Lula recebe reconhecimento da Interpol por combate ao crime transnacional

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi condecorado pela Interpol com uma medalha de excelência pelo compromisso do Brasil no combate ao crime transnacional. A ocasião é simbólica e especial: pela primeira vez, a Interpol é presidida por um brasileiro.
O reconhecimento simbólico entregue pela organização, em Lyon, na França, sede da Interpol, destaca o retorno do Brasil ao protagonismo internacional na segurança pública e na articulação de esforços multilaterais contra o crime organizado.

A honraria foi entregue ao presidente Lula pelo presidente do Comitê Executivo da Interpol Ahmed Naser Al-Raisi. “Sua liderança no Brasil, ao longo de três décadas e vários mandatos, sempre demonstrou de maneira consistente a determinação em contribuir à segurança global, à justiça e à cooperação internacional”, disse Al-Raisi.

Ter o Brasil no comando da Interpol com o delegado federal Valdecy Urquiza representa um marco na história da instituição e sinaliza o reconhecimento do protagonismo crescente dos países do Sul Global em temas de segurança internacional.
Ao celebrar a liderança brasileira na Interpol, Lula declarou: “É uma honra ver um brasileiro dirigindo uma das mais antigas e importantes organizações policiais do mundo. Isso mostra que o Brasil voltou a ter voz e respeito no cenário global.”
Na ocasião o presidente do Brasil condecorou Valdecy Urquiza com a Ordem de Rio Branco, no grau de grande oficial. A láurea foi instituída em 1963, com o objetivo de, ao distinguir serviços meritórios e virtudes cívicas, estimular a prática de ações e feitos dignos de honrosa menção.
O comandante da Interpol disse que a visita do presidente Lula representa um forte endosso à missão da INTERPOL a ao papel de liderança como centrais para enfrentar um dos maiores desafios de segurança mais urgentes deste tempo.

“É com muita honra e humildade que recebo a Medalha da Ordem de Rio Branco, no Grau de Grande Oficial do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Aceito em nome dos policiais em todo o mundo, que trabalham todos os dias para tornar seus próprios países e cada país mais seguro”, disse o delegado Valdecy Urquiza, Secretário-Geral da Interpol.
Lula apontou os desafios impostos por redes criminosas cada vez mais sofisticadas, impulsionadas pela tecnologia digital e pela interconexão global. “A criminalidade está evoluindo a uma velocidade sem precedentes. Uma das consequências perversas da globalização é a articulação de grupos criminosos para além das fronteiras nacionais. Nenhum país isoladamente conseguirá debelar a criminalidade transnacional”, afirmou o presidente.
O presidente Lula estava acompanhado do ministro da Justiça e Segurança Pública Ricardo Lewandowski, do ministro das Relações Exteriores do Brasil Mauro Vieira, dentre outras autoridades.
Lula assina Declaração de Intenções entre Brasil e Interpol
Durante a cerimônia, Brasil e Interpol assinaram uma Declaração de Intenções que prevê o fortalecimento da cooperação internacional para:
- Reforçar o combate ao crime organizado transnacional;
- Desarticular redes criminosas e seus mecanismos de apoio;
- Apoiar a modernização tecnológica e institucional da segurança pública no Brasil e na América Latina;
- Promover a proteção de grupos vulneráveis e os direitos humanos na atuação policial.

Com a assinatura da nova parceria e o prestígio internacional renovado, o governo brasileiro sinaliza que pretende seguir atuando com rigor, estratégia e cooperação para enfrentar um dos maiores desafios do século XXI: o crime organizado sem fronteiras.
A iniciativa também tem como pano de fundo o fortalecimento do papel do Brasil em ações multilaterais, reconhecendo que desafios globais exigem respostas coordenadas. “Assim como a mudança do clima e a governança do espaço digital, a segurança pública deve ser prioridade coletiva”, declarou Lula.
Lula destacou o papel da Diretoria de Combate a Crimes Cibernéticos, criada durante seu mandato, que já vem atuando em frentes prioritárias como fraudes bancárias eletrônicas e crimes de abuso sexual infantil online. Segundo ele, o enfrentamento eficaz ao crime também passa pelo estrangulamento de suas fontes de financiamento: “É preciso asfixiar seus mecanismos econômicos, especialmente a lavagem de dinheiro.”

O presidente alertou ainda para a crescente sofisticação e capilaridade das organizações criminosas. “O crime organizado não é mais apenas uma quadrilha. São verdadeiras empresas multinacionais. Estão infiltradas na política, no Judiciário, no futebol, em setores da cultura e da economia. Combatê-las exige inteligência, integração e cooperação internacional.”
Em seu discurso, Lula também relacionou segurança pública à agenda ambiental. Ele reafirmou o compromisso de zerar o desmatamento ilegal até 2030 e destacou as ações da Polícia Federal em defesa da Amazônia. “No ano passado, apreendemos mais de 250 milhões de dólares em bens de acusados por crimes ambientais. Proteger a natureza também é fortalecer a segurança”, afirmou.
Fotos: Ricardo Stuckert/PR













