Estudo brasileiro confirma eficácia de pílula tripla para tratamento da hipertensão

Bernadete Alves
Estudo do Hospital Israelita Albert Einstein, confirma eficácia de pílula tripla para tratar pacientes com pressão alta

A hipertensão arterial ou pressão alta é uma doença crônica caracterizada pelos níveis elevados da pressão sanguínea nas artérias. Ela acontece quando os valores das pressões máxima e mínima são iguais ou ultrapassam os 140/90 mmHg (ou 14 por 9).  A pressão alta faz com que o coração tenha que exercer um esforço maior do que o normal para fazer com que o sangue seja distribuído corretamente no corpo.  

A pressão alta é um dos principais fatores de risco para a ocorrência de acidente vascular cerebral, enfarte, aneurisma arterial e insuficiência renal e cardíaca.  O problema é herdado dos pais em 90% dos casos, mas há vários fatores que influenciam nos níveis de pressão arterial, como os hábitos de vida do indivíduo.

Medir a pressão regularmente é a única maneira de diagnosticar a hipertensão. Pessoas acima de 20 anos de idade devem medir a pressão ao menos uma vez por ano. Se houver casos de pessoas com pressão alta na família, deve-se medir no mínimo duas vezes por ano.

Os sintomas da hipertensão costumam aparecer somente quando a pressão sobe muito: podem ocorrer dores no peito, dor de cabeça, tonturas, zumbido no ouvido, fraqueza, visão embaçada e sangramento nasal.

A pressão alta não tem cura, mas tem tratamento e pode ser controlada. Somente o médico poderá determinar o melhor método para cada paciente.

Bernadete Alves
Estudo brasileiro confirma eficácia de pílula tripla para tratamento da hipertensão

A boa notícia é que um estudo brasileiro intitulado “Nova Combinação Tripla em um único comprimido para hipertensão não controlada”, confirmou a eficácia de uma nova pílula, com três ativos, para o tratamento da hipertensão. Além de reduzir a pressão arterial, a medicação ainda simplifica a vida dos pacientes, já que diminuiu o número de remédios consumidos.

O estudo conduzido pelo Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo, foi apresentado pelos pesquisadores no Congresso do European Society of Cardiology (ESC), em Madrid, na sexta-feira (29/8). Nos resultados, em apenas 14 semanas, a pressão arterial dos pacientes, que tomaram a pílula tripla, diminuiu de cerca de 15.9 mmHg para 13.0 mmHg, com uma redução de 20 mm da sistólica.

“Tomar uma pílula tripla leva a melhor adesão do medicamento, que vai levar a melhor vida para o paciente, devido a todas as consequências da hipertensão”, afirma Patrícia Guimarães, chefe de ensaios clínicos cardiovasculares na Organização de Pesquisa Acadêmica (ARO) do Einstein Hospital Israelita.

Dra. Patrícia Guimarães explica que muitos pacientes com pressão alta acabam não tomando os remédios por variados motivos, como esquecimento, o que gera uma baixa adesão do medicamento. Além disso, a maioria das pessoas com hipertensão precisam de mais de uma pílula, aumentando as chances de não consumir os ativos e, consequentemente, não ter resultados no tratamento.

Para a pesquisa, 703 pacientes, que já estavam em tratamento, foram divididos em dois grupos: sendo que um que experimentou a nova fórmula a pílula tripla e outro consumiu uma medicação já disponível no mercado. Como resultado, os pesquisadores relataram que a equipe que tomou o novo comprimido teve uma redução maior da pressão sistólica (–22,6 mmHg).

Segundo os responsáveis pelo estudo, a pesquisa teve como objetivo não só comprovar a eficácia, mas também melhorar a qualidade de vida dos pacientes com hipertensão, combatendo as consequências da falta de controle da pressão. O próximo passo é enviar à farmacêutica Libbs, que pode pedir a aprovação na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para a distribuição e comercialização no Brasil.

Fotos: Reprodução