Santa Joana d’Arc: uma história de coragem, amor e devoção pela França

A igreja celebra neste 30 de maio a memória de Santa Joana d’Arc, padroeira da França. A história de Joana d’Arc é marcada por martírio, fé, coragem e exemplo de devoção. Filha de Jaques d’Arc e Isabel, camponeses muito pobres, Joana nasceu em Domrémy, na região francesa de Lorena, em 6 de janeiro de 1412. Cresceu no meio rural, piedosa, devota e analfabeta, assinava seu nome utilizando uma simples, mas significativa, cruz. Significativa porque já aos treze anos começou a viver experiências místicas.
Joana nasceu durante a Guerra dos Cem Anos, entre Inglaterra e França, tendo uma infância entre a pobreza e violência. Aos 13 anos de idade, D’Arc revelou ter ouvido vozes e ter tido visões pela primeira vez. A garota estava no jardim de seu pai e recebeu aparições do que acreditou ser o Arcanjo São Miguel, a Santa Catarina de Alexandria e a Santa Margarida de Antioquia, figuras que vieram lhe dizer que ela deveria integrar o exército francês e ajudar o rei Carlos VII na luta contra a Inglaterra.

Joana cortou seus cabelos, se vestiu como menino, viajou por 11 dias e conseguiu ser ouvida pelo Rei, que, convencido, deixou a jovem liderar parte de seu exército que vinha de seguidas derrotas, passou então a ter um êxito imenso em suas batalhas. Joana ensinava costumes cristãos à todos soldados, ganhando notória fama. que marchou para Orléans e a circundou.
Em apenas oito dias, aconteceu um prodígio, em termos militares: os ingleses foram, várias vezes, derrotados na batalha, onde a audácia da “donzela” foi incomparável. Orléans foi libertada e, em 17 de julho de 1429, atingiu o auge da sua glória: Carlos VII foi coroado em Reims e, ao seu lado, Joana d’Arc, com seu estandarte.
Para os ingleses porém, Joana era tida como uma bruxa enviada pelo demônio.
Acusada de heresia e bruxaria, foi condenada à morte. Frente a fogueira, ao ser questionada se estava na graça de Deus, Santa Joana D’arc respondeu: “Se eu estiver, Deus me protegerá; se não estiver, prefiro morrer a não estar na graça de Deus”. A pena foi executada e Joana d’Arc foi queimada viva na fogueira, em 30 de maio de 1431, aos 19 anos de idade, após ter ido do “céu ao inferno” em sua rápida existência na França medieval governada por Carlos 7º, cujo reinado durou de 1422 a 1461.

Joana D’Arc se tornou um dos nomes femininos mais notórios da história francesa e sua trajetória sofreu diversos reveses, já que apesar de liderar com vitórias o exército francês na chamada Guerra dos Cem Anos (1337-1453) contra os ingleses, ela acabou queimada em uma fogueira e acusada de ser herege.
Foram necessários 489 anos. Em 16 de maio de 1920, quase cinco séculos após ser queimada viva pela Inquisição, a guerreira francesa Joana d’Arc (1412-1431) teve seu nome inscrito no ‘Martirológio Romano’, o catálogo dos santos reconhecidos pela Igreja Católica.

Não fossem os fatos devidamente conhecidos e comprovados, seria difícil crer na existência dessa jovem mártir, que sacrificou sua vida pela libertação de sua pátria e de seu povo. Foram necessários 489 anos. Em 16 de maio de 1920, quase cinco séculos após ser queimada viva pela Inquisição, a guerreira francesa Joana d’Arc (1412-1431) teve seu nome inscrito no ‘Martirológio Romano’, o catálogo dos santos reconhecidos pela Igreja Católica.
O dia de hoje é comemorado na França como data nacional, em memória de santa Joana d’Arc, mártir da pátria e da fé.
Curiosidades sobre Joana D’Arc

Joana D’Arc dizia escutar vozes divinas: nascida na cidade francesa de Domrémy, em 1412, acredita-se que Joana era analfabeta, já que as mulheres tinham pouco ou nenhum acesso à educação na Idade Média. Na adolescência, passou a alegar que recebia visões e ouvia recados de Deus e de outros santos (como o Arcanjo Miguel) para que fosse lutar na Guerra dos Cem Anos em nome da França, segundo detalha a World History Encyclopedia.
Joana D’Arc viu a guerra chegar ao “quintal”: na época em que decidiu lutar pela França, o reino enfrentava uma disputa pela sucessão do trono entre Carlos 7º, (filho e herdeiro do rei Carlos 6º) e o rei inglês Henrique 6º, que tinham como aliado o duque de Borgonha. Esse exército conjunto ocupava a parte norte da França, justamente onde ficava a vila na qual Joana D’Arc morava com a família, bem como a cidade de Reims, “o local tradicional para a investidura dos reis franceses”, detalha a enciclopédia britânica.
Joana D’Arc teria fugido de casa para se tornar guerreira: de acordo com um artigo da Agência Brasil (órgão oficial de notícias do Governo Federal brasileiro) sobre a beatificação da jovem francesa, ela teria fugido de casa aos 17 anos de idade para juntar ao exército e apresentar-se ao príncipe Carlos, que precisava ser coroado o mais rápido possível para ser um monarca legítimo. Ela acreditava que podia vencer as batalhas graças a uma intervenção divina.
Joana D’Arc foi aceita no front porque a situação era “desesperadora” para a França: acreditando já ter perdido a Guerra dos Cem Anos, o Carlos foi aconselhado a aceitar a ajuda da camponesa, que estava convicta que poderia levar o exército a vencer em Orléans. Com ela, as tropas francesas partiram para o local em 27 de abril de 1429, mesmo sabendo que a cidade estava já “sitiada” por ingleses desde 12 de outubro de 1428, detalha a enciclopédia.
Ferida, Joana D’Arc venceu a primeira batalha que participou: segundo detalha a Britannica, um dos confrontos vencidos pela ex-camponesa ocorreu nos dias 6 e 7 de maio de 1429. Mesmo ferida, ela seguiu lutando, o que teria incentivado outros soldados a fazer o mesmo. Os ingleses deixaram a região e, com a vitória, Joana foi recebida por Carlos. Ela ainda se envolveu em outros cercos e batalhas, até que o exército inglês foi derrotado de vez naquela parte do território em 18 de junho de 1429.

Capturada, Joana D’Arc foi traída e torturada: após a coroação de Carlos 7º, Joana foi capturada pelo exército de Borgonha (aliado dos ingleses) e levada a julgamento, detalha a WHE. Mas o novo rei da França, e por quem ela havia lutado, nada fez para defendê-la, detalha a Britannica. Carlos deixou que a jovem passasse por um julgamento no qual acabou acusada de ser herege e condenada à morte.
Joana D’Arc morreu queimada e suas cinzas foram jogadas no Rio Sena: depois de um julgamento contaminado por provas inexistentes, a jovem foi sentenciada a morrer em uma fogueira. Cerca de 20 anos depois, no entanto, pedidos da família D’Arc para que Joana não entrasse para a história como uma descrente levaram o rei Carlos 7º a ordenar uma investigação sobre a condenação. A Igreja Católica também fez o seu inquérito e por ordem do Papa Calixto 3º a sentença de Joana D’Arc foi anulada em 1455-1456, explica a Britannica.
Muito cultuada hoje em dia, Joana D’Arc é também sincretizada em religiões afro-brasileiras, como a orixá Obá.
Fotos: Reprodução













