Comoção e revolta no adeus do jovem Isaac que teve a vida ceifada por causa de um celular

O corpo de Isaac Augusto de Brito Vilhena de Morais, 16 anos, foi velado neste domingo, 19 de outubro, no Cemitério Campo da Esperança da Asa Sul. A cerimônia de despedida reuniu uma multidão. A Capela 1, não comportou a quantidade de pessoas que compareceram para prestar as últimas homenagens ao jovem que teve a vida ceifada por causa de um celular.

A urna de Isaac foi ornamentada por dezenas de coroas de várias flores, com mensagens de fé, solidariedade, comoção e apoio à família que perdeu um filho durante um assalto no parque da entrequadra 112/113 Sul, onde morava em área nobre de Brasília. No lugar onde brincava e praticava esportes, o jovem teve a vida interrompida de forma brutal por adolescentes.

A morte do jovem de 16 anos escancara uma ferida aberta no cotidiano de Brasília e deixa todos nós profundamente abalados. A capital sempre foi considerada uma cidade acolhedora, segura e tranquila. Infelizmente estamos vivendo tempos difíceis, em que a violência rompe a sensação de paz, principalmente ao redor de nossas casas. Tragédias como essa nos alertam que estamos desprotegidos e que precisamos nos unir para cobrar providências a um direito constitucional.

Não há palavras que possam, de fato, traduzir tamanha dor no coração dilacerado de uma mãe, por essa inesperada e avassaladora despedida de um filho de 16 anos.
Isaac representava o futuro e a esperança de uma geração que sonho com um país mais seguro, igualitário e justo. Sua vida foi arrancada do convívio da família e dos amigos por uma violência que a gente não pode mais aceitar como normal. Que a justiça seja feita, que os criminosos paguem por essa barbaridade e que os órgãos de segurança protejam os cidadãos de bem.

Na cerimônia, o som das vozes que se uniam no Pai Nosso e na Ave Maria se misturava às lágrimas e soluços. Os cânticos “Segura na mão de Deus” e “Nossa Senhora, cuidado meu oração” foram entoados em coro, por membros da Igreja Nossa Senhora de Guadalupe, comunidade que Isaac frequentava com a mãe, Jane Vilhena, que faz parte do coral da paróquia. Orações, cânticos religiosos, soluços e abraços fraternos tomaram conta do momento de solidariedade e apoio à família.
O Padre Maurício Coppi pediu que todos fossem instrumentos do Consolador e que prestassem solidariedade aos familiares. Falou da fé e da devoção de Isaac, do carinho que tinha pela Igreja e pela atividades comunitárias. Disse que Isaac Augusto era um menino bom, um menino de Deus, filho de Nossa Senhora.

A mãe de Isaac, Jane Vilhena, conseguiu forças para agradecer agradecer a solidariedade, o apoio e as homenagens ao seu filho. “Obrigada por estarem aqui. Obrigada por amarem o meu filho. Isaac era luz. E vai continuar sendo. Ele me ensinou a ter fé até nos dias mais difíceis”, disse aos prantos.
Com a voz fraca e embargada falou sobre o menino amoroso, dedicado e de coração justo. Características destacadas também pelos amigos e vizinhos.

O pai, o médico Lucas Vilhena, também fez um breve pronunciamento. Ele contou que estava com a esposa na igreja quando soube que o filho havia sido atingido. A dor é eterna, mas com a graça de Deus vamos superar tudo isso”, afirmou, agradecendo a todos que prestaram apoio à família, aos amigos que os acolheram nos primeiros momentos e as centenas de pessoas que estiveram com a família. “Foi um privilégio participar da vida do Isaac”.
Colegas do Colégio Militar de Brasília, vestidos a caráter, guardaram Isaac até sua morada final. Abraçados, sustentavam uns aos outros entre lágrimas, com terços nas mãos, em um gesto de fé, respeito e solidariedade. Amigos, vizinhos e paroquianos se revezavam em orações e amparo à família.

Uma multidão acompanhou o cortejo até o fim, em uma corrente de fé e comoção. O silêncio que se seguiu foi quebrado apenas pelos aplausos e pelo choro inconsolável dos pais, irmão e amigos, que não conseguiram conter a emoção de se despedir de Isaac Augusto.

O grito de guerra que os colegas do Colégio Militar de Brasília entoaram, em uníssono, no momento do sepultamento, foi muito dolorido. Entre dor e prantos, balões brancos de gás hélio foram soltos no céu em gesto silencioso e de muito amor. Balões simbolizavam a pureza e a bondade da breve passagem de Isaac pela vida que será eterna.

Isaac Augusto Vilhena de Morais, Presente!!!


Os moradores da entrequadra onde o crime aconteceu estão tomados pela tristeza, solidariedade com os familiares, medo e revolta. Passou da hora de pensar na Brasília constituída por gente, que trabalha, que sofre que clama por saúde e e segurança e não mais na Brasília de concreto.
De acordo com o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), um adolescente (pessoa entre 12 e 18 anos) que comete um ato infracional equiparado a crime grave, como latrocínio (roubo seguido de morte), pode ser submetido a medida de internação pelo prazo máximo de três anos. Após esse período, o adolescente deve ser liberado ou colocado em regime de semiliberdade ou liberdade assistida.
A liberação obrigatória ocorre aos 21 anos, mesmo que o tempo total de três anos ainda não tenha sido cumprido. Estudos apontam que o roubo é o ato infracional mais cometido por menores de 18 anos, seguido de tráfico e lesão corporal.
Fotos: Arquivo pessoal e reprodução













