogos Olímpicos de Moscou com a seleção brasileira, que terminou na quinta colocação.

No início dos anos 1980, transferiu-se para o JuveCaserta, da Itália, a pedido do técnico Bogdan Tanjevic. Permaneceu por 11 temporadas na liga italiana, considerada à época a segunda mais forte do mundo, atrás apenas da NBA.

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Oscar Schmidt: maior pontuador da história da seleção brasileira e dos Jogos Olímpicos

Após os Jogos Olímpicos de Los Angeles 1984, foi draftado pelo New Jersey Nets, mas recusou o contrato para continuar defendendo a seleção brasileira. Em 1987, conquistou a medalha de ouro no Pan-Americano de Indianápolis, após vitória sobre os Estados Unidos na final.

Pela seleção, acumulou recordes ao longo de quase duas décadas, com cinco participações consecutivas em Olimpíadas, além de marcas como o maior pontuador da história dos Jogos e a melhor média de pontos. Oscar Schmidt somou 49.737 pontos ao longo da carreira e, por anos, foi o maior pontuador da história do basquete até 2024, quando foi superado por LeBron James, que alcançou 49.760 pontos em jogos oficiais.

O Presidente Lula, que cumpre agenda na Espanha, lamentou morte de Oscar Schmidt e exalta legado em publicação nas redes sociais. Segundo Lula, o atleta foi “o maior ídolo da história do basquete brasileiro e um dos maiores cestinhas da modalidade” e também “uniu e elevou o nome do país”.Sua dedicação elevou o nome do pais e fez dele inspiração para gerações de atletas e amantes do esporte“.

“Oscar Schmidt o “Mão Santa”, foi o maior ídolo da história do basquete brasileiro e um dos maiores cestinhas da modalidade. Exemplo de obstinação, talento e de amor à camisa da Seleção”.

Bernadete Alves
Oscar Schmidt: um dos maiores jogadores de basquete de todos os tempos morre aos 68 anos

O Ministério do Esporte por meio de nota, relembrou a trajetória vitoriosa do atleta. “Conhecido mundialmente como “Mão Santa”, Oscar foi um dos maiores nomes da história do basquete e um dos maiores atletas do esporte brasileiro. Ao longo de uma carreira brilhante, construiu marcas impressionantes, sendo o segundo maior pontuador da história do basquete, com 49.737 pontos, e o maior cestinha da história dos Jogos Olímpicos, com 1.093 pontos”.

“Pela Seleção Brasileira, deixou um legado inesquecível, é o maior cestinha da história, com 7.693 pontos. Destaque para a histórica conquista da medalha de ouro nos Jogos Pan-Americanos de 1987, em Indianápolis, sobre os anfitriões norte-americanos, além de participações memoráveis em cinco edições dos Jogos Olímpicos: Moscou 1980, Los Angeles 1984, Seul 1988, Barcelona 1992 e Atlanta 1996, sempre com atuações de excelência e protagonismo.”

Bernadete Alves
Carreira de Oscar Schmidt: maior ídolo do basquete brasileiro

Oscar Schmidt, após se aposentar das quadras, entrou para a política. Entre 1997 e 1998, ele foi Secretário Municipal de Esportes, Lazer e Recreação de São Paulo durante a gestão do prefeito Celso Pitta. Em 1998, “Mão Santa”, como era conhecido, deixou a pasta para concorrer a uma cadeira no Senado pela antiga legenda Partido Progressista Brasileiro (PPB), hoje Progressistas (PP), mas perdeu a corrida para Eduardo Suplicy (PT). Naquele ano, Oscar obteve 5,7 milhões de votos (36,9% do total), enquanto Suplicy ficou com 6,7 milhões (43,1%).

Em 2013, em entrevista ao SporTV, da Globo, o ex-atleta revelou que se candidatou a senador porque sonhava em se tornar presidente da República. “Dali para a Presidência é um pulo”, afirmou à época.

Oscar revelou que chegou a receber um convite para se candidatar a senador de novo, nas eleições de 2022. Mas, embora tenha recebido uma “proposta generosa em dinheiro”, segundo ele, preferiu recusar e abandonou a carreira política.

Fotos: Reprodução/Instagram