Lula diz que “tarifas arbitrárias” desestabilizam a economia mundial e defende unidade regional na Celac

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participa da 9ª Cúpula de Comunidade de Estados Latino-americanos e Caribenhos (Celac), realizada em Tegucigalpa, capital de Honduras, para debater sobre o atual cenário político-social.
O encontro ocorre no contexto de forte tensão na região em meio ao endurecimento das políticas contra imigração do governo dos Estados Unidos (EUA), liderado pelo presidente Donald Trump, além da guerra de tarifas iniciada pela Casa Branca.

Além da presidenta de Honduras e anfitriã do encontro, Xiomara Castro, da presidenta do México, Claudia Sheibaum; do presidente da Colômbia, Gustavo Petro; do presidente do Uruguai, Yamandu Orsi; do presidente da Bolívia, Luís Arce, entre outros.
A Celac reúne 33 países latino-americanos e caribenhos. A presidenta de Honduras e anfitriã do encontro, Xiomara Castro, recebeu, além do presidente Lula, a presidenta do México, Claudia Sheibaum; o presidente da Colômbia, Gustavo Petro; o presidente do Uruguai, Yamandu Orsi; o presidente da Bolívia, Luís Arce, o presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, entre outros.

Em meio a tudo isso Lula disse nesta quarta-feira, 9 de abril, que “tarifas arbitrárias” desestabilizam a economia mundial e elevam preços, e que a América Latina e o Caribe precisam redefinir seu lugar na nova ordem global. “Quanto mais fortes e unidas estiverem nossas economias, mais protegidos estaremos contra ações unilaterais”, disse o presidente.
O presidente do Brasil disse que a América Latina e o Caribe correm o risco de virar uma zona de influência de novas potências. “A América Latina e o Caribe enfrentam hoje um dos momentos mais críticos de sua história. (…) Nossa autonomia está novamente em xeque. Tentativas de restaurar antigas hegemonias pairam sobre nossa região”.
“Nossa inserção internacional não deve se guiar somente por interesses defensivos, mas precisamos de um programa de ação estruturado”, disse o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O presidente brasileiro pediu atuação conjunta dos países para a defesa da democracia, contra a mudança climática e para a integração econômica e comercial. “Quanto mais fortes e unidas estiverem nossas economias, mais protegidos estaremos contra ações unilaterais”, afirmou Lula.
Ao pedir que os países aumentem o intercâmbio de bens e serviços, Lula afirmou que o volume do comércio do Brasil com a Celac é maior do que o país tem com os EUA e próximo ao estabelecido com a União Europeia.
Lula também sugeriu que o bloco debata a regra do consenso, que segundo ele, “gera mais parálise do que unidade, se convertendo em um verdadeiro direito ao veto”. “A expectativa de uniformidade é irrealista”, expressou aos demais presidentes, pedindo a criação de um grupo de trabalho para analisar uma mudança na regra da Celac.
O presidente Luiz Inácio defendeu que os países da América Latina e do Caribe se unam em torno da candidatura única de uma mulher da região para o cargo de secretária-geral da Organização das Nações Unidas (ONU).
“A Celac pode contribuir para resgatar a credibilidade da ONU, elegendo a primeira mulher secretária-geral da organização”, afirmou Lula. O Brasil sugeriu uma declaração especial sobre o tema para ser apreciada durante o encontro.
“Considero que hoje, mais do que nunca, é um bom momento para reconhecer que América Latina e Caribe requerem solidariedade e unidade de seus governos e de seus povos, a fim de fortalecer uma maior integração regional, sempre no marco do respeito mútuo e observância e soberania e independência de nossos países e acordos comerciais que cada um pode ter”, disse a presidenta do México, Claudia Sheinbaum.
“Existe uma agenda proposta para a solidão e uma agenda proposta para a ajuda comum. E depende do que escolhemos como prioridade. A agenda da solidão só tem dois nomes: imigrações e bloqueio. A agenda da ajuda comum é mais complexa, mais difícil, mas muitíssimo mais interessante para todos e todas aqui presentes”, reforçou o líder colombiano, Gustavo Petro.

Além da questão do tarifaço de Trump a deportação de latino-americanos pelos EUA foi fortemente questionada pelos presidentes na cúpula. Gustavo Petro, da Colômbia, disse que aceitar a deportação de migrantes acorrentados seria voltar à época dos navios negreiros.
Já a presidenta do México, Claudia Sheinbaum, disse não aceitar a criminalização de latino-americanos que vão ao norte global em busca de melhores condições de vida.
Miguel Díaz-Canel, presidente de Cuba, afirmou que os Estados Unidos estão promovendo uma “agenda agressiva” marcada pelo unilateralismo em temas de migração, comerciais e outros, e chantageando outros países.
Tanto Petro como Díaz-Canel questionaram a prisão de migrantes que estavam nos EUA em prisões de alta segurança da América Central e do Caribe.
Celac
A Comunidade de Estados Latino-americanos e Caribenhos foi lançada em 2010 e está em atividade desde 2011. Reúne os 33 países da América Latina e do Caribe que abrangem uma área de mais de 22 milhões de km², o que equivale a cinco vezes o território da União Europeia. A população total somada, de 670 milhões, é o dobro do número de habitantes dos Estados Unidos.
O bloco promove o diálogo político de alto nível e ações de cooperação regional em diversos temas, como segurança alimentar, energia, educação, saúde, inclusão social, desenvolvimento sustentável, transformação digital e infraestrutura para a integração.
Fotos: Ricardo Stuckert/PR













