Papa Leão XIV: amar exige renúncia em um mundo obcecado por “ter e possuir”

Bernadete Alves
Papa Leão XIV conduz a oração do Angelus da janela do Palácio Apostólico, no Vaticano, neste 28 de junho

No Angelus dominical deste 28 de junho, o Papa Leão XIV, agradeceu aos peregrinos que, numerosos, compareceram à Praça São Pedro não obstante o calor. Em sua alocução, o Pontífice comentou o Evangelho deste 13º Domingo do Tempo Comum, em que Jesus faz algumas exortações para vivermos o seguimento e sermos testemunhas do seu Reino.

Não se trata de uma ação exterior, explicou o Papa, mas de nos dedicarmos totalmente a uma relação de amor com Ele. E para dar fruto, o amor requer três atitudes: desapego, perda e acolhimento.

Neste sentido, o amor é também perda. É difícil compreendê-lo, afirmou o Pontífice, “especialmente num mundo no qual perder parece ser uma fraqueza e no qual se vive obcecados por ter e possuir. O amor, porém, só produz fruto ao doar-se”. Ou seja, quando estamos dispostos a perder um pouco do nosso “eu” para dar espaço ao outro. Diz o Evangelho: Quem conserva a vida apenas para si mesmo, na realidade, perde-a, porque ela não se abre à alegria do amor e torna-se estéril.

Bernadete Alves
Papa Leão XIV: amar exige renúncia em um mundo obcecado por “ter e possuir”

O amor, na verdade, expressa-se em escolhas e ações concretas, num empenho feito de pequenos gestos quotidianos. Jesus, ao enviar os discípulos à sua frente, pede-lhes para irem sem provisões, pois assim poderão suscitar acolhimento naqueles que encontrarem. Deste modo, acolhendo quem vem em nome de Jesus, acolhe-se a Ele e ao Pai celeste que O enviou. “O amor ao Senhor passa sempre pelo acolhimento dos irmãos”, recordou.

O Santo Padre concluiu pedindo que rezemos à Virgem Maria, que amou o seu Filho sabendo-o também perder: “Que Ela nos ajude a ser testemunhas humildes e alegres do amor de Cristo”.

Fotos: Vatican Media/­Matteo Pernaselci via REUTERS