Solenidade da Mãe de Deus: modelo de confiança e o ponto de união entre o céu e a terra

Bernadete Alves
Solenidade da Mãe de Deus: modelo de confiança e o ponto de união entre o céu e a terra

Celebramos neste primeiro dia do ano a Solenidade da Santíssima Virgem Maria, Mãe de Deus, Rainha da Paz e também o Dia Mundial da Paz. Ao proclamar Maria “Mãe de Deus”, a Igreja Católica professa com uma única expressão a sua fé acerca do Filho e da Mãe.

Com a definição da maternidade divina de Maria, é evidenciado a fé à divindade de Cristo. Atribuir esse título a Maria, os cristãos de todos os tempos, interpretam corretamente o significado dessa maternidade, tornaram-no uma expressão privilegiada da sua fé na divindade de Cristo e do Seu amor para com a Virgem. Deus se fez carne por meio de Maria, começou a fazer parte de um povo e constituiu o centro da história.

Maria é a Mãe de Deus, Theotókos, porque é a Mãe de Jesus, verdadeiro Deus e verdadeiro Homem. Por isso, ela, mais do que ninguém, é a única que nos pode conduzir ao seu Filho; ninguém, como ela, sabe quem é Jesus e ninguém, melhor do que ela, sabe se relacionar com Ele. Maria é a Mãe que, diante das palavras dos pastores, entendeu logo que aquele Menino não era só “seu Filho”: “Minha mãe e meus irmãos são aqueles que ouvem a palavra de Deus e a põem em prática”, disse Jesus (Lc 8, 19-21).

Ela, que o carregou no ventre por nove meses, agora deve recebê-lo, todos os dias, sabendo ouvir todos aqueles que o Senhor lhe faria encontrar: pastores, magos, Simeão e Ana… porque cada um “revela” algo sobre a identidade de Jesus e sobre a sua missão.

Bernadete Alves
Papa Leão XIV celebra a Mãe de Deus na Basílica de São Pedro

Ao celebrar a Solenidade de Maria Santíssima, Mãe de Deus, Leão XIV destacou o amor divino e a confiança humana que encontra exemplo no “sim” de Nossa Senhora

O Papa Leão XIV enfatizou que, na Maternidade Divina de Maria, encontram-se duas realidades “imensas e desarmadas”: a de Deus, que renuncia aos privilégios da Sua divindade para nascer segundo a carne, e a da pessoa, que com confiança abraça a Sua vontade.

Bernadete Alves
Santíssima Virgem Maria a Mãe de Deus: o ponto de união entre o céu e a terra

Encerrando sua homilia, o Pontífice convidou os fiéis a se aproximarem com fé ao Presépio, “lugar por excelência da paz ‘desarmada e desarmante’”, para recordar os prodígios que o Senhor realizou na história de salvação da humanidade e testemunhar os feitos de Deus. “Que seja este o nosso compromisso e propósito para os próximos meses e para toda a nossa vida cristã”.

O Papa ressaltou que a celebração da Divina Maternidade de Maria recorda como o “sim” de Nossa Senhora contribuiu para dar um rosto humano à Fonte de toda a misericórdia e benevolência: o rosto de Jesus, por meio do qual o amor do Pai alcança e transforma a humanidade.

Bernadete Alves
Papa Leão XIV celebra Maria Santíssima, Mãe de Deus, neste 1º de janeiro de 2026

“Por isso, no início do ano, encaminhando-nos para os dias novos e únicos que nos esperam, pedimos ao Senhor que em cada momento sintamos, à nossa volta e sobre nós, o calor do seu abraço paterno e a luz do seu olhar benevolente, para compreendermos sempre mais e termos constantemente presente quem somos e a que fim maravilhoso nos dirigimos”, afirmou o Pontífice.

Papa convidou os fiéis a olhar para Maria, a primeira a sentir bater o coração de Cristo. No silêncio do seu ventre, o Verbo da vida manifesta-se como pulsar de graça, revelando o amor de Deus pela humanidade:  “O coração de Jesus bate por cada homem e cada mulher: por quem está preparado para o acolher, como os pastores, e por quem não o deseja, como Herodes. O seu coração não é indiferente àqueles que não têm coração para o próximo: pulsa pelos justos, para que perseverem na sua dedicação, e pelos injustos, para que mudem de vida e encontrem paz.”

Durante a oração do Angelus, Leão XIV convidou os fiéis a iniciarem o novo ano com um coração convertido, capaz de transformar o mal em bem, o sofrimento em consolação e os conflitos em caminhos de reconciliação.

Bernadete Alves
Solenidade da Santíssima Virgem Maria, Mãe de Deus – 1º de Janeiro

O Santo Padre renovou ainda o apelo à oração pela paz, nas nações feridas por conflitos e também nos lares marcados pela dor e pela violência, confiando à intercessão de Maria, Mãe de Deus e Mãe da Igreja, o caminho do novo ano.

Leão XIV destacou o legado espiritual do Ano Santo 2025, que ensinou a cultivar uma esperança concreta de um mundo novo: “O Jubileu ensinou-nos a converter o coração a Deus, transformando os erros em perdão, a dor em consolação e os propósitos de virtude em boas obras.”

Esse dinamismo, explicou o Papa, revela o modo de agir de Deus na história, marcado pela misericórdia e pela proximidade. Assim, Deus salva o mundo do esquecimento ao oferecer o Redentor, Jesus Cristo, o Filho Unigênito que se faz nosso irmão e ilumina as consciências, para que o futuro seja construído como uma casa acolhedora para todos.

Após a oração mariana, Leão XIV saudou os cerca de 40 mil fiéis na Praça São Pedro e recordou o Dia Mundial da Paz, celebrado neste 1º de janeiro. Por fim, convidou os cristãos a iniciarem o novo ano construindo a paz, a viverem o novo ano como um tempo de renascimento, liberdade e perdão, à luz da maternidade divina de Maria e do rosto “desarmado e desarmante” de Deus.

Fotos: Joyce Mesquita