Celebração de Nossa Senhora Rainha: a grandeza daquela que Deus escolheu para ser Mãe do Salvador

Neste sábado, 22 de agosto, a Igreja celebra a memória litúrgica de Nossa Senhora Rainha, oito dias após a Solenidade da Assunção. Embora a celebração tenha sido oficialmente instituída no século XX, o título de Rainha atribuído à Virgem Maria possui raízes muito mais antigas na tradição cristã.
A devoção a Maria como Rainha existe desde os primeiros séculos da Igreja. Ela é honrada como Mãe de Jesus Cristo, o Rei do Universo, e, por sua maternidade divina, recebeu de Deus uma dignidade singular entre todas as criaturas. Maria é Rainha porque é a Mãe do Rei. Seu reinado manifesta-se na humildade, no serviço e na união com Cristo. Tudo o que há de grandioso nela vem de Deus e conduz sempre a Jesus.
No Antigo Testamento (tradição Davidica), a Rainha não era a esposa do rei, mas a Mãe do Rei (a Gebirah). Como Jesus é o Rei dos Reis, Maria, sua mãe, assume esse papel de intercessora ao lado do Trono. “Apareceu no céu um grande sinal: uma mulher vestida do sol, com a lua debaixo dos seus pés e uma coroa de doze estrelas na cabeça”. (Apocalipse 12,1).
Desde os primeiros séculos, a Igreja reconheceu uma relação entre a maternidade divina de Maria e sua dignidade real: sendo Mãe de Jesus Cristo, Rei do Universo, ela foi progressivamente invocada também como Rainha. Essa tradição atravessou os séculos na liturgia, na arte e na oração popular, chegando a algumas das mais conhecidas antífonas marianas, como a Salve Rainha e a Regina Caeli.

Ao longo da história, o título também ganhou diferentes expressões nas ladainhas e na devoção cristã: Rainha dos Apóstolos, dos Mártires, dos Confessores, de todos os Santos e Rainha da Paz, entre outras.
No século XX, cresceram os movimentos em favor da proclamação de Maria como Rainha do Universo, entre eles o Pro Regalitate Mariae, iniciado por Maria Desideri na década de 1930. Esse caminho culminou na instituição da festa por Pio XII, em 1954, durante o Ano Mariano, por meio da encíclica Ad Caeli Reginam. Naquele mesmo ano, em 1º de novembro, o Pontífice coroou solenemente o ícone de Maria Salus Populi Romani, venerado na Basílica de Santa Maria Maior, em Roma.
Ao instituir a festa, Pio XII desejava também que Maria fosse invocada pela paz entre os povos. Por isso, ela é chamada de Rainha da Paz, conduzindo-nos a Cristo, verdadeiro Rei e Príncipe da Paz.
Inicialmente, a festa de Nossa Senhora Rainha foi fixada em 31 de maio. Após a reforma do calendário litúrgico, passou a ser celebrada em 22 de agosto, na oitava da Assunção, tornando ainda mais evidente a ligação entre a glorificação de Maria no Céu e sua realeza.
O ensinamento foi também retomado pelo Concílio Vaticano II, que afirma na Lumen gentium que Maria, terminado o curso de sua vida terrena, foi elevada em corpo e alma à glória celeste e “exaltada pelo Senhor como Rainha do universo, para ser mais plenamente conformada a seu Filho”.

Hoje a Igreja celebra “Nossa Senhora Rainha” e o Evangelho nos ajuda a refletir sobre Maria, narrando a visita do Anjo Gabriel, o anúncio de que ela seria a Mãe do Salvador, e o seu sim a Deus que resultou no nascimento do nosso Senhor, Jesus Cristo.
Maria disse sim a Deus de forma livre e espontânea, pois era temente a Ele e tinha em seu coração grande amor e fidelidade. Maria recebeu uma coroa porque nunca desejou outra coisa senão que Deus reinasse em sua vida. A sua verdadeira realeza está na humildade, no serviço e no amor que conduz ao Salvador.
Celebrar Nossa Senhora Rainha é reconhecer a grandeza daquela que Deus escolheu para ser Mãe do Salvador, confiar em sua intercessão e permitir que ela nos conduza sempre a Jesus.
Enquanto tantos disputam tronos, reconhecimento e influência, Maria recebe uma coroa porque nunca desejou outra coisa, senão que Deus reinasse em sua vida.
Senhor nosso Deus e nosso Pai, dai-nos a graça de sermos fieis a Ti, assim como Maria, a perfeita discípula que soube entender a Tua santa vontade, e se mostrar fiel em realizá-la. Amém.
Fotos: Reprodução













