Combate à Seca e à Desertificação: transformando terras problemáticas em terras saudáveis

O Dia Mundial de Combate à Seca e à Desertificação, celebrado neste 17 de junho, tem por meta consciencializar a opinião pública sobre os impactos causados por esses fenômenos no mundo, cujo responsável principal é a ação humana. Desafios globais crescentes que comprometem os recursos naturais, a produção de alimentos e a segurança hídrica das populações.
Com os efeitos climáticos e o crescimento populacional, soluções cada vez mais eficientes e sustentáveis de produção são necessárias e urgentes. Mas com auxílio da ciência, tecnologia e políticas públicas bem conduzidas, é possível combater os problemas relacionados à seca e à desertificação.
Para vencer esses desafios, o Brasil estabeleceu compromissos internacionais visando buscar soluções que atendam às demandas nos espaços áridos, semiáridos e subúmidos secos, em especial onde residem as populações mais pobres. Junto com outros 192 países, o país é signatário da Convenção das Nações Unidas para o Combate à Desertificação e Mitigação dos Efeitos das Secas (UNCCD).
A desertificação é um fenômeno de empobrecimento e redução da umidade em solos arenosos, por conta das variações climáticas e a atividades do próprio homem. É caracterizada por extrema degradação ambiental que resulta em perda da capacidade produtiva do solo. Tal degradação se dá em terras localizadas nas regiões áridas, semiáridas e subúmidas secas em diversas partes do planeta.
Um processo de transformação e empobrecimento onde o solo perde sua capacidade produtiva, resultando em rachaduras e infertilidade gradual. Fazendo com que o solo fique semelhante ou igual ao ambiente de um deserto.

Aproximadamente 15% da superfície terrestre sofre algum grau de desertificação, afetando a vida de mais de 250 milhões de pessoas, consequência do uso inadequado dos recursos florestais, especialmente nos biomas cerrado e caatinga, práticas agropecuárias intensivas e predatórias, desmatamento e condições climáticas, como longos períodos de seca.
A seca também é um problema sério. Principalmente para as pessoas que se encontram em situações de vulnerabilidade. De acordo com a ONU, ela está entre as maiores ameaças ao desenvolvimento sustentável, especialmente nos países em desenvolvimento, mas também, cada vez mais, nos países desenvolvidos. Além disso, as previsões estimam que até 2050 as secas podem afetar mais de três quartos da população mundial.
Isso comprova a necessidade urgente de uma Ação Climática ambiciosa e significativa para proteger vidas, meios de subsistência e restaurar a terra, para as gerações atuais e futuras.

A data instituída pela Organização das Nações Unidas (ONU), pela Resolução 49/115 adotada na Assembleia Geral das Nações Unidas de 30 de janeiro de 1995, tem como objetivo discutir ações que visem diminuir os prejuízos nas regiões de clima quente e seco, dar visibilidade a um cenário que faz parte da vida de todos nós brasileiros. Haja vista que mesmo não vivendo em condições adversas, como de insegurança hídrica, é possível enxergar no outro a relevância de quem a vive.
Os ecossistemas de terras secas cobrem mais de um terço da área terrestre do mundo, são extremamente vulneráveis à sobre-exploração e às alterações climáticas. Por sua vez, o inadequado uso e exploração do solo, a pobreza, a instabilidade política, a desflorestação e as más práticas de irrigação são fatores que concorrem para a fraca produtividade da terra e para a desertificação.

O tema em 2026 “Pastagens: Reconhecer. Respeitar. Restaurar.” pretende destacar o papel central das pastagens mundiais na resiliência climática, na segurança alimentar e hídrica, na conservação da biodiversidade e na identidade cultural das comunidades pastorais e indígenas.
Coincidindo com o Ano Internacional das Pastagens e dos Pastores, a comemoração global de 2026 alerta para a necessidade de:
- restaurar as paisagens degradadas para garantir meios de subsistência e serviços ecossistémicos;
- reconhecer e valorizar as pastagens pelas funções essenciais que desempenham; e
- respeitar os guardiões tradicionais que as têm cuidado ao longo de gerações.

Por ocasião do Dia da Desertificação e da Seca de 2026, os países e as comunidades são convidados a:
- reconhecer a contribuição económica das pastagens para as economias nacionais e regionais, o seu papel na preservação da biodiversidade e da vida selvagem e os múltiplos benefícios que proporcionam, desde a regulação dos ciclos hídricos até ao armazenamento de carbono;
- respeitar os pastores, os povos indígenas e as comunidades locais, cuja mobilidade, sistemas de governação consuetudinários e conhecimentos ecológicos são essenciais para manter a saúde e a produtividade destas paisagens e;
- restaurar as pastagens através do investimento na gestão sustentável da terra e da água, do reforço da governação, da melhoria da preparação para a seca e do apoio aos esforços de restauração liderados pelas comunidades.
Fotos: Camila de Almeida e Reprodução













