João Chagas Leite: artista que deu voz à alma gaúcha e emocionou gerações com seu canto, morre aos 80 anos

É com pesar que registramos o falecimento do cantor e compositor João Chagas Leite, referência da música nativista gaúcha. O artista que cantou as saudades de Rio Grande, faleceu aos 80 anos no dia 11/11 em Erechim, onde estava internado no Hospital de Caridade, onde recebia tratamento contra um câncer.
Que Deus conforte o coração dos familiares, amigos e fãs do artista que deu voz à alma gaúcha e emocionou gerações com seu canto e sua verdade. Gratidão, João Chagas Leite, por embalar minha juventude e de milhares de pessoas com tuas milongas. Suas canções seguirão alegrando a nossa alma e o legado de seu gigante talento, de humanidade, generosidade e amor, será eterno!

João parte, mas fica a lembrança do músico ímpar, de voz potente, das músicas em forma de poesia e de suas lições de sabedoria. Estrelas não morrem, só mudam de lugar.
O artista, um dos maiores nomes da história da música e do movimento nativista do Rio Grande do Sul e símbolo de superação, deixa um legado de paixão pela vida, pela cultura e pela terra gaúcha. O Rio Grande do Sul está de luto pelo lendário músico e símbolo do nativismo.



João Chagas Leite nasceu em Uruguaiana, na Fronteira Oeste do RS, e se tornou um dos principais nomes da música nativista gaúcha, vencendo diversos festivais e se consolidou como uma das vozes mais respeitadas do gênero.

Com mais de 50 anos de carreira, João Chagas Leite, se consagrou com sua voz potente e as mais de 300 composições, entre suas principais canções estavam Ave Sonora, Amigos do Rio Uruguai, Desassossegos, Barranqueiros, Penas, Pampa e Querência, Bem Te Vi e Por Quem Cantam os Cardeais.
O hit “Desassossegos” de João Chagas Leite, soma 4,1 milhões de reproduções em uma plataforma digital.


Meus desassossegos sentam na varanda,
Pra matear saudades nesta solidão,
Cada por de sol, dói feito uma brasa,
Queimando lembranças, no meu coração.
Vem a noite aos poucos, alumiar o rancho,
Com estrelas frias, que se vão depois.
Nada é mais triste, neste mundo louco,
Que matear com a ausência, de quem já se foi.
Que desgosto o mate, cevado de mágoas,
Pra quem não se basta, pra viver tão só.
A insônia no catre, vara a madrugada,
Neste fim de mundo, que nem Deus tem dó.
Meus desassossegos sentam na varanda,
Pra matear saudades nesta solidão,
Cada por de sol, dói feito uma brasa,
Queimando lembranças, no meu coração.
Então me pergunto neste desatino,
Se este é meu destino, ou Deus se enganou?
Todo desencanto para um só campeiro,
Que de tanto amor se desconsolou.

Ao longo de sua trajetória de mais de cinco décadas na música tradicionalista, João Chagas Leite foi vencedor de 13 festivais do segmento. Leite havia anunciado a volta aos palcos em maio deste ano, depois de dois anos afastado para tratamento contra o câncer.

Mesmo enfrentando uma deficiência na mão esquerda desde a infância, o artista aprendeu a tocar violão de forma invertida e usava um dedal para executar as notas, característica que se tornou uma de suas marcas. Seu violão hoje repousa, mas o som que ele espalhou por todos os cantos da querência, vai seguir ecoando em todos os palcos e nos corações de incontáveis gerações.
A sua partida gerou comoção nos admiradores do consagrado artista da música nativista. Amigos e colegas de profissão expressaram solidariedade em redes sociais, reconhecendo seu papel na preservação das tradições gaúchas.

A prefeitura de Uruguaiana, terra natal do músico, decretou luto oficial de três dias no município. “Uma grande perda. Dia triste para todos nós”, publicou nas redes sociais.
O trabalho de João Chagas Leite influenciou dezenas de compositores emergentes no nativismo, com oficinas e mentorias em Santa Maria. Sua técnica única no violão serviu de inspiração para alunos que adaptam instrumentos a limitações físicas. Ele gravou documentários sobre a música gaúcha, disponíveis em canais educativos, que documentam tradições orais do pampa.
Fotos: Reprodução/Redes Sociais













