Brasil é ouro em Olimpíada Europeia de Informática para Garotas na Holanda

O Brasil conquistou sua melhor marca na Olimpíada Europeia de Informática para Garotas (EGOI) 2024 realizada na Holanda, de 21 a 27 de julho de ano. Nosso país conquistou uma medalha de ouro, uma prata e um bronze.
Além do objetivo de fortalecer a autoconfiança das garotas, a competição busca afirmar exemplos femininos na área da computação, ao permitir que as meninas se conheçam, façam contato e inspirem umas às outras. A edição de 2024 da Egoi teve participação de cerca de 200 meninas, de 55 países. Foram premiadas 91 garotas, 15 com ouro, 30 com prata e 46 com bronze.
A delegação brasileira foi formada por Maria Clara Fontes Silva, de 15 anos, estudante do nono ano do ensino fundamental, no Colégio de Orientação e Estudos Integrados (Coesi) em Aracaju, foi a brasileira mais bem classificada e trouxe o ouro para o Brasil e os holofotes para a educação na região Nordeste e colocou o país em evidência na competição internacional.

“Receber a medalha foi muito gratificante por ser um esforço reconhecido, e foi importante para que eu possa ver minha evolução nas competições de programação”, disse a medalhista de ouro.
Sofia Torres, de 15 anos e 28º lugar, é estudante da Escola Americana de Belo Horizonte. A terceira brasileira mais bem classificada. Estela Baron Nakamura, de 17 anos, ficou em 80º e estuda no Colégio Pódion, em Brasília.
Estela Nakamura está no terceiro ano do ensino médio e também foi bronze na Egoi 2023, na Suécia. A estudante de Brasília conta que, em dois dias de competição na Holanda, teve de resolver problemas que envolviam algoritmos, estruturas de dados, lógica e matemática.
“Nós, a equipe brasileira, ficamos muito animadas com o resultado, pois, além de conseguir medalhas de ouro, prata e bronze, ainda podemos participar de novo ano que vem. Poder participar da competição e conversar com meninas do mundo inteiro com certeza tornou essa experiência única”, diz Estela Baron.
A medalhista Estela diz que a competição ajuda a influenciar meninas para que sigam carreiras na área. “Além de fazer provas, tivemos palestras de patrocinadores que atuam no ramo tecnológico e pudemos aprender um pouco mais sobre outras oportunidades e caminhos de carreira para o futuro.”

Esses resultados garantiram ao Brasil a quarta posição geral na competição, algo inédito para a delegação que participa desde 2021 do evento. Gabriela Barbieri Stroeh, de 16 anos, do Colégio Etapa Valinhos, em São Paulo, também fez parte da delegação brasileira. A jovem ficou em 122° geral.
As competidoras brasileiras foram acompanhadas da professora Juliana Freitag Borin, do Instituto de Computação da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas). A doutora em ciência da computação, conta que a proposta desse tipo de competição é criar um ambiente onde as meninas possam se sentir seguras e trocar experiências. “A ideia não é simplesmente ir em busca das medalhas, mas também que essas meninas sirvam de modelo para atrair mais garotas para a área da computação”.
Juliana Freitag Borin também relembra as dificuldades enfrentadas até o evento. “Foi preciso conseguir patrocínio para arcar com as taxas de participação e a viagem da equipe. Além disso, as meninas são menores de idade, então tem que conseguir os formulários para viagem, autorização dos pais. É bem burocrático”, diz. O evento cobre a alimentação e a hospedagem das equipes.
Para Juliana Borin, mostrar meninas participando de Olimpíadas, como a Egoi, e obtendo bons resultados ajuda a atrair o interesse delas por essa área. “A gente precisa que as mulheres atuem em TI, na computação, porque é uma área que hoje em dia está inserida em todas as outras”.
A delegação se formou após resultados em outras provas, como a Olimpíada Brasileira de Informática. Durante os dois dias de competição, onde as meninas têm de resolver quatro problemas de matemática, lógica e programação em até cinco horas. As soluções são apresentadas no formato de um programa. Cada problema possui sub-tarefas, que se resolvidas, melhoram a pontuação. Além das provas práticas, as garotas também participaram de uma feira do conhecimento e testes algorítmicos.
A Olimpíada Europeia de Informática para Garotas (European Girls” Olympiad in Informatics – EGOI) é uma competição feminina de programação inspirada pelo sucesso da Olimpíada Europeia de Matemática para Garotas (European Girls” Mathematical Olympiad – EGMO). O formato da competição é semelhante ao de competições como a Olimpíada Internacional de Informática (International Olympiad in Informatics – IOI) e a Olimpíada da Europa Central de Informática (Central European Olympiad in Informatics – CEOI).
Movimento Meninas Olímpicas

Com o objetivo de buscar equidade de gênero e incentivar a participação feminina em olimpíadas de conhecimento, as irmãs Natalia e Mariana Groff criaram em 2015, o Movimento Meninas Olímpicas (MMO). Em 2019, Mariana foi medalhista de ouro na Olimpíada Europeia de Matemática para Garotas, em edição sediada em Kiev, na Ucrânia.
O MMO busca aumentar a participação feminina em espaços estratégicos, como nos meios político, científico, empresarial, além de incentivar a participação de mulheres em olimpíadas do conhecimento. O movimento funciona, hoje, como um projeto institucional da Universidade Federal de Santa Maria e levanta dados sobre a sub-representação feminina em olimpíadas de conhecimento e em espaços de poder no Brasil.
É coordenado pela cientista da computação e filósofa Nara Bigolin, que é mãe das irmãs Groff. A professora Nara também foi coordenadora da Equipe Brasileira Egoi 2021. Bigolin diz que as garotas ainda estão sub-representadas nas olimpíadas mais prestigiadas, que facilitam o acesso às melhores universidades do mundo.
“Nas olimpíadas que não abrem grandes oportunidades, as meninas são 50% das premiadas. Nas que dão chance de entrar no MIT, em Princeton e em Harvard, são 5%. Quanto maior a oportunidade da olimpíada, menor a presença de meninas”, afirma a filósofa Nara Bigolin.
Além da UFSM, algumas universidades no Brasil e no mundo adotam as chamadas “vagas olímpicas”, destinadas a vencedores de olimpíadas científicas nos anos escolares. O Movimento Meninas Olímpicas mantém um portal eletrônico gratuito que reúne informações sobre olimpíadas científicas que ocorrem no Brasil, para todas as idades e gêneros.
O portal pode ser acessado no endereço https://olimpiadas.ufsm.br/.
Fotos: Juliana Freitag Boring/Arquivo pessoal













