Caio Bonfim: medalhista de prata em Paris é recebido com festa e desfila em carro dos Bombeiros do DF

O medalhista olímpico Caio Bonfim chegou em Brasília no dia 9 e foi recepcionado com festa por centenas de pessoas no aeroporto. O atleta brasiliense ganhou medalha de prata na marcha atlética de 20 km nas Olimpíadas de Paris. A primeira na história do Brasil na modalidade.
“É como ganhar outra medalha, chegar aqui e ter esse carinho, essa recepção. Brasília sempre foi o lugar que eu quis permanecer e ser abraçado”, disse o atleta.

Em Sobradinho, onde mora com a família caio foi recebido com muita festa. O medalhista desfilou pela cidade em carro do Corpo de Bombeiros ao som do locutor que dizia: “É com muita alegria e muita satisfação que a nossa cidade recebe de braços abertos o nosso campeão olímpico Caio Bonfim”.
Penduradas no caminhão do Corpo de Bombeiros, uma bandeira do Brasil e outra do Distrito Federal, além de uma faixa onde estava escrito “Quem acredita sempre alcança. Parabéns, Caio Bonfim”.

Várias pessoas vestidas com a camiseta do Brasil acompanharam o desfile e, ao longo do caminho, gritavam o nome do medalhista e acenavam para o atleta que fez história em Paris ao conquistar segundo lugar na marcha atlética de 20 km.

O brasiliense esteve entre os líderes durante toda a prova, sendo responsável por puxar o pelotão de frente em vários momentos. Com duas punições na reta final, a prova teve emoção até o fim, com Caio Bonfim pendurado e brigando pelo ouro até os metros finais.
Caio Bonfim se tornou o primeiro atleta da história do país a ir ao pódio pela primeira vez na carreira somente na sua quarta participação. Caio esteve nos Jogos de Londres 2012, Rio 2016 e Tóquio 2021, e conseguiu sua primeira medalha em Paris.

Medalhista Caio Bonfim

Caio mora em Sobradinho com a família. Os treinos dele são feitos nas ruas de Sobradinho e no estádio Augustinho Lima, onde a família Bonfim realiza o projeto Centro de Atletismo. O marchador do DF é exemplo de superação. Caio teve meningite aos sete meses de idade e duas pneumonias graves. Em sua primeira infância, não ingeriu derivados de leite devido a uma intolerância à lactose e os ossos fragilizaram. Sem a suplementação adequada de cálcio, as pernas ficaram arqueadas, tortas.
Aos 3 anos de idade foi operado e, anos depois, o filho de João Sena e Gianetti Sena Bonfim, ambos marchadores, Caio surpreendeu os médicos ao se tornar atleta quando tinha 16 anos. Superou o preconceito das pessoas que diziam que “homem que é homem não rebola na rua”. Com o tempo, o brasiliense percebeu que o problema não era nele, estava dentro da ignorância de algumas pessoas que surgiram. Focou, continuou, insistiu e deu a resposta contra o preconceito de poucos. “Simplesmente vivi, fechei os ouvidos para às ofensas”.

A persistência e o foco do atleta deu resultado. Em Paris, após conquistar a prata declarou: ” Nessa prova nós não estamos brincando de rebolar. Nós somos uma potência. Nós somos medalhistas olímpicos. Eu fui muito xingado no primeiro dia que marchei com meu pai. Não é me fazendo de vítima. Eu só comecei com 16 anos, porque era muito difícil ser marchados. Eu decidi ser xingado e não ter problema com isso, não liguei. Difícil não foi a prova de hoje, foi vencer o preconceito, pessoas infelizmente ignorantes, elas olham a aparência”, disse o brasileiro olímpico. Ele também agradeceu a família, ao Brasil e todos que o apoiaram nesta jornada.
Em 2024, com a medalha olímpica no peito, o atleta brasiliense Caio Bonfim voltou a sua cidade natal após conquistar a prata na marcha atlética nos Jogos Olímpicos de Paris. O retorno a Sobradinho, cidade natal, foi repleto de emoção.
Gratidão Caio, pela medalha inédita para o Brasil e por levar Brasília para o mundo. A Marcha Atlética é uma prova exaustiva e você manteve os pés nos chão com dignidade para calar a boca dos críticos.
Fotos: Lucio Bernardo Jr/ Agência Brasília













