Dia de Santo Ivo: advogado dos pobres e farol de retidão e moral

Bernadete Alves
Oração a Santo Ivo: protetor da advocacia

Celebramos neste 19 de maio o Dia de Santo Ivo, um personagem notável, cuja vida inspira há séculos não apenas juristas, mas todos os que creem na justiça como expressão do amor cristão: Santo Ivo de Kermartin, o advogado dos pobres, proclamado patrono dos advogados, juízes e defensores públicos.

Yves Hélory, filho de uma família nobre, mas desde cedo revelou desprendimento material e profunda sensibilidade para com os necessitados. Sua vida foi marcada pela sabedoria e pela justiça. Em tempos de tantas distorções, propagação do ódio e falta de respeito com as pessoas e a Mãe natureza, reverenciar Santo Ivo é recordar o verdadeiro sentido do exercício do Direito como instrumento de equidade, defesa dos injustiçados e aproximação com o divino.

Santo Ivo, em seu tempo, enfrentou estruturas opressoras, resistiu à corrupção e foi um farol de retidão moral. Para os advogados de hoje, sua vida permanece como um chamado à vocação: servir à Justiça com coragem, sabedoria, fé e compaixão.

Bernadete Alves
Santo Ivo: oração poderosa do santo da Justiça

Como ele próprio disse certa vez, dotado de profunda inspiração:
“Advogado, lembra-te: tua língua é espada, tua justiça é escudo, tua missão é servir, e tua causa maior é o ser humano”.

Bernadete Alves
Santo Ivo: advogado dos pobres e santo da Justiça
  • O advogado deve pedir a ajuda de Deus nas suas demandas, pois Deus é o primeiro protetor da Justiça;
  • Nenhum advogado aceitará a defesa de casos injustos, porque são perniciosos à consciência e ao decoro;
  • O advogado não deve onerar o cliente com gastos excessivos;
  • Nenhum advogado deve utilizar, no patrocínio dos casos que lhe são confiados, meios ilícitos ou injustos;
  • Deve tratar o caso de cada cliente como se fosse seu próprio;
  • Não deve poupar trabalho nem tempo para obter a vitória do caso de que se tenha encarregado;
  • Nenhum advogado deve aceitar mais causas do que o tempo disponível lhe permite;
  • O advogado deve amar a Justiça e a honradez tanto como as meninas dos olhos;
  • A demora e a negligência de um advogado causam prejuízo ao cliente e quando isso acontece deve indenizá-lo;
  • Para fazer uma boa defesa, o advogado deve ser verídico, sincero e lógico.
    Bernadete Alves
    Ensinamentos de Santo Ivo: protetor dos advogados

    Santo Ivo nasceu em 17 de outubro de 1253, na região da Bretanha, França. Yves Hélory (Heloury ou Helori) era filho de um lorde, Helory de Kermartin, e Azo Du Kenquis. Era de uma família nobre e cristã e desde cedo revelou desprendimento material e profunda sensibilidade para com os necessitados.

    Recebeu boa educação. Ao terminar os primeiros estudos foi enviado à Universidade de Paris, com apenas 14 anos de idade, em 1267, para estudar teologia. Ele foi aluno de Santo Tomás de Aquino.

    Participou de algumas conferências, com São Boaventura, onde aprendeu sobre o espírito franciscano. Foi para Orléans, em 1277, para se estudar Direito Canônico e Direito Civil.

    Depois voltou para a Bretanha. Aos 30 anos, foi nomeado juiz eclesiástico, e mais tarde, advogado. Recusou-se a cobrar honorários de quem não podia pagar, atitude que lhe rendeu o título popular de “advogado dos pobres”. Sua atuação nos tribunais era pautada pela ética, pela busca da verdade e por um profundo senso de caridade cristã. Tinha um dom especial de conciliar litígios sem recorrer a punições severas, sempre buscando soluções pacíficas e justas.

    Trabalhou na arquidiocese de Rennes, capital do Ducado da Bretanha, depois retornou para Tréguier. Julgava vários litígios, contratos, problemas matrimoniais, heranças, e tudo que exigia sua atuação de mediador das causas difíceis.

    Recebeu a ordenação sacerdotal em 1824, a convite do Bispo local, mas continuou trabalhando como advogado e juiz. Construiu um hospital para cuidar dos doentes mais pobres.

    Bernadete Alves
    19 de maio é Dia de Santo Ivo: advogado dos pobres e farol de retidão e moral

    Passagens pitorescas e milagres marcaram aquela época

    Bernadete Alves
    Santo Ivo: protetor dos advogados é celebrado em 19 de maio

    Entre os episódios curiosos de sua vida, há uma célebre história em que Santo Ivo defendeu uma viúva contra um poderoso senhor feudal. O caso parecia perdido, dadas as forças desiguais. Mas Santo Ivo, com destreza e profunda argumentação jurídica, provou que o contrato que o senhor pretendia exigir era fraudulento. A corte se comoveu com sua eloquência e justiça foi feita. Esse episódio correu de boca em boca na Bretanha, reforçando sua fama de defensor dos fracos

    Outra passagem dá conta de que, ao defender um camponês acusado injustamente, Santo Ivo compareceu ao tribunal sem toga, ao ser impedido de usá-la por ordem do acusador influente. Questionado, teria dito: “É a verdade que me veste. E esta toga, ninguém pode tirar”. E, de fato, venceu a causa.

    Há também relatos de milagres atribuídos a ele, inclusive em vida. Certa vez, teria multiplicado pães para alimentar os famintos de sua comunidade. Noutra ocasião, ajudou uma mulher grávida a dar à luz com segurança, apenas impondo as mãos e fazendo oração – fato que lhe rendeu fama de intercessor junto aos doentes e desesperados.

    Ele passava a noite em oração, alimentando-se de pão e água. Também saía procurando os pobres para ajudar, pregar e orientar. Com esse gesto ele conseguia o respeito de todos.

    Santo Ivo faleceu em 19 de maio de 1303, aos 50 anos, sendo imediatamente reverenciado pelo povo como santo. Foi canonizado pelo Papa Clemente 6º em 1347, apenas 44 anos após sua morte – um dos processos mais rápidos da história da Igreja.

    Seu corpo repousa na catedral de Tréguier, onde todos os anos, desde o século 14, é realizada uma procissão de advogados, juízes e oficiais da Justiça, em traje de gala ou vestes acadêmicas, para render-lhe homenagem. Trata-se de um raro exemplo de devoção que une fé e Direito, sagrado e profano, moral e Justiça.

    Santo Ivo, rogai por nós!

    Fotos: Reprodução